Os prefeitos gestores do interior e da capital

Guto Hilst
A Botucatu de Mário Pardini

O empresário e apresentador de TV João Dória Júnior, em São Paulo (SP) e o engenheiro e ex-superintendente regional da Sabesp Mário Pardini em Botucatu (SP) foram vendidos nas eleições de 2016, para os eleitores das cidades que hoje governam, como produtos com as mesmas características.

Bem distantes da imagem dos políticos tradicionais, tendo como qualidade principal sua capacidade de gestão, foram aos poucos convencendo os principais segmentos da população que hoje representam no poder executivo, que eram mesmo o melhor caminho, a melhor decisão, a melhor escolha.

Foram os vencedores da ideia de que uma cidade não precisa de um prefeito, precisa de um gestor: um executivo tecnicamente preparado para fazer acontecer o que não acontece normalmente quando as cidades são governadas pelos políticos de carteirinha.

São personagens que fizeram parte de uma nova onda. Escolhidos para não parecer políticos, num momento em que a imagem dos tradicionais anda bem arranhada, nessa torre de babel onde todo mundo entende os motivos ocultos que estão por trás do que cada um dos velhos personagens afirma, defende ou propõe.

O prefeito da capital iniciou seu mandato cheio de pirotecnia, todo animado para se mostrar como uma coisa nova: uma espécie de mistura de Donald Trump com o velho Jânio Quadros, que eternizou a vassourinha e depois de renunciar à presidência da República, nos anos 60, ainda encontrou motivação para voltar a ser prefeito de São Paulo (1.985), no final de sua polêmica carreira na política brasileira.

O prefeito de Botucatu é bem mais discreto. Também trabalha até tarde como seu colega tucano da capital, mas prefere manter distância de muitos holofotes. Não tem o carisma fogueteiro do colega paulistano, mas parece mais sincero quando olha no olho das pessoas enquanto escuta e até convence melhor quando abre a boca pra dizer o que pensa.

Empresário, jornalista e publicitário, João Dória na verdade é um homem de negócios. Vive disso há muito tempo. Já foi organizador de eventos empresariais e sociais para o público que consome marcas de luxo e apresentador de programa baba ovo que faz entrevista combinada com patrocinador. Ele também circula faz tempo pelos bastidores da política. E com bastante desenvoltura.

Dória foi Secretário Municipal de Turismo da prefeitura de SP no período em que Mário Covas foi prefeito da cidade (1.983-1.986). Saiu de lá direto para a presidência da Embratur, órgão do governo federal, nomeado pelo então presidente José Sarney (1.986-1.989). E na política brasileira ninguém é nomeado secretário de nada ou presidente de nada se não for alinhado com o grupo que está no comando do poder político.

Agora virou político protagonista, autoridade importante, recebe seus antigos clientes e parceiros de outros tempos da vida, como prefeito da maior capital da América do Sul. É um salto grande, pra quem diz que virou político ontem. Parece até que já veio com alguma experiência anterior, ou treinamento específico para fazer parte da classe.

O prefeito paulistano já aprendeu até a fazer média com outros políticos em troca de uns favores que podem ajudá-lo a ter mais popularidade. Quem fica desconfiado é o eleitor mais atento da capital, achando que seu prefeito pode não passar de mais um farsante e astuto político tradicional, do tipo profissional, igualzinho aos outros que a sociedade combate e quer deixar para trás.

Redação Diário | Diário Botucatu

 

Veja também: