Mais uma vez: Justiça proíbe venda de andadores em todo o país

Equipamento atrapalha desenvolvimento da criança e atrasa processo de aprendizagem para andar

Já faz tempo que o andador tem causado polêmicas entre pais e especialistasReprodução
Já faz tempo que o andador tem causado polêmicas entre pais e especialistas

No final do ano passado a Justiça do Rio Grande do Sul expediu uma liminar que proíbe a comercialização de andadores infantis em todo o país. Os andadores já estão na mira da justiça e pediatras há alguns anos por causa dos prejuízos causados à saúde e desenvolvimento dos bebês. Em 2013 houve a primeira proibição por parte do Procon, mas desde então a decisão vem e volta.

Para entender o porquê destes equipamentos serem proibidos, o Diário procurou duas especialistas: a pediatra Maria Auxiliadora Gabarra e a fisioterapeuta Fabiana Rachel Romagnoli, que orientaram sobre os malefícios e como os pais devem agir para ensinar os filhos a andar sem o equipamento.

 

Prejuízo à saúde

Pelo ponto de vista das especialistas, o andador contribui para que a criança tenha uma postura incorreta e ainda tenha muita dificuldade em andar. “É compreensível que os pais fiquem ansiosos para ver as crianças andarem, mas tudo tem seu tempo. Colocar no andador só vai fazer esse processo demorar ainda mais”, explicou Fabiana.

Pediatra Maria Auxiliadora explica que o andador compromete o desenvolvimento dos bebêsSidney Trovão
Pediatra Maria Auxiliadora explica que o andador compromete o desenvolvimento dos bebês

Segundo a pediatra, quando a criança é colocada em um andador, ou ela fica sentada com as pernas semi flexionadas, ou fica na ponta do pé. “Desse jeito, ela fica empurrando o andador com a pontinha do pé e não dá firmeza para o restante do corpo. Isso pode ocasionar lesões graves e até problemas no desenvolvimento da criança, porque ela pode vir a desenvolver luxações e traumas na vida adulta, que surgiram por causa do uso do andador”, afirmou Maria Auxiliadora.

O andador também compromete o equilíbrio e a coordenação da criança. “Tudo faz parte de um processo. A criança precisa começar rolando, para depois sentar sozinha, começar a levantar e a abaixar e só então andar. Se os pais querem ajudar, podem segurar o filho pelas duas mãozinhas, depois só por uma, até ele andar sozinho. Mas é preciso que isso seja feito no tempo do bebê. Cada criança tem seu tempo e isso deve ser respeitado”, completou Fabiana.

 

Quedas e traumas

Além de prejudicar o desenvolvimento da criança, o andador ainda tem riscos a mais. Ele aumenta a possibilidade de a criança cair e sofrer traumas. “As rodinhas podem enroscar e o equipamento virar. A criança não tem nenhuma estabilidade. E quando ela cai com um andador, a primeira coisa que ela bate é a cabeça”, explica Maria Auxiliadora.

A fisioterapeuta Fabiana explica que crianças precisam aprender todo o processo de andar sozinhasArquivo pessoal
A fisioterapeuta Fabiana explica que crianças precisam aprender todo o processo de andar sozinhas

Os riscos aumentam quando se avalia a autonomia que um andador pode dar a uma criança. “Um bebê não tem noção do perigo e o andador o coloca em situação de risco se pensarmos que ele consegue chegar sozinho a uma escada, piscina, pode bater em cantos de parede, e até mesmo alcançar objetos que pode levar a boca. É muita liberdade para uma criança que não tem noção nenhuma do perigo”, salientou a fisioterapeuta.

Por isso, as duas especialistas são unânimes em defender que a criança não deve usar o equipamento e muito menos pular as fases de desenvolvimento. “Na verdade, é desaconselhável e desnecessário o andador. É mais a ansiedade dos pais que querem que a criança ande logo. Porque a criança anda errado e pode trazer problemas futuros. Todo o processo de aprender a andar ajuda a formar o corpo do bebê”, completa Fabiana.

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