Ministro do STF decide sozinho “devolver” Aécio para o Senado

Redação Diário | Diário Botucatu

Aécio Neves: Situação constrangedora depois dos áudios vazados

 

Aécio Neves e sua declaração oficial:

“Recebo com absoluta serenidade a decisão do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, da mesma forma que acatei de forma resignada e respeitosa a decisão anterior (que o afastou do Senado). Sempre acreditei na Justiça do meu país e seguirei no exercício do mandato que me foi conferido por mais de 7 milhões de mineiros com a seriedade e a determinação que jamais me faltaram em 32 anos de vida pública”

 

Pedro Manhães
Editor DBPRESS

De forma surpreendente, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, decidiu ontem que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) poderá retomar suas atividades e funções, porque o afastamento de um senador é uma prerrogativa do Senado, não do Supremo Tribunal Federal. Isso fere a independência entre os três poderes.

O argumento para arquivar o pedido de prisão preventiva – feito pelo procurador geral da República Rodrigo Janot, foi o de que a decisão respeita a vontade popular (já que Aécio foi eleito pelas urnas) e de que a prisão de um senador da República só poderia ser realizada em caso de flagrante no momento do crime.

E o flagrante não pode ser caracterizado, do ponto de vista jurídico, apenas com base nas gravações envolvendo ele, a irmã Andrea e o empresário Joesley Batista. Aécio não aparece no Senado desde 17 de maio, quando aconteceu a divulgação dos áudios com o empresário Joesley Batista, em que ele negocia para receber R$ 2 milhões do empresário, e aponta para quem deveria ser entregue o dinheiro.

A irmã do senador, Andrea Neves, que também participou da negociação com o dono da JBS, foi presa, mas hoje responde em liberdade. Aécio diz que se tratava de um empréstimo para pagar os advogados que ele precisou contratar para defendê-lo das investigações da Operação Lava Jato. As gravações divulgadas mostram que ele negociou contrapartidas – como a nomeação de aliados – para gerar facilidade para os negócios da JBS.

O presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissatti, disse através de nota oficial que o PSDB  “que recebe com serenidade a decisão e que foram respeitados os 7,5 milhões de votos que  Aécio recebeu dos eleitores de Minas Gerais para conquistar seu mandato no senado e que, com a decisão a bancada tucana no Congresso fica mais reforçada”.

Resta saber se Aécio – que reassumiu suas funções no Senado ontem à tarde, também vai querer retomar sua posição de presidente nacional do PSDB, até a escolha da nova executiva nacional, que pode acontecer em setembro. Ele disputa uma queda de braço com os tucanos paulistas, que desejam um novo presidente para a sigla – que esteja menos desgastado pela Lava Jato – e em condições de unir o partido para as eleições de 2018.

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