DB Especial – Documento Histórico: E a Capela de Nossa Senhora das Dores de Cima da Serra de Santo Ignacio ?

Redação Diário | Diário Botucatu
Autor – Paulo Pinheiro Machado Ciaccia

Primeiramente, quero agradecer aos Historiadores Celso Prado e sua esposa Junko Sato Prado, de Santa Cruz do Rio Pardo; Gesiel Theodoro da Silva Júnior, de Avaré, Antigamente Nossa Senhora das Dores do Rio Novo; Hemâni Donato, João Carlos Figueiroa, Olavo Pinheiro Godoy e Trajano Carlos de Figueiredo Pupo, de Botucatu, pelo material por anos pesquisado e publicado sobre a História de Botucatu e Região.

Sumário

No livro “As Primeiras Fazendas da Região de Botucatu”, autores Trajano Carlos de Figueiredo Pupo e Paulo Pinheiro Machado Ciaccia, editado em 2005, e disponibilizado no site www.historiadebotucatu.com.br , o Apêndice I apresenta um estudo sobre a “Capela de Nossa Senhora das Dores de Cima da Serra de Santo Ignacio”. Segundo o Historiador João Carlos Figueiroa, em seu artigo sobre Igrejas Católicas e Protestantes, na “Gazeta de Botucatu” de 09/04/2004, “esse é um dos maiores mistérios da História de Botucatu, e dessa Capela não se encontrou, até agora, nenhum documento que possa garantir a sua existência”.
Recentemente, com a revelação de novos documentos, pelos Historiadores Celso Prado e sua esposa Junko Sato Prado, jamais publicados na Literatura Histórica de Botucatu, o ponto de partida para novas pesquisas, desloca-se agora, em relação ao passado, para a “Relação dos Conventos, Confrarias, Recolhimentos, Capellas e Bens vinculados que ha na Provinda de S. Paulo em o anno de 1854, com declaração de seus rendimentos, provenientes de qualquer origem que seja”, assinado pelo Diretor Geral dos Índios Brigadeiro José Joaquim Machado de Oliveira em 16/08/1855 (item 7). A partir desse documento, todos os demais, oficiais e não oficiais, tiveram a sua influência na História de Botucatu.
A seguir, sequência dos principais documentos, em ordem cronológica:

1 – 1836-1837 – O Ensaio d’um quadro estatístico da Província de São Paulo de Daniel Pedro Muller foi produzido entre os annos de 1836-1837 e diz respeito a toda a Província de São Paulo.
Os levantamentos que realizou foram produzidos por encomenda do Governo Provincial. No Mapa elaborado pelo autor em 1834, figura, ao pé de uma cordilheira sem nome e todavia reconhecível nas representações atuais da serra, a Fazenda Botucahe (Botucatu, mas introduzido com erro de grafia). De qualquer forma, também na cartografia a fazenda dos padres jesuítas foi o primeiro elemento botucatuense a aparecer, embora no avançado ano de 1834 (Donato, Hernâni, Achegas para a História de Botucatu, 3a Edição, 1985, ps. 33 a 34). O referido Mapa da Província de São Paulo, fornecido pelo Historiador Rubens Janes, de Itatinga, vem datado com o ano de 1836.

2 – 1838 -1842 – A Cidade e a Província de São Paulo às Vésperas da Revolução Liberal de 1842 – Nesse período, São Paulo estava dividida em 6 Comarcas.
A 4a Comarca era composta pelas regiões Sul e Oeste paulista, compreendendo entre outros o município de Itapetininga.

3 – 23/12/1843 – Doação de Terras para Criação do Patrimônio da Freguesia de Sant’Anna de Botucatu, pelo Capitão José Gomes Pinheiro Vellozo, considerada para efeitos históricos, a data de Fundação de Botucatu – Lei Municipal N° 4.370 de 07/04/2003 (anexos 1 e 2  – Escritura de Doação e sua localização na Planta de Botucatu).
Na Escritura de Doação, o Capitão José Gomes Pinheiro afirma: “sou senhor e possuidor de uma fazenda de criar que comprei ao Sargento-mor João Pires, em cuja compra é integrante da dita fazenda, um pasto ou retiro no lugar denominado Capão Bonito, em cujo campo há um rincão que se denominava – o Rincão da cerca velha – hoje conhecido – pelo Rincão da Capela”. E no seu discurso na Câmara de Itapetininga em 15/12/1845 (anexo  4), afirma que “estão os povos daquele lugar erigindo uma nova Capela com a denominação de Sant’Anna”.
No 1o Anuário Eclesiástico da Diocese de Botucatu, 1941, à p.103, temos: “Tendo-se tornado insuficiente a primeira igreja, levantou-se outra, em ponto distante da primeira, na qual, em Junho de 1848, realizou-se o primeiro batizado. Demolida por defeitos de construção, foi logo reconstruída e ampliada em 1859” (Achegas, p.74).
No 2o Anuário Eclesiástico da Diocese de Botucatu, 1945, Editora Ave Maria Ltda., São Paulo, à p. 118, temos: “A Paróquia de Sant’Anna de Botucatu, foi criada por D. Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, Bispo de São Paulo”. Conforme Aluísio de Almeida (O Estado de São Paulo de 11/11/1951), a Paróquia de Sant’Anna foi criada em 1847, e o primeiro batizado em 26/06/1849.

