Já que não dá pra ir pescar, Lula podia confessar

 

Redação Diário | Diário Botucatu
Os peixes do lago de Atibaia, que faziam a alegria do ex-presidente
nos finais de semana de lazer com a família e os amigos próximos

É claro que Lula não vai fazer isso. Uma confissão derrubaria todos os argumentos e estratégias jurídicas de sua defesa nos processos que responde na Justiça por corrupção e – em breve – por acusação formal de formação de quadrilha. Não há como escapar desse desfecho.

Lula precisa admitir que jogou o jogo do jeito que o jogo era jogado. Só isso poderá servir de moral positiva na história que restará em sua biografia, independente do resultado das eleições de 2018, que ninguém sabe ainda se poderá disputar.

Se a lei valer para ele, como vale neste país para preto, puta e pobre – e também para dono de jornalzinho do interior paulista – é justo que cumpra a sentença e pague pelos crimes que cometeu, com base nas leis brasileiras em vigor.

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Lula precisa definir se quer passar para a história como um lider
capaz de reconhecer seus erros ou como um político comum, do
tipo não faz diferença entre dinheiro público e dinheiro privado

 UM DIREITO DELE

Lula também tem a possibilidade de buscar um direito que pode ser usufruído por qualquer brasileiro acusado ou flagrado em um crime comum: bem mais nobre e muito mais coerente com quem se intitula o mais honesto de todos os brasileiros.

O ex-presidente poderia ter a humildade de buscar os benefícios da delação premiada, revelar os bastidores de sua trajetória no comando do partido que comandou o Brasil por 14 anos. E também explicar porque escolheu Temer como reserva imediato, deixando a outra metade podre da laranja de herança para o Brasil.

Lula poderia fazer isso até em troca do direito de disputar as eleições de 2018. Afinal de contas, como se vê neste processo jurídico que arrasta uma multidão de atores para os tribunais, a delação premiada é resultado de uma negociação clara e objetiva entre o Ministério Público e o Delator interessado no benefício.

A mesma tese vale para todos os outros líderes partidários e seus comparsas que se lambuzaram no leite condensado dos negócios privados com recursos públicos.

A TURMA DO CAMPINHO PODE SER TESTEMUNHA?

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O tradicional futebol com os amigos agora já não faz mais parte da rotina de Lula: o tempo agora é de dar satisfação ao Poder Judiciário

Se Lula preferir continuar negando que esta propriedade também era dele, basta que os donos do sítio no papel – os sócios do megaempreendedor Lulinha Júnior – expliquem porque as construtoras como a OAS e a Odebrecht resolveram dar uma mãozinha de R$ 1 milhão na reforma daquele estabelecimento de lazer.

Pra desmascarar de vez o Lula é muito simples. Basta pegar uma lista de todo mundo que já foi convidado para ir ao sítio, desde o tempo em que o Jacó Bittar ainda era vivo e as crianças ainda eram adolescentes. Um tempo em que a vida estava apenas começando e era promissora pra quem vinha de baixo, como representante da classe trabalhadora.

Se já teve festa lá, com churrasco e futebol daquela turma boa – hoje cheia de sessentões e setentões – deve ter muita gente que pode ser testemunha e contar muitos detalhes interessantes que comprovariam aquilo que todo mundo sabe, mas o líder petista ainda se nega a admitir: que o sítio era uma das alegrias da família e dos amigos mais “chegados” nos dias de folga e lazer.

Por exemplo:

Quem convidou? Quem foi o anfitrião? Quem mostrou o sítio contando vantagem? Quem contou as histórias sobre a compra e a reforma do sítio? Quem foi avisado que parte da turma ficaria um tempo sem poder ir pra Atibaia, porque a propriedade iria passar por uma pequena reforma? Quem voltava contando para os amigos que foi jogar bola no sítio do presidente?

Lula é um homem de muitos amigos. É um político hábil e sedutor desde os tempos em que ainda tinha os dez dedos nas mãos e era um peão razoável do chão de fábrica. Um homem que abria seu caminho como líder sindical, sabendo tinha talento para essa atividade, com toda a sua diversidade de oportunidades e novos relacionamentos.

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