36 ANOS DA PRIMEIRA SESSÃO DE HEMODIÁLISE – HC – FMB – UNESP (1981 – 2017)

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A primeira sessão de hemodiálise no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP aconteceu no dia 31 de outubro de 1981. Era um sábado e havia um paciente portador de Insuficiência Renal Crônica sem mais condições técnicas de se submeter à diálise peritoneal, como vinha fazendo. Nosso excelente médico residente em Nefrologia, Dr. Francisco Kerr Saraiva e o docente responsável pela Unidade de Diálise, instalada na Enfermaria de Clínica Médica, com o auxílio do corpo de Enfermagem e dos funcionários dedicados, decidiram preparar a máquina dialisadora nova, adquirida pela Instituição em 1979. Era um modelo da Travenol , um tanque, com dializador tipo ‘coil’, de controle de fluxo quase todo manual, o que exigia conhecimento e treino prévio na manipulação técnica do equipamento e cuidados especiais com o paciente. A equipe médica havia recebido anteriormente treinamento específico no HC-USP, sob a supervisão dos Professores Emil Sabbaga e Vicente Massola.

É necessário esclarecer aqui os tempos difíceis passados pela Instituição. Foram demoradas as reformas da sala na enfermaria, a instalação hidráulica e elétrica requerida, pontos de descarte de líquidos para o esgoto, projeto de tratamento prévio de água ( a água que servia o hospital era ainda captada – desde 1962 – do riacho que passava em Rubião Júnior, sem tratamento ), a compra e reserva de leitos para a nova Unidade, sua limpeza, etc . Tudo isso foi feito após a compra da famosa máquina… que estava guardada. Foi a emergência clínica e metabólica do paciente que determinou a inauguração da mesma. A água utilizada no processo foi transportada da cidade em toneis.

Sendo o seu primeiro uso, sua higienização foi determinada e assumida pela equipe, junto com a Enfermagem, logo pela manhã, naquele sábado. O paciente, com acesso vascular preparado, foi submetido ao procedimento previsto para durar de 3 a 4 horas. Ao final daquele período noturno, o relógio já batendo meia noite, equipe exausta, paciente melhorado e tranquilo, a Professora Dináh Borges de Almeida, nossa chefe da Disciplina de Nefrologia, do Departamento de Clínica Médica, chegou com um troféu embrulhado num belo presente: era um espumante geladinho…  Estava inaugurada a Unidade de Diálise.

O paciente pioneiro viveu longo tempo, chegando a ser transplantado ( rim ) posteriormente e levando vida normal. No aniversário do seu ‘renascimento’, comemoramos a oportunidade ímpar do recurso dialítico então inaugurado naquele hospital.

Este relato é uma homenagem a todos os que integraram e integram as equipes sucessivas que levaram e levam ao crescimento e expansão desta laboriosa e imprescindível  Unidade de Diálise até hoje, cujos benefícios têm auxiliado a tantos pacientes.  A sobrevida deles depende deste serviço exemplar, dos cuidados contínuos da equipe de enfermagem especializada e de seus dedicados funcionários. Atualmente, os familiares acompanhantes recebem apoio estratégico nas Casas de Apoio da FAMESP. Toda a instituição está de parabéns.

*O autor é médico nefrologista, docente aposentado da FMB-UNESP e colaborador deste Jornal.

(Com Francisco Habermann)