Temer ganha mais 15 dias no planalto, mas não deve ter um minuto de folga

Redação Diário | Diário Botucatu
Pedro Manhães
Editor DBPRESS

Os 513 deputados federais vão ter duas semanas de folga pra relaxar e tentar diminuir a pressão dentro de suas próprias cabeças. O destino de Michel Temer só vai ser definido na volta desta quinzena de férias dos representantes do povo em Brasília.

Passar um tempo perto da base eleitoral e dos correligionários locais vai fazer bem. Vai dar pra sentir o verdadeiro pulsar das ruas antes de se comprometer com um posicionamento que pode complicar as possibilidades de reeleição ou vôos mais altos em 2018.

Depois de um primeiro semestre dos mais críticos da história do Poder Legislativo, os deputados preferiram esperar mais um pouco antes de resolver definitivamente sobre a autorização ou não para que o presidente Michel Temer possa ser afastado.

Se for processado por corrupção no STF, Temer terá todo direito à defesa para que possa demonstrar – se houver – a lisura de suas atitudes que foram denunciadas pelo Procurador Geral da República e amplamente divulgadas por todos os meios de comunicação do país nos últimos meses.

Depois do resultado da votação na CCJ, causado pela ação forte do governo na negociação de liberação de verbas para garantir votos para impedir a investigação, todo mundo achou melhor tomar um refresco, antes de continuar a maratona.

A decisão sobre Temer pode ser a etapa mais importante de toda essa crise, que se instalou gerando tensões que abalam as estruturas nos poderes político e jurídico do país. Uma decisão que pode evitar que se acentue a distância entre a sociedade e seus legítimos representantes.

É melhor mesmo, que decisões tão importantes e estratégicas, sejam tomadas depois de um momento de descanso, com boas noites de sono no travesseiro e com a cabeça fresca: um banho de mar, um banho de sol e um banho de opinião pública nas bases eleitorais de cada deputado federal, além de duas semanas de reflexão, facilitam bem.

Talvez tenha sido o bom senso que provocou essa decisão. Até porque lá em Brasília todo mundo sabe o tamanho do estrago que duas das delações premiadas que estão sendo avaliadas pela PGR – a do ex-deputado Eduardo Cunha e a do doleiro Lúcio Funaro – podem causar. E Temer e seus amigos do terceiro andar do Planalto também.

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