MALA DIRETA

Este slideshow necessita de JavaScript.

TEMER: O SANTO DO PAU OCO I

Isso aconteceu ontem, quarta-feira (24). O ex-deputado federal Sandro Mabel (PMDB-GO) foi o quarto Assessor Especial de Michel Temer a ter que deixar o terceiro andar do Palácio do Planalto para se defender de acusações de ter recebido propina da Odebrecht. Ontem ele pediu pra sair. Talvez não queira estar no centro dos holofotes quando chegarem as viaturas da Polícia Federal. Deve estar ouvindo as sirenes de longe…

 

TEMER: O SANTO DO PAU OCO II

Isso aconteceu anteontem, terça-feira (23). O ex-vice-governador do distrito Federal, Tadeu Filippelli (PMDB-DF), foi o terceiro Assessor Especial de Michel Temer a ter que deixar o terceiro andar do Palácio do Planalto, por ter sido preso pela Operação Panatenaico, da Polícia Federal, que também prendeu os ex-governadores do Distrito Federal (DF) Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR). Eles são acusados de receber propina

 

TEMER: O SANTO DO PAU OCO III

Isso aconteceu na segunda-feira (22). O suplente de deputado federal Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR), aquele que devolveu a mala de R$ 500 mil faltando R$ 35 mil, também não apareceu mais para despachar com políticos no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde continuava atuando como Assessor Especial Informal, mesmo depois que deixou o cargo para assumir uma cadeira na Câmara Federal, na vaga que era do deputado Osmar Serraglio, que foi nomeado Ministro da Justiça.

TEMER: O SANTO DO PAU OCO IV

Em dezembro do ano passado, o advogado José Yunes, amigo de Temer há mais de 40 anos, e Assessor Especial de Temer no terceiro andar do Palácio do Planalto, também pediu pra sair após admitir ter recebido R$ 1 milhão repassados pelo doleiro Lúcio Funaro, que de acordo com a versão de Yunes, seriam para ser entregues ao Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que negou que o dinheiro fosse para ele.

SERÁ QUE SOBROU UM?

Dos cinco Assessores Especiais de Temer, só sobrou um, o advogado Gastão Toledo, que até agora não foi incomodado pelas operações jurídico-policiais que chacoalham os bastidores do poder a cada nova manhã chuvosa ou ensolarada. Lá em Brasília deve estar todo mundo olhando pra ele com aquele ar de apreensão: “só falta você”.

DESVIO DE FINALIDADE

Os cargos de Assessor Especial foram criados com justificativa de zelar pelos “assuntos estratégicos” do presidente da República. Pelo visto, os assuntos estratégicos do presidente Michel Temer tem tudo a ver com as empreiteiras envolvidas na Lava Jato, com os bifinhos da Friboi e com a generosidade do BNDES na liberação de recursos a perder de vista para as corporações que sustentam o nosso apodrecido sistema político.

FINALIDADE PRÁTICA

Além, é claro, de garantir, com liberação de verbas, cargos e espaços de poder nas empresas estatais, a maioria dos deputados e senadores alinhados com os interesses – quase sempre não republicanos – do governo de plantão. Aos Assessores Especiais do Presidente, pelo visto também cabe o gerenciamento do balcão de negócios, que gera incentivos fiscais e medidas provisórias de interesse das grandes corporações, aquelas que conversam a qualquer hora do dia ou da noite com quem manda no Estado brasileiro.

FORA DO TERCEIRO ANDAR

Se a situação de Michel Temer (PMDB) dentro do terceiro andar, ao lado do gabinete presidencial, não é das mais confortáveis, o mesmo a gente pode dizer da esplanada dos ministérios, onde 15, dos 28 ministros do atual governo, estão enrolados até o pescoço em investigações e inquéritos envolvendo casos de corrupção. Número praticamente idêntico aos dos governos Lula e Dilma.

O DEDO E O NARIZ

Temer parece que gosta de escolher a dedo seus auxiliares diretos. E usa o dedo podre. Por isso merece cair. Um Presidente não pode nomear seus assessores e ministros com um dedo assim. Um dedo que parece ter as mesmas digitais da eterna ignorância de Lula – que só diz que não sabia de nada – e do nariz de Aécio, que não para de crescer.

LEMBRAR NÃO OFENDE!

Aliás, até outro dia PT e PMDB eram praticamente uma coisa só. E Michel era presidente nacional do PMDB durante o governo Lula (2003-2010), antes de se eleger vice-presidente em 2010 na chapa encabeçada por Dilma Roussef, que foi reeleita mantendo Michel como vice, até o dia em que ele virou presidente. E se foi golpe, não foi de mestre. Foi golpe de cúmplice.

DESCONFIAR NÃO OFENDE!

Hoje, no noticiário, até parece que as cúpulas dos principais partidos brasileiros estão em lados opostos. Mas nem tudo que parece é. Nos bastidores de Brasília o que se costura é um grande acordo para frear as investigações e dar um ar de normalidade ao Brasil, envolvendo as alas majoritárias do PT, PSDB, PMDB e seus aliados. Ou seja, mais de 70% do Congresso Nacional. As mobilizações de protesto contra Temer são apenas uma forma de marcar posição, antes de sentar pra fechar o acordo. Quem viver verá!

PERGUNTAR NÃO OFENDE!

Pensa bem antes de responder, por favor. Dar a este depenado Congresso Nacional o direito de escolher um presidente de forma indireta assim que Temer tombar de vez é uma grande sacanagem?! Sim ou Não?

IMAGINAR NÃO OFENDE!

A outra saída é antecipar eleições diretas e devolver a responsabilidade para o culpado: o eleitor brasileiro. Mas os políticos de Brasília não tem coragem. E não é medo do Lula, medo do Dória ou medo do Bolsonaro. É medo do povo. Um medo medonho. No fundo eles sabem que o povo não vai perdoar isso tudo.

Veja também: