Férias aumentam acidentes domésticos com crianças

Quedas e afogamentos são os principais e, por isso, pais devem ter atenção redobrada

Um simples balde com água pode ser fatal para uma criançaReprodução
Um simples balde com água pode ser fatal para uma criança

Criança em casa é sempre motivo de muita preocupação para os pais e cuidadores. Afinal, a curiosidade e a vontade de brincar o tempo todo levam, muitas vezes, as crianças a se envolverem em pequenos acidentes domésticos, que nada mais são do que quedas, queimaduras, choques, ou em casos mais graves, afogamentos.

Os acidentes domésticos são hoje a principal causa de morte em crianças a partir de 1 ano de idade. Segundo a pediatra Maria Auxiliadora Gabarra, há algumas décadas eram as doenças que preocupavam, mas com o avanço da medicina, os acidentes são os que mais matam as crianças.

“O acidente tem tomado proporção cada vez maior. As outras doenças que causavam óbito estão se extinguindo e o que aumenta é a influência de fatores externos, em que se classificam os acidentes de forma geral. E essa não é uma realidade apenas brasileira, e sim, uma realidade mundial”, destaca.

Quando falamos em acidentes, o maior causador de óbitos é o de trânsito, seguido pelo afogamento e depois pelo sufocamento. “Se considerar essas três causas, consegue-se abordar de forma importante este assunto. O que mais ocorre é o acidente por queda, mas o que mais leva à óbito é o acidente de trânsito. Na hora que a gente pensa que as crianças não estão na escola, estão em casa, devemos considerar como importante”, salienta a doutora.

Apesar de o trânsito ser o acidente com mais fatalidades, os afogamentos são os que mais preocupam a pediatra, porque na maioria das vezes ele acontece dentro de casa ou quando a criança está sobre a responsabilidade dos próprios pais. “Como o calor é grande, as crianças gostam de brincar com água e é aí que o acidente por afogamento acontece, em sua maioria, dentro de casa. Uma bacia, um balde e até uma piscina com água são preocupantes. Vale destacar que a partir de 2,5cm de água já são suficientes para uma criança morrer afogada”, afirma Maria Auxiliadora.

Pediatra Maria Auxiliadora explica que os pais devem sempre ficar atentos aos filhosBruna Zechel | Diário Botucatu
Pediatra Maria Auxiliadora explica que os pais devem sempre ficar atentos aos filhos

Por isso, a pediatra dá uma dica, quando uma criança está em casa, toda a preocupação de um adulto é válida. Não deixar baldes com água, tanques cheios e até portas dos banheiros abertas, são só algumas medidas simples, mas que podem prevenir muitos acidentes.

“A morte por afogamento é rápida e silenciosa. Por isso, na maioria dos casos, não se percebe que a criança se afogou. Numa queda, a criança grita, numa queimadura, ela chora e grita. No afogamento ela morre em silêncio. Ela não faz nada e não dá nenhum alerta para que você veja que ela está se acidentando. Tem que prestar muita atenção. Lavanderia e banheiro são locais que não são adequados para crianças e devem ser trancados. A criança pode cair dentro de um balde ou do vaso sanitário. Fora de casa, em piscina, rio e represa, criança só entra se tiver adulto junto”, orienta a doutora.

 

Tombos são os acidentes mais comuns

Apesar de o afogamento ser um dos acidentes que mais preocupam e causam morte em crianças, as quedas e traumas são os que mais acontecem. O mais importante nestes casos é sempre observar uma criança que levou uma queda e nunca ignorar qualquer sintoma que ela apresente após o acidente.

“O mais importante é fazer comparações. Quem cuida de uma criança, sabe o quanto ativa ela é durante o dia a dia. O quanto ela gosta de brincar, falar ou fazer suas atividades. E se ela sofreu uma queda, é esse cuidador que vai avaliar se ela não está seguindo seu comportamento padrão. Caso ela esteja diferente, é preciso procurar ajuda médica”, explica Maria Auxiliadora.

Deixa de comunicar um tombo aos pais da criança nunca deve acontecer. “O tombo pode ter efeitos imediatos, mas também efeitos que vão aparecer só depois de 15 ou 20 dias. Se ninguém sabe dessa queda e a criança fica com algum problema, é difícil o médico orientar”, afirma a doutora.

Por isso, prevenir acidentes é essencial para a boa saúde dos pequenos. “Temos que pensar que a criança é curiosa e ela vai querer sempre pegar aquilo que está em cima do armário. Ela não vai medir esforços para isso, nem que precise empilhar uma cadeira. A criança não tem noção de perigo e é aí que os acidentes acontecem”, completa a pediatra.

 

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