A justiça vai mesmo soltar a mulher que foi capaz de matar uma menina de 5 anos?!

Redação Diário | Diário Botucatu

A menina Isabela Nardoni foi empurrada pela janela do sexto andar. Poucos serão aqueles com olhar solidário para a madrasta, que não é – mas poderia ser, quisesse o destino, irmã, prima, filha, neta ou vizinha que mora no mesmo prédio ou na mesma rua de qualquer um de nós.

O problema é que Ana Carolina Jatobá fez na vida uma maldade imperdoável: participou de um crime no qual uma menina de cinco anos foi atirada ao chão da sacada do apartamento de um prédio comum, como muitos desses onde vivem famílias de classe média com os mesmos problemas, os mesmos dilemas e os mesmos desafios para conseguir se adaptar a um novo tipo de família, ainda repleto de desafios para se reconhecer como tal.

Nesse novo modelo, filhos de uns, precisam do carinho, da atenção e dos cuidados de outros seres humanos, que mesmo não sendo consanguíneos, são parte integrante daquilo que reconhecemos como família.

Nestes tempos de diversidade de hábitos, doutrinas e preferências de estilo de vida ou conforto emocional, no que diz respeito à opção sexual, o conceito de casamento, o conceito de família e o conceito de lar, também precisam começar a ser ampliados, abrindo mentes e corações para uma experiência nova em termos de percepção cultural e social.

O caso que ligou para sempre as histórias de duas pessoas que se cruzaram dentro de uma história mal construída e mal acabada, é mais um daqueles onde: pessoas aparentemente “normais” no cotidiano da comunidade causam danos impensáveis em um momento de extrema pressão, desespero e fúria.

O dano talvez nunca seja perdoado nem esquecido. E nem precisa. Mas talvez possamos ser mais generosos como sociedade com a Ana Carolina culpada. Até porque o que convencionamos chamar de Justiça, na prática, já aconteceu.

Se existem brechas na lei que possibilitam a progressão de pena, é justo que todos os que se enquadrarem nas condições – para receber o benefício – possam ser comtemplados com a mesma celeridade para uma adequada reinserção à vida em sociedade.

A progressão da pena é um instrumento legal que possibilite ao ex-recluso, um direito conquistado através de sua boa conduta no sistema penitenciário: o de poder usufruir de uma nova etapa de sua pena e continuar a trilhar seu caminho para ter de volta a liberdade.

É um direito de todos, ao contrário das distorções que vemos na maioria dos casos. Quem tem dinheiro ou prestígio consegue mais rápido – pela repercussão do caso na mídia, que ajuda a consolidar o nome de quem se dispõe a abraçar a causa em troca dos ganhos de publicidade gratuita – ter o suporte de bons escritórios de advocacia.

Quem comete crimes que não aparecem durante meses na mídia como se fossem novelas da vida real, fica dependendo da Justiça da fila, da lembrança ou da luta de algum parente ou amigo, para conseguir fazer o processo andar em velocidade dez vezes menor. Afinal de contas, ninguém patrocina uma causa esquecida no anonimato.

E nem paga conta de advogado que presta, apenas por ter um direito que pode ser alcançado por ser justo, de acordo com a lei, aquela que deveria garantir que todos nós somos mesmo iguais perante suas letras. Ou pelo menos deveria.

Vale até para quem tirou a vida de uma menina linda chamada Isabela Nardoni, num dos casos mais chocantes e de maior repercussão – e de maior solidariedade e dor – que já acompanhamos em rede nacional no horário nobre.

Gente normal. Como a gente pensa que é.

E como a gente pensa que a nossa família é, apesar dos conflitos internos que vivemos em todas elas: aqueles pequenos problemas de relacionamento que talvez nem sejam muito diferentes da família da Isabela, ou da Carolina. Não é mesmo?!

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