Agora só falta Temer anunciar que será candidato à reeleição

Redação Diário | Diário Botucatu
Encrencado com denúncias, o presidente não pode correr o
risco de ficar sem um mandato quando terminar o governo

O presidente Michel Temer faz o que acha que pode. Finge que governa o país. Manda tropas federais para o Rio de Janeiro. 10 mil homens. E anuncia que vão ficar na cidade que contempla o Pão de Açúcar até o final de 2018. O carioca não sabe ainda ao certo se sente mais medo ou encontra certo alívio a partir de agora.

Quem dera toda essa pirotecnia fosse suficiente para devolver a cidade maravilhosa ao controle efetivo das suas instituições. Mas isso só quem pode fazer acontecer é o esforço conjunto de algumas gerações. Num lugar onde milícias, polícias e todas as ramificações estabelecidas do crime organizado possuem intersecções claras, por onde exatamente o exército deveria começar seu combate para restabelecer a lei e a ordem?!

NÃO É UMA GUERRA: É UMA CONSTRUÇÃO.

Melhor seria se os 10.000 homens do exército ocupassem as instituições públicas do Rio de Janeiro para fazê-las funcionar como deveriam: fazer a polícia voltar a ser o lado contrário dos bandidos, a escola voltar a ser a formadora de cidadãos preparados para a vida em sociedade, os hospitais voltarem a ser um lugar onde os enfermos são prioridade, e o transporte público um serviço que tivesse apenas o papel de levar com pontualidade e trazer de volta com segurança as pessoas que pagam por um bilhete.

O PODER LEGISLATIVO FAZ O QUE NÃO PODE

O Congresso Nacional (Senado e Câmara Federal) deixou de legislar, de debater, de buscar maiorias que geram avanços para o pleno funcionamento do país, para se tornar um lugar onde vitórias e derrotas não tem nada a ver com o sentimento de dever cumprido. Não age nem se comporta como a representação máxima da vontade de toda uma sociedade.

É um parlamento que não tem opinião. É um parlamento que não tem independência. É um parlamento que não tem vontade própria. Virou um refém do próprio sistema que criou e ajudou a fortalecer com sua falta de personalidade própria e de responsabilidade histórica com o país. Vai acabar aprovando uma necessária reforma da previdência do jeito que der e uma reforma política do jeito que convier.

MAIS VALE UMA LEI ELEITORAL NA MÃO…

As nossas casas legislativas hoje são apenas o curral onde se aparta o gado que serve ao chefe do poder executivo de plantão; e o cenário onde se consolida, ou não, a viabilidade e o poder de fogo eleitoral dos possíveis presidenciáveis de oposição. No Legislativo, independente do lado em que se está – tudo se decide de acordo com o que é mais conveniente para garantir o resultado desejado na próxima eleição. O resto é serviço, pode ficar pra outra estação.

E O PODER JUDICIÁRIO?!

Bom. O Judiciário, nas suas mais altas cortes, as que no final decidem qualquer parada, é o grande tapetão que completa essa figuração. Enfrenta a pressão constante dos políticos investigados e de seus hábeis, eficientes e sedutores advogados. Mas como tem seus membros nomeados pelo Poder Executivo – e depois aprovados pelo Legislativo – alguém sempre fica devendo um favorzinho pra cobrar lá na frente.

EM 2018, NOVA TROCA DE BASTÃO

A única saída de Temer é pela porta que entrou: a da política. O presidente não pode correr o risco de não ser candidato a nada em outubro do ano que vem e ficar sem mandato depois de 2018. Teria que se defender das denúncias apresentadas pela Procuradoria Geral da República – que a Câmara Federal não permitiu que seguissem em frente enquanto ele for presidente – como um brasileiro comum, depois que passar a faixa presidencial adiante.

Temer não vai correr esse risco. Nem pode. Seu único caminho de salvação é através da própria eleição. Ele terá que ser candidato a alguma coisa: deputado federal por SP garante uma eleição tranquila (mas não dá prestígio a um ex-presidente), senador por um estado como Roraima, por sinal a terra do velho amigo e senador Romero Jucá (PMDB-RR), seria uma boa alternativa: imitando o que o velho José Sarney fez para se proteger, ao se eleger pelo Amapá, depois de deixar a presidência. Ou ser candidato à reeleição. Já pensou?!

 

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