INDICADORES E A SENSAÇÃO ECONÔMICA

Reprodução

Algumas notícias favoráveis começam a pipocar pelo noticiário econômico. O desemprego está recuando, a inflação está na casa dos 3% ao ano e o setor imobiliário começa a se recuperar. O FMI (Fundo Monetário Interacional) alterou a projeção de crescimento do PIB (Produto interno Bruto) deste ano de 0,3% para 0,7% e os Bancos Brasileiros para0,8%. O PIB é um dos principais indicadores econômicose representaa soma, em valores monetários, de tudo que o país produz em um ano. Para se gerar renda é preciso produzir, e comoo Brasil teve taxas negativas do crescimento do PIB nos último quatorze trimestres, esta noticia realmente é positiva.

A composição do PIB divide a produção em três setores econômicos: o primário com a agricultura, o secundário com a indústria e o terciário com os serviços, o comércio e a administração pública. Esta divisão dá uma pista sobre os motivosda sensação desigual na melhora da economia. A produção não cresce uniformementenos setores ou mesmo dentro dos setores econômicos.  Enquanto um setor se destaca, como a venda de automóveis, outros podem ter rendimento negativo.O ponto que se coloca é que se tantas coisas estão melhores porque a sensaçãonão é de melhora?

Para começar,o índice de inflação ou de crescimento econômico é uma ponderação. Isto quer dizer que se um bem como a gasolina teve alta de preço de 10% e os alimentos uma queda de 5%, estes dois podem se anular dependendo da importância no cálculo da inflação atribuída a cada um. Outro ponto é que cada um de nós tem a sua inflação particular. Por exemplo, se meu filho estuda em escola particular e as mensalidades aumentam, a minha inflação particular é maior do que a do meu vizinhocujo filho estuda em escola pública. Os índices de inflação procuram registrar a alta generalizada e continua dos preços para determinadas categorias, principalmente pela renda familiar, além disto, há índices que consideram apenas os preços no varejo, outros também no atacado e na construção civil. Ou seja, os resultados se diferem de índice para o outro, não por erro, mas pelo público de interesse do índice, abrangência geográfica ou período de coleta das informações, contudo são metodologicamente corretos.

Além da inflação particular, outros indicadores, como o de crescimento econômico eo de queda no desemprego,erroneamente aparentam estar incorretos. Se reduzirmos o universo de abrangência destes índices para uma cidade, a sensação de erro fica ainda maior. A maioria das cidades não tem como calcular sua inflação, ou apurar corretamente sua taxa de desemprego. O que se pode fazer é analisar os fatos mais relevantes da economia do município, associando-osaos dados disponíveis (por exemplo, por meio do CAGED -Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) para supor uma tendência.  Por exemplo, uma cidade onde produtores de sapatos são grandes empregadorespode estar perdendo mercado interno e externo para o produto chinês. Uma outra cidade,onde um importante empregador produz ônibus urbano, pode encontrar dificuldade paravender seu produto por falta de financiamento adequado. Os grandes empregadores tem um efeito propagador, isto é, influenciamoutros setores, como o comércio, a prestação de serviços e a construção civil, reverberando sua situação econômica em outros segmentos.

A sensação de melhora na economia ainda é pouco sensível e parte de uma base de comparação muito ruim.Estamos muito debilitados. Precisamos melhorar muito para tirarmos a cabeça para fora do buraco e, então, termos uma sensação consistente de melhora na economia.

Paulo André de Oliveira é professor da FATEC-Botucatu