O sonho de viver num país de primeiro mundo perto dos amigos

Onde fica o Brasil do sonho dos jovens de Botucatu (SP). A pergunta que o jovem brasileiro não consegue responder é simples. PORQUE O MEU PAÍS NÃO É ASSIM?!

Redação Diário | Diário Botucatu
Holton (acima) possui apenas 3 mil habitantes, quase a mesma população do Rio Bonito, a agradável e simpática vila de pescadores e rancheiros festeiros, banhada pelo Rio Tietê limpo, que é um dos bons pontos turísticos de Botucatu (SP), com acesso fácil pela região de Piracicaba (SP) e Bauru (SP). Foi lá que um estudante botucatuense viveu durante um tempo uma experiência que vai valer pra vida inteira. Imagine se Vitoriana (abaixo) fosse a capital e a maior cidade do nosso ‘condado de Botucatu’. Foi um lugar do tamanho do nosso simpático Distrito que o estudante de Botucatu foi conhecer de perto.

BOTUCATU (SP) E A ESTRANHA REALIDADE DE UMA CIDADE DE 3 MIL HABITANTES NO KANSAS (EUA)

Jovem de classe média alta de Botucatu, Rafael Pellicci, 24, ficou impressionado com muita coisa que encontrou quando passou uma temporada de intercâmbio em uma pequena cidade do estado do Kansas, nos Estados Unidos, em 2009-2010.

Holton, a cidade em que o recém formado em engenharia mecânica, Rafael diz que viveu sua experiência mais marcante fora do país em que nasceu, tem o equivalente a algo pouco acima de 2% da população de Botucatu (cidade em que reside sua família, com 140.000 habitantes, no interior paulista).

“Minha escola tinha uma infraestrutura que, apesar de ser pública, era absurda. Eu tinha um notebook para mim, para eu levar pra casa e estudar as matérias. Tinha matérias diversas como computação, banda, música, marcenaria, agronomia, veterinária, educação física, academia na escola como aula”, conta o menino que a vida inteira estudou em algumas das boas escolas particulares de Botucatu.

E todo mundo sabe que Botucatu é uma cidade com tradição no Brasil – quando o assunto é alfabetização com educação – desde muito tempo atrás. O tempo em que os nossos colégios das freiras e colégios dos padres começaram a trazer para a cidade meninos e meninas de outros estados do país.

Chegavam para ser educados por nossos Irmãos dos “colégios de padre” e por nossas Irmãs dos “colégios de freira”.
Também tem muita gente esparramada pelo Brasil afora que não esquece do (IECA), o nome do tempo em que o hoje EECA , ainda era chamado de Instituto de Educação. Imagina em quantas cidades do país tinha uma escola pública desse nível?! Bem poucas. Botucatu já era uma grife naquela época.

Grandes histórias que muitos dos nossos jovens de hoje nunca ouviram falar.

Mas Botucatu já foi muito famosa nesse quesito no país inteiro. É a cidade que educou muita gente. A gente recebe estudante que vem de fora, desde muito antigamente. Virar cidade universitária foi apenas uma consequência, resultado do bom trabalho dos nossos professores de antigamente.

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Alguns anos depois de viver a experiância de morar em outro país, Rafael Pellicci se formou em Engenharia Mecânica no Instituto Mauá de Tecnologia.
Na foto acima, com os pais e os irmãos na festa de formatura.

Sabe qual é a distância entre Botucatu e Holton (EUA)?

8504 km separam Botucatu (no Brasil) de Holton (nos EUA). São 10h32 de voo até Kansas City, a mais importante cidade do Kansas, e depois mais 2h de viagem até a capital do Condado de Jackson.

É longe pra caramba… Mas vale a pena conhecer, garante Rafael Pellicci, um botucatuense gente boa que já viveu lá por um tempo. E gostou muito daquele lugar. Fez até “alguns” amigos por lá. E sentiu muita falta dos “muitos” que deixou aqui. A saudade foi grande. Mas ele voltou feliz, e pronto pra ajudar a fazer aqui, com a família e os amigos na sua cidade, o seu mundo melhor. Ele o primeiro personagem da série: “PORQUE O MEU PAÍS NÃO É ASSIM!”, do dbpocketpress, que vai ouvir brasileiros comuns, sobre o que pensam vendo o Brasil daqui. Sempre na Edição de Sábado. Sempre alguém que você conhece, falando de coisas que conheceu na vida.

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Uma tradicional escola pública de Botucatu (SP), a Escola Estadual Cardoso de Almeida
(EECA) e a tradicional escola pública Holton High School: os desafios da Educação são
bem parecidos em qualquer lugar do mundo. O preço de um produto comprado nos EUA
e o preço pago em reais, quando adquirido no comércio brasileiro. O povo daqui e o povo
de lá também vivem momentos de forte debate sobre temas que dividem a sociedade.

A VERDADE NUA E CRUA: UMA SIMPLES ESCOLA PÚBLICA

“Uma estrutura absurda!”, exclama Rafael para tentar explicar para os produtores do DBpocketpress o tamanho do seu espanto quando sentiu de perto o que é ser aluno de escola pública num canto qualquer do que se chama de mundo civilizado neste planeta efervescente, a beira de uma guerra entre “ruivos poderosos” e “carinhas de emoji” imprevisíveis.

Ele também sentiu de perto, o que é viver em um país que é:, uma “grande pátria em guerra”. O tempo todo. E os valores convenientes e inconvenientes que isso causa nos valores daquela sociedade, se refletem com certeza de forma intensa também nas pequenas comunidades.

