O grampeador geral e os ladrões de Ali Babá

Redação Diário | Diário Botucatu
A Polícia Federal invadiu ontem (5) pela manhã um apartamento que teria sido emprestado pelo ex-deputado, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), e ex-assessor do gabinete do presidente Michel Temer. As gordas malas e caixas de papelão cheias de dinheiro falam por sí. A Caixa Econômica Federal pode ser a origem do dinheiro desviado.

A abordagem jornalística da crise é sempre baseada nas evidências, naquilo que deixa claro quem está com quem no jogo de forças que implode a política nacional. A formação da opinião pública também. A exceção à regra acontece no momento em que gravações em áudio e vídeo são mostradas de forma explícita. Nessa hora os fatos cortam caminho.

A mesa cheia de dinheiro da campanha de Roseana Sarney na pré-campanha presidencial de 2002, o dinheiro na cueca do irmão de José Genoíno (PT-SP), as cenas do assessor paranaense de Temer saltitante e excitado andando apressado pelas calçadas da Vila Madalena entregue pelo executivo principal da Odebrecht e a entrega de dinheiro para uma fila de políticos do Mato Grosso pelo gabinete do ex-governador Silval Barbosa (PMDB-MT) são algumas das cenas que frequentam o imaginário dos brasileiros.

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A montanha de dinheiro na mesa de Roseana Sarney, a mala de dinheiro de Rodrigo Loures, o assessor de Temer, e o dinheiro na cueca do assessor do líder do PT na Câmara Federal José Guimarães: os flagras não deixam dúvida

Se as imagens são fortes, os áudios parecem ter um impacto maior quando divulgados. Aqueles que mostraram conversas rasgadas de Lula esperneando contra tudo e contra todos. Os diálogos claros – e a intimidade latente – das conversas não republicanas entre Joesley Batista, Michel Temer e Aécio Neves e outras dezenas, envolvendo senadores, ministros, governadores, deputados, prefeitos e vereadores, com seus nem sempre alertas parceiros estratégicos na tramitação de dinheiro público.

Mostram que é procedimento natural, para a maioria dos agentes políticos, ter acesso a tanto dinheiro vivo não contabilizado disponível para buscar e para pagar compromissos com seus parceiros político-eleitorais que fazem parte da cadeia alimentar. Tanta facilidade torna justo concluir que também o façam com naturalidade em proveito pessoal, patrimonial e familiar.

É isto – a cara de pau que os áudios e os vídeos escancaram – que do ponto de vista jornalístico constrói uma evidência nítida, mesmo antes do surgimento das provas claras sempre necessárias – que mostram os desdobramentos posteriores do que se ouviu e viu – quando o assunto é discutido na seara jurídica. A Imprensa está sempre na frente.

E se Joesley sabia exatamente quem cairia na rede que armou para tornar bombástico e incontestável seu acordo de delação – porque comprou o passe de um dos procuradores assistentes de Janot e levou para o seu time – isso mostra apenas uma coisa relevante, do ponto de vista jornalístico: Joesley se armou até os dentes para derrubar Temer. E Temer vai ultrapassar qualquer limite para derrubar Joesley.

É briga de diretoria, coisa de alto escalão. Em qualquer organização. Inclusive nas criminosas.

Temer encarando Joesley: melhor dar razão para os 2.

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