PSDB: um partido sem líder morre

Redação Diário | Diário Botucatu
O desafio do PSDB é o de encontrar um líder que tenha a
legitimidade, a confiança e a credibilidade de Mário Covas:
um objetivo difícil com as peças que hoje estão no tabuleiro

Um partido político que tem dimensão nacional pode ser fundamental e estratégico em qualquer mudança mais radical no cenário. Se esse for o caso do partido que foi autorizado pelo eleitor paulista a comandar por 24 anos seguidos o estado mais próspero e desenvolvido do país, pode ser uma confirmação do tamanho dessa responsabilidade.

Não dá pra apagar da memória – nem mesmo por conveniência contemporânea, tentando descolar do centro da crise – que o mesmo grupo que venceu as últimas seis eleições paulistas já vinha lá de trás: dentro dos governos peemedebistas de Montoro (1.983-1986) e Quércia (1987-1990).

Alguns tucanos graúdos de hoje também participaram ativamente até do Governo Fleury (1991-1994), que fez o PSDB amargar sua única derrota em solo paulista até hoje, nas eleições de 1.990. Tirando a média, dá pra dizer que é mais ou menos o mesmo bloco político quem comanda São Paulo há 36 anos.

A verdade é que a maioria dos paulistas nem gosta muito do PSDB, mas acaba votando nos tucanos no segundo turno para derrotar o PT – que nunca conseguiu governar o estado – ou qualquer outro adversário que não demonstre a mesma confiabilidade e capacidade de dirigir um pedaço de Brasil com tamanha diversidade de interesses e possibilidades.

Partido nenhum governaria um estado com o perfil de São Paulo por tanto tempo, se não tivesse também, é claro, o respeito, a admiração e o reconhecimento de parte significativa da sociedade: deve estar pelo menos passando por média na avaliação de seus cerca de 30 milhões de eleitores.

Um estado como SP, com desenvolvimento de ponta em todas as áreas do conhecimento, entidades de classe sempre vibrantes e em constante movimento, seu sindicalismo forte e bem estruturado, uma rede de universidades questionadoras e de vanguarda – e que conta com uma imprensa forte e vigilante – não permitiria que um partido qualquer chegasse tão longe – renovando seu contrato a cada quatro anos – se não considerasse mesmo o PSDB a melhor alternativa. Até agora.

O problema é que hoje o PSDB não tem um líder. É apenas uma bandeira tremulando insegura para o lado que o vento soprar. FHC tenta fazer este papel, mas FHC não é um líder. Nunca foi.FHC é um professor, é um sociólogo, um intelectual respeitável: um estadista, com atuação partidária quase nula. É uma referência, mas não é uma alavanca, do tipo mobilizador.

Sem um líder, o PSDB vai ter muita dificuldade. Um partido acéfalo na liderança não consegue apresentar um líder para o país. Quem vai querer votar num colegiado que se reúne toda semana para não decidir nada e marca outra assembleia para a semana seguinte para fazer a mesma coisa?! Não sobe nem desce do muro. Fica pendurado de um lado e ao mesmo tempo escorado do outro. Pobre PSDB. Já foi mais ousado e corajoso em outros tempos.

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