Se o que acontece em Las Vegas, morre em Las Vegas, o que acontece em Brasília vai morrer onde?!

Redação Diário | Diário Botucatu

Há alguma coisa errada com o nosso jeito de ser? Ou somos apenas o resultado do que permitimos passivos desde que aquelas multidões reunidas nas praças – não com foices, rifles e punhais contra canhões em guerrilha – convenceram diplomaticamente os generais a voltar para a caserna e entregar o país de volta para os partidos políticos que os brasileiros, muitos por ingenuidade, admiravam nos anos 80.

E decidimos todos – orgulhosos do nosso novo direito – que seríamos, como sociedade, responsáveis e vigilantes na escolha do perfil das pessoas que emergiriam das urnas rumo aos cargos de liderança, aqueles em que o bom exemplo sempre serve de referência, de modelo a ser seguido, que pode até ser aplaudido de pé: quando este reconhecimento acontece como  uma reação natural, racional e espontânea.

Quem tem hoje um pouco mais de experiência como eleitor sabe que já houve um tempo neste país em que estava na moda, era até “chique”, eu diria, votar em candidatos com esse perfil que gera orgulho, provoca admiração.

Principalmente para o parlamento, onde o cardápio sempre apresentava dezenas de ótimas possibilidades para um voto engajado e consciente na maioria dos partidos políticos. Bons nomes brotavam a cada nova eleição.

Raramente dava essa dor de arrependimento depois, como muitos sentem hoje. Como eram fortes e marcantes os momentos de debate entre aqueles jovens e daqueles maduros políticos do MDB, do PT, do PMDB, do PDT, do PL, dos dois PCs, e até do PSDB e do PV, que surgiram depois, com os estudantes nos lotados auditórios das universidades.

Isso foi muito antes de aparecerem estes partidos novos de agora, como a REDE e o PSOL, que parecem estar revivendo nos dias atuais, histórias parecidas com a daqueles velhos momentos como organização partidária de vanguarda.

Ainda sem a organização necessária e um discurso que ouse sair do lugar comum com clareza e responsabilidade, o grande desafio que estas novas formas tecnológicas de conectar ideias e pessoas exigem para garantir um lugar ao sol.

 

VOLTANDO

AOS ANOS 80..

.A mesma vibração acontecia dentro das Igrejas, dos movimentos sociais de base e nos mais diversos setores da sociedade, como as entidades de classe e os sindicatos patronais e de trabalhadores, que ainda preferiam o exercício

de negociar seus interesses sentados em uma mesa redonda, dedicando seu tempo para compreender e rebater, se necessário, ou aceitar, se justo, os argumentos do outro lado.

Cenário bem diferente deste de agora, onde basta uma canetada presidencial em uma medida provisória para decretar vencidos e vencedores, em qualquer questão que envolva as relações entre fontes pagadoras e fornecedoras de trabalho.

É muita responsabilidade para um brasileiro só.

Talvez por isso seja necessário comprar deputados para ajudar a aprovar algumas propostas que só dá pra justificar ser a favor se for por dinheiro, fica restrita ao mundo dos negócios nada republicanos.

 

VALEU A FORÇA, CURITIBA.

Mas é em Brasília que o cerco tem que fechar. É no Congresso e no STF que começa o novo capítulo, até que o Brasil possa ir às urnas, escolher quem será a pessoa, que vai representar a ideia, que merecerá uma escolha, em eleições livres e diretas. Um momento que pode até ser antecipado de 2018 para 2017, mas essa é uma segunda conversa.

O jogo começa no placar eletrônico da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, quando se decide, ou pelo menos é o que deveria ser definido, se é “constitucional e justo” que o atual ocupante da faixa presidencial possa ser afastado em função da acusação formal de corrupção passiva feita pelo Procurador Geral da República.

É lá, e não nas redes sociais, que Temer poderá se defender e provar sua inocência. No único tribunal com autoridade para julgá-lo: o Supremo Tribunal Federal. Um lugar onde cada um dos juízes também estará sendo julgado pela sociedade com base em seus argumentos jurídicos para condenar ou absolver – e na postura, dentro desta arena, dos padrinhos políticos responsáveis por suas indicações para a nossa corte suprema.

 

Tenha um bom dia.

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