UM PREFEITO CASSADO: COMO SE FOSSE UM JOGO DE CARTAS MARCADAS.

Redação Diário | Diário Botucatu

Não deve ser fácil estar no meio de uma briga de cachorro grande. E jogando praticamente no campo do adversário. É assim que deve estar se sentindo um jovem de 54 anos chamado Ricardo Salaro Neto, que resolveu aceitar disputar – em 2016 – sua primeira eleição na vida.

E topou de cara ser candidato a prefeito da pequena cidade em que nasceu: São Manuel (SP), uma cidade com quase 150 anos de história (147, pra ser exato). Um lugar com forte tradição política no estado de São Paulo, onde não faltam nomes e sobrenomes importantes – inclusive de projeção estadual e nacional – com origem na política local.

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Os ex-prefeitos de São Manuel Flavio Silva e Milton Monti: uma rivalidade que pode ter nascido bem antes dos dois terem entrado na política: os vitoriosos na cassação de um prefeito que tirou o eleitorado cativo dos dois.

Salaro talvez tenha sido uma das boas novidades das eleições de 2016 na região de Botucatu quando se pensa em renovação no álbum de figurinhas carimbadas da política do interior paulista. Apesar de ter sido uma escolha técnica do marketing político. Um nome novo, com cara de coisa nova. Um executivo, um gestor, um nome sem passado político – nem qualquer tipo de militância partidária – com vontade de encarar um novo desafio na vida.

A verdade é que Salaro acreditou– e a maioria dos eleitores de São Manuel também – que poderia ser um bom prefeito, capaz de fazer a diferença na vida das pessoas que vivem na cidade que tem a melhor empadinha da região.

Além de uma bela e imponente estátua de “Tonico e Tinoco”, bem na rotatória de entrada, onde muita gente que passa de carro pela rodovia Marechal Rondon, para pra tirar uma fotografia.

Salaro tinha todos os atributos que um grupo político que quer conquistar novos mercados faz questão de oferecer para a apreciação de eleitores insatisfeitos com os políticos que tem, segundo as pesquisas de opinião pública, o que parecia ser o caso de São Manuel. E deu certo. Uma vitória incontestável. Uma goleada acachapante sobre os dois grupos políticos tradicionais de São Manuel, um deles com projeção estadual e nacional.

Mas Salaro esqueceu, talvez, que seu nome também representava a chegada oficial ao município de São Manuel, da primeira base fora de casa de um grupo político de Botucatu: o dos irmãos Cury. E se tem uma coisa que político detesta dividir é espaço de poder.

Só faz, se for indispensável fundamental. E parece, que os dois grupos nativos de São Manuel, decidiram que não dá pra dividir por três.

Pela composição da Câmara Municipal de São Manuel, é muito provável que o novo prefeito, Major Rubin, vá dar espaço aos aliados dos dois adversários para poder governar a cidade sem correr o risco de fazerem com ele, o que fizeram com o pobre do Ricardo Salaro. Que vai recorrer, vai se defender, mas já começou na vida pública com um título que jamais imaginou que teria na saída: o de “prefeito cassado”.
Tenha um bom dia.

Independente se você acredita em conspiração, em golpe e em jogada rasteira ou prefere achar que por trás de cada um dos dez votos para cassar o prefeito de São Manuel está apenas o interesse público.

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