OS DONOS DO PODER E O PODER DA MÍDIA

Redação Diário | Diário Botucatu
PARECE QUE NÃO TEM ACORDO!
João Roberto Marinho, com Michel Temer: as estratégias de defesa do presidente da República e de seus aliados não consegue ser mais rápida que o bombardeio diário do departamento de jornalismo do principal grupo de comunicação da América Latina.

No Brasil, boa parte dos donos de concessão de emissoras de rádio e televisão também faz parte da programação do horário eleitoral gratuito (aquele programa chato, que volta e meia passa antes do principal telejornal da televisão brasileira). Como candidatos a deputado, senador, governador e prefeito de muito lugar por aí.

É o tripé dinheiro-comunicação-eleição garantindo mandatos quase eternos para mais de 300 políticos, contando apenas os que aparecem oficialmente como sócios de jornais, revistas, emissoras de rádio e TV. Ficam fora da conta os que mantem empresas de comunicação em nomes de parentes, parceiros estratégicos ou mesmo de laranjas, segundo levantamento divulgado pela Organização Congresso em Foco. E também aqueles que trocam apoio editorial por cheque nominal. Fazem do jornalismo, uma forma de chantagem contra os governos em busca de verbas de publicidade.

Os casos mais conhecidos são os da Família Sarney, no Maranhão, e os da família Collor, em Alagoas. Mas em São Paulo, no Rio de Janeiro em Minas Gerais e na Bahia – e até nos nossos culturalmente mais refinados e educados do Sul do país – tá cheio de político que controla e domina o noticiário que abastece seu mercado eleitoral com informação.

Muitos desses políticos ocupam espaços de poder em seus estados desde que o Brasil foi dividido em capitanias hereditárias (matéria de história do Brasil no ginásio, pra quem lembra o que é isso). São lugares onde o jornalismo local e regional (da maioria das emissoras de rádio e TV, além dos jornais, é claro) adota uma linha mais comunitária e equidistante das questões que envolvem a elite política e econômica do seu raio de alcance.

É o jornalismo que não desagrada ninguém.

Só bate nos políticos de vez em quando, mas normalmente em relação aos serviços públicos que não funcionam bem, pauta das mais fáceis, não exige muita linha de confronto com prefeitos, governadores, ministros e presidentes, que sempre aparecem no final da matéria para dar sua desculpa “esquizofrênica” para explicar porque falta merenda na escola “Y”, porque sobram buracos na estrada “X” ou porque cortaram aquela árvore centenária que estava no caminho da abertura de uma nova avenida, e que foi abraçada pela comunidade por ter valor sentimental.

Raramente, nas nossas mídias regionais, surgem assuntos mais relevantes do que os desse tipo no jornalismo nos meios de comunicação controlados pelos políticos. Afinal são eles mesmos que distribuem as concessões de rádio e TV.

Nada mais natural, portanto, no país onde se confunde o tempo todo público com privado, que tivessem priorizado a própria categoria na distribuição das autorizações para instalação de emissoras nas regiões onde atuam.

Ou adquirido o controle depois, num contrato de gaveta ou qualquer outro tipo de acordo que o valha. Tá cheio de exemplo. Basta fazer uma busca no google.

Tenha um bom dia.

Independente se você valoriza o jornalismo independente ou prefere que essa atividade esteja sempre subordinada ao poder e não questione absolutamente nada, por ser mais conveniente pra quem enxerga o mundo do lado em que você está.