Tucanos paulistas no cenário de hoje, mas pode mudar.

Um movimento tático relevante: PSDB de SP pode dar uma virada e pular uma geração. Um sociólogo e um cientista político se apresentam como candidatos a Governador de São Paulo em 2018 com vontade de discutir política de forma franca e aberta

Redação Diário | Diário Botucatu
Geraldo Alckmin: é o candidato a Presidente da República: a vontade da revanche com Lula é maior do que os riscos

O debate entre um cientista político (Luiz Felipe D’ávilla) e um sociólogo (Floriano Pesaro) pode ser extraordinário para revigorar – e tirar do lugar comum – muitas reflexões e propostas para o desenvolvimento do Estado de São Paulo. Mas alguns dos velhos líderes do PSDB paulista, como sempre, já atuam para não deixar o bom debate acontecer.

Acham que não é hora. Acham que nunca é hora, ao que parece.

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Floriano Pesaro: tinha 20 anos quando o PSDB nasceu. É Secretário do Desenvolvimento Econômico e Social de SP

De repente, a gente começa a ouvir algo novo dentro do Partido que deveria representar o pensamento de uma Social Democracia, uma ideia que foi pensada e discutida para ser capaz de atuar na cultura brasileira com a envergadura necessária para interferir no desenvolvimento econômico e social do país.

Com a chegada de oxigênio novo, o PSDB paulista tem a primeira oportunidade para colocar alguns daqueles seus maduros líderes históricos, no nobre papel de conselheiros eventuais: do tipo que se procura de vez em quando, não o tempo todo.

E toda vez que o encontro acontecer sempre haverá um objetivo claro em mente: medir sob que aspecto o líder da outra geração enxerga um dilema que está na mesa daqueles jovens que acreditaram nessa tal de Social Democracia quando ainda nem tinham título de eleitor.

Talvez seja isso o que representem melhor as duas surpreendentes candidaturas colocadas. Não é um confronto, é uma posição. E posições podem e devem ser discutidas e debatidas em nome da boa política, aquela que agrega valor à vida em sociedade.

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Luis Felipe d’Avilla: não quer ser conhecido apenas como o genro intelectual do empresário Abílio Diniz. Uma voz nova

Ainda é tempo de reeducar alguns promissores personagens desse mundo representado pelo número que usa nove dedos da mão para ser mostrado.

E também implantar uma espécie de curso de recuperação no final de cada ano letivo nessa revigorada Academia chamada 45, que tem mantido a preferência dos paulistas nos últimos 24 anos, tempo demais dizem boas línguas.

Um jornalista também tem o direito de ficar feliz, quando descobre que a política também pode ter notícias capazes de fazer algumas pessoas a mais acreditarem que nem tudo está perdido.

Agora é torcer para que outras correntes de pensamento importantes na política paulista, como os Verdes, os Liberais, os Democratas Cristãos, os Socialistas Democráticos e com toda certeza os nossos Monarquistas e Republicanos Parlamentaristas ou Presidencialistas, para se juntarem a uma conversa que faça o principal estado do país – aquele que é o seu centro econômico, político e científico – também seja iluminado por novas estrelas, enquanto vive o duro exercício de identificar e combater seus dragões.

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E COMO FICA O PLANO B DE JOÃO DÓRIA?!

O surgimento de dois pré-candidatos a governador de SP gerou movimento intenso do PSDB paulista e deixou os aliados de João Dória com a impressão de que vão ser atropelados pelos acontecimentos. Com dois pré-candidatos governador de SP querendo participar de prévias, sua chance de desistir da presidência e receber como prêmio de consolação uma candidatura ao Governo do Estado, ficam bem mais remotas, quase impossíveis.

Acuado nas cordas, se não se render e assumir que decidiu cumprir seu mandato de prefeito até o final, o próximo movimento do prefeito da capital pode ser um gesto duro: o de isolar os aliados do governador e os tucanos independentes que ainda ocupam espaços dentro da prefeitura da capital, sinalizando com mais clareza suas intenções de rompimento.

Ele já assume publicamente ter sido convidado oficialmente pelo PMDB, de Michel Temer.

Se isso acontecer, Dória vai ser abraçado imediatamente por alguns grupos do partido, menos idealistas e mais pragmáticos, que preferem o desenho e a configuração do cenário em que o prefeito paulistano é alçado à presidente da República. Não querem Alckmin.

Devem ter seus motivos fortes para gostar mais do estilo Dória. E vem reforma partidária por aí, pra facilitar o troca-troca de partido de cada pré-temporada eleitoral.

MOVIMENTO PODE ISOLAR O PREFEITO DA CAPITAL

Geraldo Alckmin parece que carimbou mesmo o passaporte. Vai ser candidato a presidente do Brasil. E – dizem línguas com ouvidos próximos – sem qualquer medo de assumir o que é o seu legado no Governo de SP. E agora está exigindo respeito. Falando grosso.

Parece que resolveu liderar. É o que sobrou. É o sucessor natural de Covas, Fernando Henrique e Montoro, líderes que já ficaram na memória, com todos os seus erros, acertos e equívocos.

José Serra deve estar mordendo os dentes, ainda mede forças internamente com o governador por ter articulação maior com alguns dos velhos líderes do PSDB em outros estados. Mas deve acabar aceitando com educação a nova configuração.

Entre os tucanos de São Paulo, Geraldo é praticamente unanimidade. A maioria já entende que ele tem o direito de querer enfrentar Lula de novo, depois daquela derrota amarga de 2006, quando ninguém viu nada e ninguém ouviu nada sobre um negócio que se chamava Mensalão e Lula surfou com folga na onda do “não sabia”.

Geraldo Alckmin quer a revanche, quer fazer a moral da história, depois de ter sido massacrado por Lula nas urnas de 2006, naquela eleição em que foi traído por tucanos graúdos – que acabavam de ser eleitos governador de estado, e que flertaram com Lula durante todos os momentos durante o segundo turno, ajudando a tirar Geraldo do caminho.

Como em Minas Gerais, onde Aécio sempre fez o joguinho duplo conveniente. Até hoje faz. Fez com FHC, fez com Lula, fez com Dilma (quando ela enfrentou Serra, em 2010) e faz agora com Temer, na maior cara dura. E até em São Paulo. Naquela época teve muito aliado de Serra (que se elegeu governador de SP no primeiro turno) que torceu em silêncio por uma vitória de Lula no segundo turno presidencial.

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