Márcio França: uma pedra no caminho de João Dória

GOVERNO DE SP#ELEIÇÕES

por Pedro Manhães

Depois de pular de prefeito a presidenciável, mas ter que se contentar com uma candidatura ao Governo de SP, João Dória Jr lidera as pesquisas de intenção de voto para governador de SP. Só falta oficializar seu nome na Convenção Estadual do PSDB, marcada para os próximos dias. E continua esparramando a febre do seu bordão Acelera SP, agora invadindo a Grande SP e se esparramando pelo interior adentro.

Do outro lado, um homem com outra origem e outro perfil, não é paulistano, fez a vida em São Vicente. Márcio França foi um vice-governador discreto, virou governador tampão justo no tempo da eleição e agora quer dar o grande salto: garantir mais quatro anos morando no Palácio dos Bandeirantes. Atualmente é o terceiro ou o quarto colocado nas pesquisas, ainda um nome desconhecido pela grande maioria.

A vantagem de França está no fato de não precisar deixar o cargo de comandante do governo paulista para ser candidato à reeleição. Dória não teve a mesma possibilidade. Teve que deixar de o cargo de prefeito da capital – que foi entregue ao vice Bruno Covas – para poder tentar um vôo mais alto em sua recente e meteórica carreira política.

A desvantagem de França está no fato de Dória ser um nome e uma marca mais consolidada do que a dele na memória afetiva do eleitorado, principalmente o da capital, que elegeu Dória para prefeito no primeiro turno. Seu nome também se esparramou pelo interior do Estado, por estar ligado ao cenário anterior da sucessão presidencial, bem mais abordada pela mídia do que a disputa pelo governo estadual.

João Dória sempre foi celebridade, mesmo antes de se tornar político de carreira. França  é um político de carreira que nunca foi celebridade, por isso aposta todas as suas fichas no horário eleitoral de rádio e tv. Hoje, Dória (PSDB) parece estar consolidado como um dos participantes do segundo turno, se houver. Seu adversário, ao que parece, será um destes três: Paulo Skaf (MDB), Luiz Marinho (PT) e Márcio França (PSB).

O maior problema de Dória é ter França como adversário na segunda rodada das eleições deste ano, se houver. Como governador de plantão, no exercício pleno do cargo, ele tem a faca e o queijo na mão para carrear apoios políticos de influenciadores de voto, como prefeitos, vereadores, deputados. Também possui uma agenda oficial que o permite ter repercussão na mídia fora do horário eleitoral gratuito, o que Dória também não tem.

O que faz tremer o chão é a possibilidade, hoje real, de os dois se enfrentarem no segundo turno. E pra completar o caos, com Geraldo Alckmin, o padrinho de ambos, também na segunda etapa da sucessão presidencial, tendo que se equilibrar pra não desagradar nenhum dos dois companheiros que resolveram se enfrentar, não toparam abrir mão de disputar o Governo de SP. É uma possibilidade. Vai que acontece.

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