A DIVERSIDADE FAZ PARTE DA EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE

É melhor todos nós começarmos a aceitar essa simples verdade, que faz parte do nosso mundo real, não daquele imaginário em que tudo é perfeito apenas para combinar com o nosso ego.

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Pedro Manhães – Editor DBPRESS

É meio aquela história: aceita que dói menos. E pode ser uma boa maneira de minimizar os efeitos das grandes crises, como a que vivemos hoje, a que precisamos resolver para construir um novo rumo.

Vale para a política, para a economia, para a Educação, para a Saúde Pública e para qualquer princípio que possa amadurecer a ideia de uma nova constituição brasileira e de novos caminhos para o relacionamento entre o Estado e a Sociedade.

Senão fica como aquele cara, que acredita que Deus existe, porque sente a presença dele na própria vida; mas não sente a presença e não acredita naquilo que vê, com os próprios olhos ao seu redor o tempo todo: que a diversidade é a regra de ouro de uma nova era.

O preconceito é o que muitas vezes não deixa o pensamento humano evoluir…

Alguns dias atrás aconteceu em Botucatu, aqui no interior paulista, uma semana ecumênica. Lideranças e fiéis das mais diversas crenças resolveram que era preciso refletir juntos, cada um na sua fé, cada um com o seu jeito de fazer orações pela cidade e pelo país.

Uma semana inteira de dedicação em nome da fé.

Já tá melhor que o Dia das Mães e o Dia dos Pais, que continuam tendo um dia só no calendário para refletir com clareza sobre o significado disso.

  

 

DIRETAS FORA DE ÉPOCA NÃO PODE E NÃO DEVE SER POR OPORTUNISMO

Hoje, no Brasil, a forma mais produtiva de iniciar um novo caminho é construindo unidade com base na diversidade de pensamento.

O Brasil não aguenta mais um round com vencedores e vencidos na urna eletrônica, neste momento de instituições e economia frágeis.

O momento de chamar “Diretas Já” foi em maio de 2016, quando tivemos os principais líderes do Governo Federal e do Congresso Nacional com suas entranhas corruptas escancaradas na cara da sociedade.

Mas enquanto Dilma estava caindo a única coisa que metade do Brasil fazia era chamar Lula de ladrão e a outra metade só falava que era golpe.

Parecia torcida de futebol chamando juiz de ladrão quando a falta foi dentro da área, mas ele preferiu dar um impedimento duvidoso, pra não ficar mal com a diretoria da federação. Foi mais ou menos isso que aconteceu no impeachment de Dilma. Os dois lados estavam decidindo uma partida no tapetão. E deu nisso.

Agora, Temer também não dá mais. Só falta a ala tucana controlada pelo senador José Serra romper. Aquela, que sempre traz junto aqueles macacos velhos, do DEM, que abriga uma geração inteira de coronéis da política brasileira.

É a última gotinha de oxigênio que resta. Não existe hipótese do Poder Judiciário ter coragem de arrastar por muito tempo a denúncia formal do Procurador Geral da República. Até porque a cada dia surgem novas informações, gravações e documentos que arregaçam ainda mais estes momentos de fim de ciclo, fim de festa rasteira, deprimente.

 

AGORA É A HORA

DO BRASIL RESPIRAR FUNDO E TOMAR UMA DECISÃO.

Este é o momento do respeito à constituição brasileira. Aquela que, em 1.988, a maioria de nós aplaudiu. E que uma minoria alertou, é verdade, já naquela época, para alguns equívocos e riscos do exagerado texto final, aprovado e emendado sob a pressão de partidos estruturados, com linha ideológica clara e com as instituições da sociedade atentas.

Mas nas votações, ora uma maioria ideológica, às vezes uma maioria política, em muitos momentos uma maioria interessada em defender os interesses das grandes corporações, fez o que achou que era preciso para defender e aprovar aquilo que considerava importante, não se importando com os reais interesses que estavam por trás dessas decisões.

Muito destes compromissos que foram parar na nossa Constituição e nas nossas leis complementares (as malfadadas medidas provisórias, por exemplo, ajudaram a transformar o parlamento num balcão de negócios), não eram, já naquela época, aqueles que tinham mais apoio popular e militância organizada, os que a gente, que hoje passeia em torno dos 50 anos, respeitava mais, mas que também nos forçavam a esticar demais o elástico e ter posições exageradas demais em alguns aspectos.

Criamos, todos nós, a partir daí, o monstrengo que foi crescendo e se transformou nesse Brasil de 2017. Com todas as suas feridas abertas.

Esquecemos de ficar atentos. E observar a intensidade de ângulos pelos quais os brasileiros de todos os cantos, miscigenados de Diversidade de pensamento, de raça, de credo, de origem, encontrava de caminhos através do surgimento de novas tecnologias para propagar suas posições e reflexões.

E isso tudo nos trouxe até este mundo conectado de hoje pra descobrir o óbvio.

 

EM 1.988, A CONSTITUIÇÃO DOS VELHOS.

A Constituição Brasileira de 1.988 precisava ter sido a Constituição dos Jovens, não dos nossos velhos líderes que vinham se engalfinhando nos bastidores da política há mais de 30 anos, desde os anos 50 do século passado.

Com seus duelos e debates acalorados, a política sempre foi jogo de cachorro grande em cada palmo desse país. Virou jogo de vira lata quando se criou essa superprodução chamada Horário Eleitoral, que levou os orçamentos de campanha a patamares que nenhum de nós acreditaria antes da redemocratização do país.

Muito antes de inventarem o rádio e a televisão, quem ainda contava quase sozinho essa história – acompanhado das nossas antigas emissoras de rádio – eram apenas os nossos velhos jornais impressos, que tinham em muitos casos um jornalismo apenas de opinião, que hoje serve para saber qual foi o grande debate de cada época.

 

NAS “DIRETAS JÁ!”, EM 1984, OS JOVENS ERAM PLATEIA.

Os jovens, tirando o Aécio Neves e alguns amiguinhos, não estavam no palanque das Diretas Já. Os jovens e o povo, aquela multidão de pessoas, estavam lá na plateia, sacudindo bandeiras, se emocionando, chorando até, boas lágrimas de um sentimento cidadão.

Lá no palco, tirando uma meia dúzia que valia a pena ouvir – líderes que a gente respeita até hoje -, tinha um monte de discurso enfadonho, de políticos oportunistas, que depois viraram nossos vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e presidentes.

E a gente via lá debaixo eles se acotovelando pra pegar o microfone e aparecer bem na foto quando chegavam as lideranças realmente expressivas daquele movimento.

Ainda bem que vinham aquelas bandas e cantores que a gente gostava. O show era de graça e tinha música boa a cada meia hora. Nos intervalos, o Osmar Santos, passando a palavra pra fila de homens chatos que queria falar antes daqueles que realmente valia a pena ouvir. Uma pena descobrir o quanto muitos deles nos decepcionaram depois.

Inteligente o marketeiro que idealizou aqueles eventos, ops, o Comícios das Diretas Já!

E naquele tempo (1.984/1.985) a cerveja ainda era baratinha. Ir pra rua por uma causa era um delicioso programa de domingo em São Paulo naqueles meados dos Anos 80. A galera curtia de verdade. Imagina em Copacabana…