Rafael descobriu que a escola também pode ser uma fonte de conhecimentos mais amplos, uma semente eficiente para a construção de hábitos que qualquer criança ou adolescente pode aprender, exercitar e valorizar como parte da preparação para os nem sempre previsíveis caminhos da nossa existência.

Essa é a parte boa da história dele. Mas é claro que a escola de lá também devia ter seus problemas, para um adolescente brasileiro de 1 metro e 95 centímetros de altura. E que gostava de esporte. Foi jogar futebol americano com os rapazes do interior do Kansas. Um jogo bruto. E nesse futebol de trombadas com bola abraçada no peito, os caras é que conhecem todas as manhas e estratégias. O Neymar Júnior deles é bem diferente do nosso.

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O Condado de Jackson é um dos 105 condados do Estado americano de Kansas. A sede do condado é Holton, e sua maior cidade é Holton. O condado possui uma área de 1 704 km² (dos quais 6 km² estão cobertos por água), uma população de 12 657 habitantes, e uma densidade populacional de 7 hab/km² (segundo o censo nacional de 2000). O condado foi fundado em 11 de fevereiro de 1859.

O QUE RAFAEL DESCOBRIU LÁ.

1 – OS BANCOS ESCOLARES FAZENDO MAIS QUE ALFABETIZAR

– Uma escola pública eficiente, inserida no mundo digital, conectada com o universo, ensinando conhecimentos e treinando habilidades úteis para a vida prática em sociedade. Uma escola pública que possibilita grandes descobertas e faz surgir líderes com talentos. Complementando, de verdade, o papel da família. Quem dera, no país de Rafael, todas as escolas públicas tivessem a qualidade padrão de vilarejo, daquela que ele conheceu em Holton. Já pensou o padrão que teria a escola de Rubião Júnior, a de César Neto e a de Vitoriana?! O posto de saúde então, nem se fala. E aquele campinho de futebol… que beleza de manutenção. Grandes Domingos nos nossos Vilarejos. O pessoal aqui da cidade grande já gostou mais de frequentar. Parece que esqueceu como era bom antigamente.

2 – UMA SOCIEDADE QUE TAMBÉM VIVE SEUS DILEMAS ATUAIS

– Um modelo que não é perfeito: tem suas distorções, evidentemente. A sociedade americana também discute educação, saúde, faz debate e passeata mostrando suas contraditórias opiniões sobre a guerra, sobre os direitos humanos. E até sobre um tema atual no Brasil, que está sendo analisado neste momento pelo Supremo Tribunal Federal: a separação entre os dogmas das Igrejas e as Leis dos Estados Democráticos. Um assunto difícil por lá hoje em dia. E também por aqui.

3 – O ENTUSIASMADO EMPENHO DAS PESSOAS NAS BOAS CAUSAS DA COMUNIDADE

– As famílias de Holton incentivam e motivam todos a participarem das boas causas daquela pequena comunidade. Cada pessoa com seu talento. Cada pessoa com seu tempo. Cada pessoa com a sua disposição em colaborar. Os adultos e as crianças. Com os jovens fazendo a farra de sempre no meio. De vez em quando dá umas brigas, mas depois todo mundo se entende. Tem sempre um policial amigo em qualquer canto da pequena cidade. E a comunidade é responsável e organizada. Assume o seu destino e dá um jeito de fazer as coisas acontecerem…

4 – QUANDO O DINHEIRO VALE MAIS, VOCÊ PAGA MUITO MENOS

– Quando fez a conversão de suas compras em “dólares” – para os nossos “reais” – Rafael descobriu o valor de uma moeda forte e também o absurdo que os impostos pesam nos produtos adquiridos no Brasil.. Ele notou que os produtos eletrônicos e outros bens de consumo de interesse de qualquer jovem da sua geração custam nos EUA um terço do preço que o consumidor paga no Brasil. Vale para o videogame para o celular. E também para o fogão e para a geladeira. E com um imposto justo. Que todo mundo faz questão de pagar porque sabe onde estão sendo aplicados os recursos.

“A experiência de morar nos EUA foi ímpar. Morei numa casa de família, tinha uma irma mais velha, um irmão mais novo, e dois pais. Participei das atividades familiares: lavava roupa, tirava neve da garagem, saia pra acampar com eles. A divergência de cultura é muito interessante. Te agrega muito na língua, óbvio, mas também crescimento pessoal, eu era muito dependente , não lavava roupa, arrumava cozinha, nem nada.. lá eu aprendi a me virar.”

“As pessoas lá são amigáveis, mas não são amigos. Não tinha isso de “vamos sair depois da escola?” Lá eu tinha um “irmão” ele sim era meu amigo, fazíamos tudo juntos. Lá não funciona assim, não tem amigo do amigo. Essa que é a diferença.

Rafael Pellicci

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Depois da temporada nos EUA, o encontro de Rafael com os amigos de Botucatu: com muita história boa pra contar.

O OUTRO LADO

Rafael também descobriu, que bom mesmo é ter por perto a vida inteira os bons e velhos amigos que a gente conheceu na infância. As pessoas de lá foram amigáveis com ele, ele sentiu que o trataram bem, com toda a consideração que um jovem intercambista merece, quando está longe da família e do país em que nasceu vivendo uma nova experiência na vida. Não tem do que se queixar, nem mágoas para guardar. Só boas lembranças, que o fizeram até enxergar como podem ser simples algumas das soluções para a sua cidade e para o seu país.

Tenha um bom dia.

Independente se as coisas que o Rafael viveu podem acrescentar ou não alguma coisa no que você já pensava a respeito da vida.

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