O Historiador João Nogueira Jaguaribe no “Correio de Botucatu” de 22/09/1922, cita que “a atual Praça Coronel Moura fôra, segundo a tradição, um antigo e abandonado aldeamento de indígenas chavantes, notável pela sua salubridade e onde existia uma cruz tôsca, pertenceu a Joaquim Costa e seus filhos, que aí construíram algumas casas sem alinhamento. Aí foi edificada uma Capela que se denominou de Capão Bonito”.

No Livro de Tombo da Matriz de Itapetininga, não existe nenhuma referência à Ereção da Capela das Dores (Achegas, 1a Edição, 1954, p. 56).
No livro “Botucatu História de Uma Cidade”, o Historiador João Carlos Figueiroa em seu artigo sobre Igrejas Católica e Protestante, relata “A história dos Templos Católicos desde o início da Freguesia” (anexo 3).

4 – 20/121845 – A Câmara Municipal de Itapetininga, através de discurso do Vereador José Gomes Pinheiro, de 15/12/1845, envia representação à Assembléia Legislativa de São Paulo solicitando ser elevada a Freguesia a Capela denominada Sant’Anna no Distrito de Cima da Serra de Botucatu (anexo  4 – fornecido por Celso Prado e Junko Sato Prado).
A primeira Capela de Sant’Anna foi erguida no Centro Histórico de Botucatu em 1845.

5 – 19/02/1846 – A Lei n° 283 cita em seu Art. 1o – “Fica criada uma Freguesia no Distrito de Cima da Serra de Botucatu, Município de Itapetininga” (Donato, Hernâni, Achegas, 3a Edição, 1985, p.60 e 4a Edição, 2008, Revisada e Aumentada, Torno I, p.97 ). Apesar da Câmara Municipal de Itapetininga ter solicitado a inclusão da Padroeira Sant’Anna na referida Lei, o Governo Provincial não atendeu tal solicitação, talvez até por descuido.

6 – 19/08/1846 – Lei N° 387 – Lei Regulamentar das Eleições do Império do Brasil.

7 – 16/08/1855 – Relação dos Conventos, Confrarias, Recolhimentos, Capellas, e Bens vinculados que ha na Provinda de S. Paulo em o anno de 1854, com declaração de seus rendimentos, provenientes de qualquer origem que seja (anexo  5 – fornecido por Celso Prado e Junko Sato Prado).
Ano de 1854 15a ComarcaVila de Itapetininga, Cabeça da Comarca.
“Freguesia de Botucatu – Nossa Senhora das Dores é a Padroeira da sua Igreja Paroquial”.
São Paulo -16/08/1855 – José Joaquim Machado de Oliveira.
Obs. O Brigadeiro José Joaquim Machado de Oliveira era à época Diretor Geral dos Índios da Província de São Paulo. Essa Relação foi também publicada no jornal Correio Paulistano de 18/07/1856 (anexo  6 – fornecido por Celso Prado e Junko Sato Prado).

8 – 19/09/1855 – Decreto Lei N° 842.Altera a Lei N° 387 de 19/08/1846.

9 – 17/09/1856 – Decreto N° 1822. Atendendo o Decreto N° 842 de 19/09/1855, A Província de São Paulo fica dividida em 9 (nove) distritos eleitorais (anexo 7 – fornecido por Celso Prado e Junko Sato Prado).
Luiz Pedreira do Couto Ferraz, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império e com a Rubrica do Imperador.§ 6o – O sexto distrito terá por cabeça a Cidade de Itapetininga, e compreenderá… entre outras a “Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Botucatu”.

Obs. – O Decreto N° 1822 de 17/09/1856, tomou como referência o citado no item 7: “Freguesia de Botucatu – Nossa Senhora das Dores é a Padroeira da sua Igreja Paroquial”.

