José Serra: uma história de um político que sonhou grande demais

O atual senador José Serra mandou no PSDB paulista desde a fundação, em 1.988, quando foi o primeiro presidente estadual do partido. Naquela época ele ainda tentava esticar o pescoço para aparecer bem na foto, tipo papagaio de pirata, atrás de Montoro, Covas e FHC.

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José Serra

Nos bastidores do PSDB já há quem dê como certa a saída do partido dos grupos de Serra, Aloysio e outros tucanos graúdos. Não existe mais clima para uma convivência em comum. O destino de todos eles pode ser o PSD, a sigla criada por Gilberto Kassab, para ser a “opção” de Serra no dia em que ele precisasse. Só não imaginaram que seria pra salvar a pele.

Geraldo AlckminRedação Diário | Diário Botucatu

A intenção dos dois sempre foi a de atropelar o governador Geraldo Alckmin. Aliás, foi a umbilical relação entre Serra e Kassab que detonou de vez a crise interna dentro do PSDB paulista na virada para o século 21, quando os dois estreitaram suas relações.

O atual senador José Serra mandou no PSDB paulista desde a fundação, em 1.988, quando foi o primeiro presidente estadual do partido. Naquela época ele ainda tentava esticar o pescoço para aparecer bem na foto, tipo papagaio de pirata, atrás de Montoro, Covas e FHC.

Esse racha se acentuou quando Serra, depois de perder a disputa presidencial para Lula (2002), se elegeu prefeito da capital (2004) e renunciou ao mandato dois anos depois para ser eleito governador (2006) e ter tamanho para poder voltar a ser candidato a presidente (como foi em 2010, quando perdeu para Dilma no segundo turno).

Kassab, que era o vice-prefeito de Serra, herdou a prefeitura paulistana e os dois ficaram fazendo tabelinha governador/prefeito e preparando o bote final contra o grupo de Alckmin, que sempre foi mais ligado historicamente ao falecido ex-governador Mário Covas.

Em 2008, acontece o racha no PSDB. O partido lança para disputar a sucessão de Kassab na prefeitura paulistana o então ex-governador Geraldo Alckmin, que perdera as eleições presidenciais de 2006 para Lula e estava sem mandato.

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Gilberto Kassab

José Serra, que tinha virado governador de SP – e triturado o grupo ligado a Alckmin em todos os cantos da máquina governamental – apoia descaradamente a reeleição de Kassab, que garante a vitória. Alckmin nem vai para o segundo turno.

Vira uma confusão no ninho tucano, com feridas que até hoje não cicatrizaram. Neste cenário, até o médico, professor da Faculdade de Medicina da Unesp e ex-deputado estadual Milton Flávio Lautenschlager, que tinha base eleitoral em Botucatu, uma das cidades mais tucanas por natureza do interior paulista.

Milton Flávio acaba virando presidente do Diretório Municipal do PSDB da capital, como representante do grupo de Alckmin. O objetivo era o de conseguir consolidar a candidatura do empresário João Dória Júnior para prefeito da capital em 2016, vencendo a disputa contra o vereador Andrea Matarazzo, que era o candidato preferido de José Serra e Gilberto Kassab.

E o PMDB paulista de Temer & Cia já estava lá, como sempre. Juntinho com Serra, Aloysio, Kassab & Cia Ltda, dividindo a rapadura, como sempre fez, como sempre faz. E Serra – que sonhava em ser Ministro da Fazenda depois que Dilma caiu – acabou sendo acolhido no Governo Temer, como ministro das Relações Exteriores.

Aí veio a Odebrecht e começou a apresentar sua contabilidade do setor de propinas, envolvendo Serra, Aloysio, Kassab e outros tantos políticos paulistas. Serra pede para ir ao banheiro e volta para o Senado, mas deixa Aloysio Nunes no seu lugar dentro do governo.

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Milton Flávio

Se Temer cair, Serra pode pendurar as chuteiras ou buscar um novo caminho junto com seus aliados. Essa é a ideia. Dentro do PSDB, o senador paulista já sabe que seu apito não mete medo nem no clube do tucaninho, a ala infantil da legenda.

 

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