O Corinthians e a Lava Jato

O Corinthians foi o primeiro clube a cair na rede da lógica política. Ou será que foi o último?!

Redação Diário | Diário Botucatu
Itaquerão (o estádio que Lula sonhou junto com a nação corinthiana e muita gente meteu os pés pelas mãos.): seus gramados são representantes legítimos da simbiose entre cartolas de clubes grandes e o poder político de São Paulo e do Brasil

Na década de 80, muitos cartolas-dirigentes da federação e dos clubes de futebol do Rio de Janeiro já estavam na lama. Eram os filhotes da CBF e da Fifa do João Havelange, que começavam a mandar nos negócios do futebol, sempre repleto de favores.

O maior deles, o eterno presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, o personagem mais intrigante dessa ligação entre a política partidária e o futebol que convivem em harmonia com as belas praias do Rio de Janeiro.

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O Morumbi (a obra durou de 1.952 até 1.970 e teve o ex-governador Laudo Natel como padrinho na hora que precisou

A elite política e social que emergiu no Rio depois que a capital deixou de ser do Brasil inteiro – e deu aquela peneirada geral no seu jogo de forças municipal. Surgiram líderes com uma nova roupagem em todos os setores.

Aqui em São Paulo, o Corinthians nessa época era dirigido por personagens como Vicente Matheus e Wadi Helu (por mais de 30 anos o deputado estadual corintiano), bastante conhecido e reconhecido nas pequenas cidades do interior onde sempre teve relacionamento político intenso, como é o caso de Botucatu.

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O velho Matheus, com sua Marlene: Corinthians até morrer

Era o time da zona leste, aquilo que a elite besta chama de bairro pobre, não tinha a mesma articulação com o poder que os times da zona sul (Morumbi), Zona Oeste (Parque Antártica) ou até mesmo da Portuguesa (Canindé) e do Juventus (o time da Mooca, o mais central dos bairros antigos da capital a ter um clube de futebol ciscando sempre na primeira divisão).

Foi quando surgiu a alma da Democracia Corinthiana, aproveitando-se das limitações e da ausência de posição política definida do clube em relação ao momento. Vicente Matheus deu espaço pra Democracia Corinthiana crescer. Depois que ela virou partido político dentro do clube, virou adversário magoado. Talvez tivesse razão.

Não podem existir corinthianos do PT e corinthianos do PSDB?!

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Lula, com Marlene Matheus

Porque é que precisa existir um partido infiltrado dentro de um clube. E quem fincou as raízes naquele Corinthians dos Anos 80 foram o PMDB e o Partido dos Trabalhadores, tendo o diretor de futebol e sociólogo Adilson Monteiro Alves (PMDB), o lateral Wladimir e o próprio Sócrates (PT), como suas primeiras referências político-partidárias entre os corinthianos.
Adilson foi deputado estadual muito ligado aos governadores Quércia e Fleury, de quem chegou a ser Secretário de Estado da Cultura.

Wladimir chegou a ser vereador na capital, depois foi ser administrador do estádio do Pacaembu, deixando de disputar eleições.

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Lula dando uma voltinha no Rio, com o cartola político flamenguista Márcio Braga.

Lula é a Democracia Corinthiana no Poder. Com todos os seus sucessores naturais como Andrés Sanches & companhia bela.

Mas voltando a Vicente Matheus e Wadih Helu. O maior defeito deles – diriam meus velhos amigos da faculdade – era o de ser meio Janista meio Malufista, conservadores demais no meio daquela efervescente campanha das Diretas, onde o que valia para a multidão era quem era a favor (aplausos) e quem era contra (vaias).

Mas ambos foram políticos – um com mandato de deputado outro com mandato de presidente do clube com a maior torcida do Brasil – que morreram sem grandes sinais exteriores de riqueza. O clube do parque São Jorge era a grande paixão.

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Os jogadores Sócrates e Casagrande, o então sociólogo Fernando Henrique Cardoso e o locutor esportivo Osmar Santos: comício por Diretas Já no Vale do Anhangabau (1.985)

A política apenas uma extensão da vida de dirigente de clube grande, uma ligação onde sempre rolaram uns favorzinhos de um lado e do outro, é claro, mas que não beiravam ao que já acontecia em alguns dos grandes clubes paulistas e cariocas da época, lugares onde a faxina moral já demonstrava ser produto de primeira necessidade.

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Wadih Helu: ele é do tempo em que ser deputado corintiano servia pra ter uma conversa leve nas conversas pelo interior

Quem possui RG avançado guarda na mente as histórias da construção do Morumbi, naquele tempo em que o são-paulino Laudo Natel era governador de São Paulo, indicado pela Ditadura Militar, mas continuava fazendo política dentro do clube.

O São Paulo também construiu estádio com a ajuda forte do poder político, quando seu torcedor e conselheiro Laudo Natel morava no Palácio dos Bandeirantes, que fica em uma das ruas laterais do estádio.

A mesma farra do boi com dinheiro público, como muitas dessas que a gente vê hoje em dia, mas num tempo em que a Imprensa ainda tinha censura. Deve ter muita mansão em volta do estádio que saiu de “ajustes” daquela obra.

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Adilson Monteiro Alves e o técnico Travaglini,:a curva corintiana rumo ao PMDB de Quércia, Fleury e Temer

Histórias que correm até hoje nos corredores dos bastidores do disque-disque do futebol. E tem muito dirigente do São Paulo tendo que explicar o que fez de torto e quem fez de tonto nos negócios envolvendo o clube, assim como muitos do Palmeiras, do Santos e também muito clube espalhado pelo interior paulista: a grande maioria com história umbilical com a política local dos gramados caipiras.

Time que já nasce fazendo parte de um projeto político. Imagina a contabilidade como é que é?!
O Corinthians é maior do que suas relações com a Odebrechet e com a alma de torcedor do ex-presidente Lula. Não vai ficar marcado nunca como o time campeão da Lava Jato. É bem maior.

Tenha um bom dia.