Obs. de Celso Prado e sua esposa Junko Sato Prado:Paróquia era a confirmação da Igreja para Freguesia declarada pelo Poder Civil.

Mas faltam Documentos Eclesiais, da época, para Botucatu.
Paróquia, que se teve modificação de Padroeira, deveria ser documentado pela Igreja. Se não foi, achamos muito estranho.

10 – 1857 – Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Província de São Paulo para o ano de 1857 (anexo 8). Autores – Joaquim Roberto de Azevedo Marques e seu irmão Manuel Eufrásio de Azevedo Marques. Impresso na Tipographia Imparcial em 1856.
4a Comarca de Itapetininga – Terceiro Termo.
À p.170 é citada a Vila de Nossa Senhora das Dores de Botucatu – antes Freguesia do Distrito de Cima da Serra de Botucatu – 1846 – Vila 1855 – 61 1/2 léguas – 3000 habitantes -10 eleitores.
À p.18 do seu Suplemento, através do Decreto N° 1822 de 17/09/1856, que dividiu a Província de São Paulo em 9 (nove) distritos eleitorais em seu § 6 o sexto distrito, que tinha Itapetininga por cabeça, é citada a Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Botucatu.
O Vigário Encomendado de Botucatu era Modesto Marques Teixeira.

11 – 1858 – Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Província de São Paulo para o ano de 1858.
Autores – Joaquim Roberto de Azevedo Marques e seu irmão Manuel Eufrásio de Azevedo Marques. Vigário – Salvador Ribeiro dos Santos Mello.

12 – 1872 – O Governo Provincial publica o Recenseamento do Brazil em 1872 (anexo 9).
É citada a “Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Botucatu”.

13 – 1873 – Almanak da Província de São Paulo para 1873.
Autores – Antonio José Baptista de Luné e Paulo Delfino da Fonseca. Citam a “Villa de Nossa Senhora das Dores de Botucatu” e que existe uma “Matriz sob a invocação de Sant’Anna”.
Citam também as Igrejas : Nossa Senhora do Rosário (em construção) e Capela de Santa Cruz.

14 – 1879 – Apontamentos Históricos, Geográficos, Estatísticos, Noticiosos da Província de São Paulo em 1879.
Autor – Manuel Eufrásio de Azevedo Marques.
Em seu verbete sobre Wotucatu (Tomo I, p. 147) cita que “o paulista Simão Barbosa Franco foi quem deu começo a esta povoação em 1766 por ordem do governador e capitão-general D. Luiz Antonio de Sousa Botelho Mourão. A sua invocação é da Senhora das Dores”. Essa povoação deveria conter a expansão espanhola, às margens do Rio Paranapanema, e portanto bem distante do Centro Histórico da Atual Botucatu.
A Fundação de Wotucatu em 1766, por ordem de D. Luiz Antonio de Sousa Botelho Mourão, Morgado de Matheus, foi contestada pelos Historiadores João Nogueira Jaguaribe em 1916 e 1922 (Correio de Botucatu, 29/07/1916 e 22/09/1922); Monsenhor Aluísio de Almeida em 1951 (O Estado de São Paulo. 11/11/1951) e Hernâni Donato (Achegas, 1a Edição 1954; 2a Edição, 1956; 3a Edição, 1985, ps.47 a 50) e 4a Edição, 2008, Revista e Aumentada,Tomo I, ps.63 a 66).
Hernâni Donato classificou esse episódio como um “Erro Histórico”.

15 – 21/05/1881 – Decreto N° 8113 – Divide a Província de São Paulo em 9 (nove) distritos eleitorais. Art. 6° – O 5° distrito eleitoral terá por cabeça a cidade de Itapetininga e se comporá : do município de Botucatu, compreendendo as paróquias de Nossa Senhora das Dores de Botucatu e Nossa Senhora dos Remédios da Ponte do Tietê (anexo 10 – fornecido por Celso Prado e Junko Sato Prado).

16 – 1925 – Eugênio Egas, em sua Publicação Oficial “Os Municípios Paulistas de 1925”, reitera parte do verbete de Manuel Eufrásio de Azevedo Marques, atestando que Simão Barbosa Franco foi quem deu começo à povoação de Wotucatu em 1766, por ordem do Morgado de Matheus. E que além de outras Irmandades existe a do Santíssimo Sacramento e uma “Paróquia sob a invocação de Sant’Anna”.

