O primeiro tapa pode ser apenas o começo de tudo

A violência doméstica, no seio da família, aquela que ocorre quando a vítima se encontra sozinha diante de seu agressor, sem testemunhas, é a mais covarde de todas

Redação Diário | Diário Botucatu
Maria da Penha (sentada) e a professora Mara Corrêa durante palestra em Botucatu (2008)

A METADE DAS MULHERES AINDA SOFRE EM SILÊNCIO

Os dados disponíveis mostram que uma em cada três mulheres brasileiras sofreu algum tipo de violência por parte de machos agressores nos últimos doze meses. Em 61% dos casos, o agressor é um conhecido, em 19% dos casos o marido ou namorado e, em 16% das ocorrências, o excompanheiro. Metade dessas mulheres nunca denunciou as agressões, escondendo até da própria família. Por pura vergonha.

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Os abusos sofridos podem ser físicos, psicológicos, morais e patrimoniais. Bater, humilhar, agredir verbalmente e entregar, como regra, o salário inteiro na mão do companheiro – para que ele decida como utilizar uma renda que não trabalhou para conquistar – são os tipos mais comuns de crimes cometidos que são previstos na lei que leva o nome de Maria.

UMA LEI QUE TAMBÉM PROTEGE OS HOMENS…

Se para as mulheres é constrangedor admitir o que sofrem dentro de quatro paredes, para os homens não é muito diferente. Embora os casos investigados contra homens sejam absoluta minoria, eles também ocorrem. Os casos mais comuns de mulheres contra homens são caracterizados pela coação psicológica, o estelionato (casamentos por interesse), arremesso de objetos e facadas. As mulheres também podem ser arrastadas para os tribunais por suas vítimas, nos casos previstos na lei.

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Maria da Penha Maia Fernandes é uma enfermeira cearense que nasceu em 1.945. Este ano ela completa 72 anos de idade.

Em 1.983 seu marido, o professor colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, tentou covardemente matá-la duas vezes. Na primeira, atirou simulando um assalto. Ela ficou quatro meses entre a vida e a morte, passou por várias cirurgias.

Quando voltou pra casa, o marido tentou eletrocutá- la. Por conta das agressões sofridas, Maria da Penha ficou paraplégica. Em 2002, seu agressor foi condenado a oito anos de prisão. Ficou preso por apenas dois anos. Está livre desde 2004.

O caso chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e foi considerado, pela primeira vez na história, um caso de violência doméstica: a mais covarde que uma mulher pode sofrer. Maria da Penha hoje tem 71 anos e continua atuando por sua causa em movimentos de defesa dos direitos das mulheres.

Seu exemplo é uma demonstração clara de que o silêncio é a principal causa da violência contra a mulher. Sua história deve servir de exemplo para as mulheres que ainda sofrem caladas esse tipo de abuso em pleno século 21.

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