Não é fácil para Lula, ser o primeiro dos bagres grandes condenado na Lava Jato.

Lula já deve ter confidenciado aos amigos próximos que a maior besteira que fez na vida foi a de sonhar com um apartamento na praia do Guarujá (SP)

Redação Diário | Diário Botucatu

Lula já deve ter confidenciado aos amigos próximos que a maior besteira que fez na vida foi a de sonhar com um apartamento na praia do Guarujá (SP), pra curtir a vida na areia junto com o povo depois da aposentadoria. Mas isso foi bem antes de descobrir como é a vida em Palácio de Presidente. Foi muito tempo atrás.

Lá no tempo da Bancoop, aquela cooperativa dirigida por um monte de sindicalistas sem qualquer noção de como se faz e como se vende, mas com perfeita noção de como se desvia, dinheiro de empreendimentos imobiliários travestidos de projetos sociais.

A sorte foi que “alguém” arrumou os amigos da OAS pra salvar o negócio. Com certeza garantindo que era um bom negócio, que tinha um monte de cliente bom, um pessoal sério, que pagava as parcelas direitinho.

Existe até a possibilidade – remota, é claro, pelo que o histórico do noticiário mostra – de que tenha sido mais ou menos nessa linha o conteúdo de uma das primeiras conversas de interesse mútuo que Lula teve logo que chegou ao poder.

Ele (Lula), de frente – e com uma faixa presidencial no peito e uma caneta presidencial no bolso – com um representante legítimo daquilo que seus amigos chamavam de representantes do mundo capitalista, gente que sabe que tudo tem um preço.

Tudo mesmo. Até um pequeno favor. E Lula ficou (nessa conversa hipotética) devendo um favor. Mas também ficou com um favor de crédito. Que talvez até possa ter sido o primeiro, porque hoje ninguém tem mais dúvida, que diversos outros (favores) vieram depois.

Um deles poderia ter acontecido na hora da despedida da conversa sobre o tríplex. Aquele momento em que, com senso de oportunidade, Lula sonhou mais alto. Viu que tinha tamanho para pedir um favor a mais, que seria atendido provavelmente em troca de outro, mas isso era só um detalhe.

E virou para o homem da OAS e disse:

– “Viu, companheiro. E, se desse, seria legal vocês darem uma arrumada pra mim num sitiozinho que era meio meu, meio do Jacó Bittar, lá em Atibaia (SP). Lembra dele?! Do Jacó? Gente boa. Construiu e deu respeito pro PT lá de Campinas, no tempo que era o Quércia que mandava na política de lá. Mas fica tranquilo. Não vai aparecer, o sítio nem tá no meu nome, nem nada. Eu e o Jacó preferimos colocar no nome dos filhos, pra não correr o risco de perder por causa de política. Nessas campanha do PT sempre sobra umas coisas pra pagar depois. É nessa hora que patrimônio vai. Já cansei de ver amigos vendendo carro e sítio depois que perde a eleição. Quando ganha, tá tudo certo. Sempre aparece alguém pra resolver os problemas que sobram….”

E o homem da OAS, curioso, respondeu:

– “E onde fica o sítio, Presidente?! Talvez eu possa ajudar. Se for coisa pouca, eu resolvo sozinho. Se for coisa grande, o senhor me autoriza a chamar uns amigos pra ajudar? Tudo gente bem discreta, que nunca vai lhe cobrar. A conversa é comigo. Conversa de amigo”.

E foi a partir daí, que talvez tenham chegado mais perto do presidente e do seu partido cada uma das empresas que, em troca de vantagens pagas com dinheiro público, foram parceiras no financiamento do mensalão (2003), das campanhas municipais do PT em 2004, da campanha da reeleição de Lula (2006), e assim por diante.

Até o dia em que o Brasil enxergou: se revoltou. E a Justiça fez sua parte: condenou. Porque a história que condena é a história do que aconteceu. E a história do que aconteceu, não dá pra negar. Aconteceu mesmo. E existem documentos e depoimentos que confirmam os fatos. O resto é argumento jurídico de advogado (pra encurtar pena) ou emoção de fã apaixonado (que não acredita e ponto final). Nem dá pra levar em consideração. Isso é assunto sério.

E talvez, até pra não ser injusto com Lula, sejam poucos os políticos deste país que não saíram do poder com um patrimoniozinho, no mínimo, um pouco melhor do que aqueles que tinham, quando se elegeram pela primeira vez. Muitos deles – nem todos, que fique claro: mas com certeza casos fáceis de encontrar em qualquer lugar – também conquistaram patrimônio pessoal com uma caneta: a de vereador, a de prefeito, a de deputado, a de senador, a de governador e a de presidente.

Tudo depende, por onde foi que a carreira começou. O tipo de pessoa que o indivíduo era já estava lá, no começo de tudo.  Basta fazer a linha do tempo. E talvez tenha sido injusto com a história de Lula, ter sido o primeiro ex-presidente do Brasil a ser condenado à prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. E por causa de um apartamento de veraneio.

Daqui a pouco, Lula vai ser julgado de novo pelo juiz Sérgio Moro. Por outras despesas que arrumou quem pagasse para si próprio (como certas palestras que nunca fez) e para o Partido dos Trabalhadores (que se estruturou bem, com Lula Presidente).

Provavelmente também, por causa das despesas pagas pela OAS e pela Odebrecht na reforma e ampliação (e pela compra dos pedalinhos para o lago) do sitiozinho, lá de Atibaia – onde ele sonhava poder bater uma bolinha nos finais de semana em que não fosse descer para a praia.

Pra tomar uma boa cachaça e fumar uns charutos cubanos enquanto aqueles amigos bons de churrasqueira assavam aquela carne gorda, fazendo uma fumaceira no salão de festas, que ficaria lindo depois da reforma feita com tanto carinho.

É onde ele queria fazer as festas, pra não ficar enchendo de gente a cobertura na praia. Dona Marisa não iria gostar nem um pouco. Mandou levar aqueles amigos beberrões lá pro sítio. No Guarujá, só família e amigos bem próximos. Já imaginou aquele monte de gente na hora de pegar o elevador privativo pra descer pra areia?

Mas da próxima vez, como qualquer brasileiro, Lula pode não ser beneficiado com as atenuantes que provocaram a decisão técnica da primeira sentença, como a de recorrer em liberdade. A sentença poderá ser sobre o maldito sítio, que como o apartamento no Guarujá, também ficava pertinho de São Bernardo do Campo, a cidade onde ele já morava desde o tempo em que trabalhava na fábrica, antes de virar sindicalista.

Mas uma coisa é certa: “eita vidão” que seria essa vida que Lula não vai mais poder ter nos lugares que sonhou antes de se tornar presidente. Mas ainda é possível que a gente descubra que Lula conquistou outros sonhos mais adiante. Ou não?! Talvez ele tenha parado por aí. Foi seu limite. Nesse caso, seria uma velhice triste, do jeito que ele não queria, nunca imaginou.

Tenha um bom dia.

 

 

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