Em brasília, agora o nome Do jogo é “cada um por si”

Folha de São Paulo
Número necessário para que a denúncia seja aceita: 342 Número necessário para barrar a denúncia: 172
Pedro Manhães
Editor DBPress

É divertido ouvir as declarações dos principais deputados que são alvo da cobertura política dos jornalistas que cobrem o passo a passo da tramitação da autorização da Câmara Federal para que o presidente Michel Temer possa ser processado no STF.

A primeira impressão é a de que os partidos políticos se esfacelaram como estruturas políticas que agem em conjunto e tomam posições de forma coletiva.  Cada parlamentar vai tomar sua posição pensando apenas em salvar a própria pele.

Os que não possuem qualquer tipo de medo de respingos – da lavagem pública de roupa suja – estão começando agora a enfrentar de frente, olho no olho, os apavorados com as marcas e rastros que deixaram pelo caminho em suas relações político-econômicas num mercado que não pede e não dá recibo, mas deixa fortes digitais por onde o dinheiro passa.

Os deputados federais em Brasília hoje se dividem entre três grupos: os que já caíram na rede e sabem nadar, os que estão sentindo que vão ficar enroscados nela por isso não podem bobear, e os outros: os que se divertem assistindo a pescaria da Polícia Federal e do Ministério Público no aquário dos partidos políticos, na contabilidade das empresas amigas, no plenário e nos gabinetes mais influentes do Congresso Nacional.

No jogo entre os desesperados e os tranquilos em relação às investigações em andamento, o placar da votação na Câmara Federal sobre a denúncia contra Temer vai mostrar para o Brasil inteiro quem tem o rabo preso – e prefere ficar de bico calado – e quem não tem, portanto pode bater de frente com a estrutura organizada que tenta por todos os meios abafar essa caça aos bruxos da política nacional.

A maioria dos parlamentares entrevistados sobre o tema – que provoca calafrios em metade dos nossos queridos deputados toda vez que surge uma novidade – dá sinais de que provavelmente serão poucos, ou até mesmo nenhum, os partidos que vão fechar questão para exigir o voto conjunto de suas bancadas a favor ou contra Temer, no seu lento e gradual caminho em labirinto para a forca.

É cada um por si, sem Deus por todos. Até porque, como reconheceu o próprio presidente em seu pronunciamento antológico: “Nem eu sei como Deus me colocou aqui”.

Nem nós, presidente.