Deu “tilt” na bunda do país do futebol e do carnaval…

 

Redação Diário | Diário Botucatu

Deu “tilt” nos três poderes da República Federativa do Brasil. Parece que travou. Melhor desligar da tomada e interromper a corrente elétrica. O risco de o sistema explodir, por falta de oxigênio ético, ainda é enorme. O jeito é continuar enxugando o gelo que derrete a cada nova manobra estranha que a sociedade assiste quieta, engolindo a seco, pelo menos por enquanto.

Alguns dos personagens que fazem parte da cúpula da crise política – ou atuam no entorno dela – devem estar imaginando que o Brasil que assiste a tudo deve ser aquele do imaginário preconceituoso: que nos enxerga à distância como uma republiqueta de bananas.

Aqueles que pensam que a base da nossa economia é o turismo sexual, por sermos abençoados com belas mulatas, chacoalhadas com muito samba, que mostram com os movimentos da bunda aquela ginga alegre dos dribles do futebol.

Também devem achar – os líderes atordoados que nos enxergam a partir de Brasília – que convivemos harmoniosamente – pelos rincões do interior do país – com aqueles macaquinhos simpáticos e arteiros pulando os muros e saltando entre as árvores que ficam nas nossas calçadas de terra batida. Sem contar as cobras no quintal, que já nem representam perigo para as nossas crianças. Uma aventura esse Brasil.

É exatamente assim que a sociedade brasileira está sendo tratada por aqueles que decidem com base em que princípios funcionam as nossas principais instituições. A conta desse passeio está sendo cobrada em dólares. Em bilhões de dólares. Vivemos mesmo em um país próspero e desenvolvido, um oásis de primeiro mundo em plena América do Sul.

Os líderes da política brasileira hoje – do alto até embaixo – estão se parecendo é com aquelas máquinas velhas de fliperama. Daquelas bem antigas, ultrapassadas, que eram reformadas, recauchutadas e instaladas em bares e lojas de cidades do interior. Mas isso só acontecia depois que ninguém mais tinha interesse nelas nos bares da moda das grandes cidades.

A “novidade” já chegava até meio pensa, gasta, cheia de ferrugem nas laterais, risco grande de tétano, lembraria uma mãe cuidadosa, se soubesse que o filho convivia com tanta ferrugem. A cara da maioria dos políticos de hoje em dia, mais conhecida como cara de pau. Oco.

Mas não tinha outro jeito: aquelas divertidas maquininhas eram as únicas que estavam disponíveis para os moleques se divertirem, num tempo em que esse negócio de “celular” a gente só ouvia falar quando prestava atenção na aula de biologia, isso se a professora fosse bonitinha, valesse a pena perder uns minutos admirando o sorriso dela.

Na hora em que qualquer uma delas estava sendo instalada, a molecada via logo de cara que era do tipo que dava pra dar “tilt” fácil: bastava encostar o joelho no lugar certo ou dar um soco de leve com o lado de dentro da mão na lateral da coitada. E sem fazer barulho, pra ninguém notar.

Que coisa feia a gente fazia. Coisa errada, com certeza. E às vezes dava pra ganhar até umas fichas extras sem ter que pagar no caixa. Nossa?! Será que isso também é meio parecido com que os políticos de hoje fazem?!

E dá até vergonha de contar como é que eram os nossos videogames de antigamente, mais sem graça que jornal impresso. Hoje pouca gente daria valor para um brinquedo como aquele, onde um risquinho em cada canto da tela fazia a gente pensar que estava jogando uma partida de tênis. Mas essa é outra história. Não tem nada a ver com as bundas do Brasil.

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