17 – 1943 – Eunice Almeida Pinto Chaves em seu “O Município e a Cidade de Botucatu – Anais do X Congresso Brasileiro de Geografia, Belém, do Pará”, cita às ps. 609 a 613, das quais extraímos alguns trechos : “Nesse mesmo ano,1766, Simão Barbosa Franco deu início à fundação da povoação de Botucatu, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores de Cima da Serra. E para anular qualquer dúvida que por ventura haja a este respeito, lembraremos que em 1768 foi por D. Luiz Antonio organizado uma mapa de uma grande parte da América Meridional, em que figurava quase toda a Capitania de São Paulo. Esse mapa, nas pesquisas empreendidas no Arquivo do Estado, não foi encontrado.
Porém, no Volume XIX Documentos interessantes para a história e costumes de São Paulo, à p.147, encontram-se referências a seu respeito. Nesse mapa, segundo as advertências assinaladas, figuravam os núcleos urbanos já organizados, e entre eles o de Botucatu (fundado em 1766). Botucatu surgiu portanto, em 1766. A partir de então continuou desempenhando a sua função de “boca de sertão”, servindo de pouso e de ponto de abastecimento às expedições que demandavam os sertões de Tibagi e do Iguatemi. Era um pequenino núcleo urbano, ponto de apoio dos criadores da região com poucos moradores. No caderno com os dados referentes ao ano de 1779, maço de recenseamento de Itapetininga, número 63, encontramos os primeiros dados estatísticos referentes a Botucatu. Tinha Botucatu apenas 7 fogos (ou casas) contando 46 moradores, incluindo-se os chefes de família, suas mulheres, filhos, agregados e escravos. Um período relativamente de obscurantismo recaiu sobre a pequenina povoação de Nossa Senhora das Dores de Cima da Serra. Em 1835 mais ou menos, conta a tradição, o sertanejo Joaquim Costa e seus filhos, construíram na atual Praça Coronel Moura, algumas casas sem alinhamento, aproveitando-se, segundo a tradição, de antigo e quase abandonado aldeamento, onde existia, uma cruz tôsca. Esse aldeamento antigo e esquecido, com uma população escassa correspondia à povoação fundada por Simão Barbosa Franco, em 1766”. Então, a autora afirma, segundo a tradição, que houve o aproveitamento de antigo e quase abandonado aldeamento, aquele fundado por Simão Barbosa Franco em 1766, e que o mesmo estaria localizado no Centro Histórico da Atual Botucatu, fato que não ocorreu. Como prova disto, pode ser consultada a Ação Fenium Regundorum e de Manutenção de 1846, em que são Autores o Capitão José Gomes Pinheiro e sua mulher D. Anna Florisbella Machado de Oliveira (Anexo 12 – Resumo do livro “As Primeiras Fazendas da Região de Botucatu” – item D3).
Sebastião de Figueiredo Torres, o autor do histórico sobre Botucatu, publicado no IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1957, Volume 28, p. 158, cita que: “acredita-se que em 1766 tenha sido inaugurada uma capela de Nossa Senhora das Dores de Cima da Serra, onde, provavelmente está localizada a cidade” (anexo 13).

18 – 11/11/1951 – No “O Estado de São Paulo”, Monsenhor Aluísio de Almeida escreveu: “Nem os documentos eclesiásticos nem os civis, de antes, falavam em Sant’Anna. Este é o primeiro. Não por simples coincidência, a senhora do Capitão José Gomes Pinheiro chamava-se Anna Florisbella Machado. Foi, pois, ele quem mudou a Padroeira, que teria sido Nossa Senhora das Dores. Curioso como os documentos anteriores não falam nesta Padroeira, que seria a de Joaquim Costa – os posseiros”. Aluísio de Almeida estava se referindo a um discurso do Capitão José Gomes Pinheiro em 15/10/1845 na Câmara de Itapetininga (anexo 4).
Obs. O primeiro documento que fala em Sant’Anna é a Escritura de Doação de Terras do Capitão José Gomes Pinheiro em 23/12/1843, para Criação do Património da Freguesia de Sant’Anna de Botucatu. Tudo indica que Aluísio de Almeida não consultou ou não teve conhecimento de tal Escritura.
E no Livro de Tombo da Matriz de Itapetininga não existe nenhuma referência à Ereção da Capela das Dores (Achegas, 1a Edição, 1954, p.56).

