Um jornal que cabe dentro do meu bolso; e do seu também.

Redação Diário | Diário Botucatu

Quando eu tinha 12 anos meu sonho era ser jornalista. Não consegui cursar a faculdade de jornalismo porque o modelo de exame vestibular que inventaram no meu país, não media minha aptidão para a profissão que escolhi na adolescência, dava peso demais aos meus parcos conhecimentos de química, física, matemática e geometria.

E talvez até minha nota na redação tenha sido baixa, porque eu tinha – e ainda tenho – uma letra muito feia, difícil de traduzir. Acredito que o responsável pela correção da prova possa ter sido convencido pela preguiça de ler, exigia muito esforço.

Também existe a possibilidade de que tenha dado qualquer nota ou pulado a minha redação por causa da maldita letra. Nunca vou ter certeza. Como hoje sei bem como funcionam as coisas no meu país quando ninguém fiscaliza de perto o trabalho alheio, sempre alimentei dúvidas a esse respeito.

Na minha cidade, no setor de comunicação, hoje se esparrama aos quatro ventos que o meu jornal impresso está quebrado, vai fechar: é só questão de tempo. “O Pedrão quebrou”, é a frase exata que resume o tom com que a história caminha de boca a boca, atrapalhando ainda mais as possibilidades de êxito no nosso trabalho de reestruturação da empresa para buscar sua sustentabilidade e abalando sua imagem junto aos mercados leitor e anunciante.

Realmente é muito difícil manter qualquer operação de jornal impresso diário. Mas essa é a  única que hoje nos gera receita razoavelmente estável, já que os negócios envolvendo a compra de publicidade estão em baixa nos últimos três anos, desde que a Operação Lava Jato começou e provocou insegurança em todos os setores da economia, diminuindo drasticamente os investimentos em comunicação.

Por isso, acordamos todos os dias para trabalhar pelos nossos assinantes pagantes, aqueles que não desistiram da nossa companhia no café da manhã. Aqueles que ficam bravos quando o jornal não chega logo nas primeiras horas da manhã.

Aqueles que não se conformam quando ouvem na rua que o jornal em que acreditam, no qual confiam, que construiu uma história no setor de comunicação desta cidade, poderia estar fechando as portas, largando na mão seus fiéis e habituais assinantes.

 

 

Veja também: