UMA TURMA DA PESADA

Redação Diário | Diário Botucatu
SAINDO DO TOPO DA LISTA – Parecem fora do jogo da sucessão ao Governo de SP: o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), ministro das Relações Exteriores do Governo Temer, o senador José Serra (ex-ministro de Temer) e o suplente de senador José Aníbal. O problema agora está nas mãos do presidente do Diretório Estadual do PSDB, deputado Pedro Tobias (aqui de Bauru, no interior paulista). É ele que vai tentar contornar a queda de braço no duelo de gerações do PSDB paulista.
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Os bons e os maus cabeças brancas do PSDB paulista se conhecem bem. Estão carecas de se enfrentar na vida. Sua relação é baseada na eterna vigilância, nos movimentos de uns e de outros. Os grupos internos se enfrentam desde que se juntaram para sair do velho PMDB (1988). Era a disputa pelos espaços de comando partidário quando o jogo ainda estava zero a zero. E muita gente achava que dava pra começar a construir um partido fazendo tudo do jeito que era considerado direito. Outros não.

Essa é a queda de braço que fez surgirem os Dórias da vida, concessões ideológicas que confundem o eleitorado tucano tradicional – e não fazem link para as novas gerações sobre o que defende esse tal de PSDB.
Talvez esteja na hora de dividir, de separar, de surgir um Partido da Democracia Assistencial Liberal, para abrigar aqueles que defendem prioridades diferentes em sua atuação como agentes políticos.

Chegou o tempo do PSDB pensar – ou repensar – se o que propôs para São Paulo e para o Brasil há 30 anos ainda é o que defende. E se ainda é, traduzir em que estágio está este promissor projeto de partido ideológico que fez uma grande parcela dos paulistas da capital e do interior acreditarem na ideia desde os primeiros momentos.

Na retaguarda da tucanagem no estado de SP hoje existe – muito bem identificada no noticiário político e policial do país – uma pequena turma de cabeças brancas e carecas já meio cambaleantes.

Alguns deles, com 24 anos (1.994-2018) de história no entorno do Parque do Ibirapuera, outras no Palácio dos Bandeirantes, pelo Palácio do Planalto, pela Esplanada dos Ministérios e por aquelas duas torres gêmeas onde se reúnem os 513 deputados federais e os 81 senadores, que são os atores coadjuvantes desse dramalhão sem fim, que provoca reflexão forte em tantos lugares diferentes.

Outros com uma história mais antiga, líderes que fazem parte do núcleo dirigente da política paulista – em todos os níveis de interlocução com a sociedade paulistana, paulista e brasileira – desde 1.982, quando Franco Montoro se elegeu governador de SP, plantando as primeiras sementes dessa escola política que atraiu grandes cabeças ao longo do tempo.

Algumas delas, bem duras. Todo mundo que acompanha o partido de perto sabe disso. E o trato dos velhos líderes sempre foi o de não deixar assembleia votar, fazer acordo antes, pra acomodar seus interesses e manter saudável o relacionamento interno. E o PSDB nunca conseguiu cumprir o que diz seu Estatuto. Virou um partido que não cumpre os mandamentos que são de dentro de casa.

Tenha um bom dia.

Independente se você concorda ou não concorda que a visão de um sociólogo e um cientista político pode oxigenar o debate interno de qualquer partido político.