Temer foi cortejar as viúvas do Sérgio Cabral e acalmar os amigos de Eduardo Cunha

É no Rio que funciona a principal base do grupo que atuou para derrubar Dilma e alçar Michel Temer à presidência da República.

Redação Diário | Diário Botucatu
Eduardo Cunha

A visita surpresa feita ao Rio de Janeiro pelo presidente Michel alguns dias atrás não foi para socorrer o povo carioca, que está com seus serviços públicos básicos em estado de calamidade e com o caos completo na área de segurança pública.

Foi para fazer um aceno e olhar no olho de seus aliados do PMDB fluminense. É no Rio de Janeiro que funciona a principal base do grupo que atuou para derrubar Dilma e alçar Michel Temer à presidência da República.

Temer foi estender a mão para a elite política do estado e para aparecer nas fotos com o sempre convalescente governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) – que era vice de Sérgio Cabral – e com o prefeito carioca Bispo Crivella (PRB), de olho no eleitorado evangélico.

O grande acordo político de Temer dentro do PMDB sempre teve no grupo do Rio de Janeiro seu principal sustentáculo. Moreira Franco (ex-governador do RJ) é o ministro mais próximo do presidente. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) até ser cassado e preso era o seu principal aliado no Congresso Nacional e controlava quase 300 deputados.

Além disso, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara Federal – e sucessor natural de Temer caso ele seja afastado – também faz parte do grupo político que divide o comando político do Rio de Janeiro. O Rio é nevrálgico para a sustentação política de Temer dentro do PMDB. Se ele perder esse apoio, perder o resto é apenas consequência.

Toda aquela turma do ex-governador Sérgio Cabral, da qual também faz parte aquela celebridade chamada Eduardo Cunha, foi a primeira ala poderosa do PMDB que se aproximou de Lula, quando o barbudo petista virou presidente do Brasil (2002) e depois bancou o nome de Michel Temer para vice de Dilma, nas eleições de 2010.

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Sérgio Cabral

O apoio de Lula foi o trampolim que faltava para que a turma de Cabral (e todos aqueles amigos das praias da zona sul da cidade maravilhosa) pudesse conquistar em 2006 o Governo do Rio de Janeiro, na época nas mãos da família Garotinho, com origem política no interior do estado, sem muito compromisso ou intimidade com a corte da antiga capital nacional.

Hoje fica claro que toda a gastança desenfreada que aconteceu por causa da Copa do Mundo e da Olímpiada não deixaram o legado social que tanto se propagou, que tanto se valorizou enquanto se autorizava aquele monte de obras superfaturadas, algumas hoje completamente abandonadas, sem sentido, vazias, deteriorando por falta de manutenção adequada.

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