A Lava Jato e seus reflexos na política paulista

Redação Diário | Diário Botucatu
Esqueça o sorriso da selfie protocolar: as relações entre o prefeito da capital e o governador de SP já azedaram de vez. O sonho presidencial de Dória ficou maior que o apoio que possui dentro do PSDB para viabilizar sua candidatura. É praticamente liquido e certo que os dois vão estar de lados opostos nas eleições de 2018. Enquanto Alckmin aguarda desdobramentos dentro do seu governo, Dória passeia pelo Brasil em campanha

Os 70 deputados federais paulistas, do interior, da capital e do ‘abecedário’ no seu entorno, participaram de tudo o que aconteceu no Brasil desde 2014 – demonstrando com clareza de que lado atua cada um – nessa fornalha de biografias chamada Operação Lava Jato.

O conjunto de representantes paulistas na Câmara Federal hoje é composto, em sua esmagadora maioria, por políticos vinculados ou aliados aos que estão sendo investigados na linha de frente da escandalosa nudez das estruturas partidárias nacionais.

Do ponto de vista do resultado prático, a Lava Jato destruiu e deixou em frangalhos o PT paulista, que teve praticamente todos os seus históricos fundadores que viveram próximos da cúpula do Governo Lula, a caminho do xadrez. E levou junto algumas das figuras mais importantes entre os partidos aliados de Lula e de Dilma.

As investigações também mostraram a face paulista do PMDB encarnada por Michel Temer, que faz parte da outra quadrilha de dimensão nacional denunciada pelo ministério público, com seus Jucás, Renans, Sarneys, Eunícios, Barbalhos, Geddels, Moreiras e Cunhas fazendo fila nos corredores do Judiciário, com seu saco de maldades, que todo mundo sabia que existia, mas ninguém tinha coragem de abrir.

Para o PT, a delação de Antonio Palocci é apenas mais um capítulo nessa volta ao passado, onde tudo o que combina anda meio ‘junto e misturado’ desde que essa geração de políticos se amontoou no palanque das Diretas (1.984) e passou a dialogar dentro de um ambiente democrático promissor para propor boas políticas públicas e, ao mesmo tempo, realizar acordos privados mais incríveis ainda nos bastidores.

A lista de nomes petistas com esse perfil que atua na política paulista é enorme. Começa com o recordista de condenações José Dirceu, o mentor intelectual e operacional do projeto petista, passando por José Genoíno (que foi presidente nacional), Aloizio Mercadante (ex-senador e ex-candidato a governador de SP), José Mentor e Vaccarezza (líderes do governo) e João Paulo Cunha (que foi presidente da Câmara Federal), Ricardo Berzoini e José Eduardo Cardozo (ministros de Lula e Dilma), Professor Luizinho, Cândido Vaccarezza, e outros, que foram com mais ou menos sede ao pote, ou simplesmente fecharam os olhos para o forte esquema de corrupção que sustentava o projeto de poder arquitetado minuciosamente.

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