19 – 2008 – Hernâni Donato, em seu Achegas para a História de Botucatu (2008, 4a Edição,Tomo I, Revista e Aumentada, p.84), cita a obra de Trajano Carlos de Figueiredo Pupo (Botucatu de Antigamente I, p.32), em que este afirma: “em 1840 o mineiro Joaquim Costa de Abreu posseia terras de uma dessas fazendas, fazendo doação ao patrimônio de Nossa Senhora das Dores de Cima da Serra, de um lote correspondente a parte da atual praça Cel. Moura. (Não existe título de doação)”. O mesmo autor, na obra citada, calcula em 10 ha a área oferecida ao futuro patrimônio.
Obs. do autor – a) Em contato com Trajano Carlos de Figueiredo Pupo, atestamos que o mesmo consultou, para a afirmação acima, as Memórias ditadas por José Joaquim Barbosa de Carvalho na Revista A Cruzada em seu N° 3 de 28/09/1928. Nesse documento, embora a doação de Joaquim da Costa e Abreu estivesse grifada como sendo para “Nossa Senhora Sant’Anna”, Trajano Carlos a relatou erroneamente em seu livro como sendo para “Nossa Senhora das Dores”.
Obs. do autor – b) Hernâni Donato, em todas as edições de seu Achegas para a História de Botucatu, sempre atribuiu a Padroeira Nossa Senhora das Dores, a Joaquim da Costa e Abreu .
Os seguintes Documentos do Arquivo do Estado de São Paulo: de 16/12/1859, Caixa 39, Pasta 1, Documento 98A; de 28/02/1860, Caixa 39, Pasta 1, Documento 98; de 17/04/1860, Caixa 39, Pasta 2, Documento 20A; de 10/10/1860, Caixa 39, Pasta 2, Documento 20, atestam que a doação dos Herdeiros de Joaquim da Costa e Abreu (que faleceu aproximadamente em 1840), Verbal e sem Título de Doação, foi complementar (em outra época) à do Capitão José Gomes Pinheiro em 23/12/1843, pois ambas são dedicadas a Nossa Senhora Sant’Anna. O Capitão José Gomes Pinheiro foi quem instituiu a Padroeira de Sant’Anna na sua Escritura de Doação de 23/12/1843 (Anexo 12 – Documentos citados, no Resumo do livro “As Primeiras Fazendas da Região de Botucatu” – item C9).

20 – Em consulta às 2424 páginas do Arquivo do Estado de São Paulo , relativas à História de Botucatu e Região, no período compreendido entre 1852 e 1899, disponibilizadas no site www.historiadebotucatu.com.br , em Documentos do Arquivo do Estado 01, Parte 1, Caixa 39, Pasta 1, Documentos 48A e 48B, Telas 227 a 231/483, é citada a única referência a “Nossa Senhora das Dores”, na “Quinta Consulta” que o Vigário Salvador Ribeiro dos Santos Mello faz em 23/04/1858 ao Presidente da Província: se V.Exa. aprova os compromissos de Irmandades, porque tenciono levantar das do Sacramento e Dores. Em resposta, o Presidente da Província, após consulta ao Procurador Fiscal Provincial Costa Cabral, responde em 26/05/1858 que na forma da Lei Provincial n° 5 de 1840, compete ao Prelado a aprovação dos estatutos e compromissos das Irmandades, e ao Exmo. Governo da Província a sua confirmação. Em 21/02/1866, o Vigário Salvador Ribeiro dos Santos Mello desliga-se de Botucatu, não realizando seu intento de levantar a Irmandade das Dores para o povoado de Nossa Senhora das Dores do Rio Novo.
Foi criada a Irmandade de Nossa Senhora das Dores do Rio Novo (atual Avaré) somente em 25/02/1872, e assim dissolvida a Junta Administrativa para administrar os bens da Capela de Nossa Senhora das Dores, criada em 01/12/1867, pelo Vigário de Botucatu (obs. do autor – Vigário Francisco José de Miranda). Essa demora na criação de Irmandades, mostra o rigor que o Prelado e o Governo Provincial tinham na aprovação e confirmação de Irmandades e Capelas (João Baptista do Amaral Pires – Jango, Um Pouco da História de Avaré, Outrora Rio Novo, ps. 20 a 23).Na “Quarta Consulta”, o Vigário Salvador Ribeiro dos Santos Mello solicita ao Presidente da Província: “se para vender um pequeno terreno que deram a uma Capelinha de Santa Cruz doação feita daqui a dez léguas que não dá utilidade alguma a essa Capela, será preciso deliberação de Assembleia ou se só com o consentimento de V. Exa. pode-se vender e empregar o dinheiro na feitura do corpo desta mesma capela”. O Presidente da Província responde solicitando ao Vigário informar em que data foi doado o terreno, e que condições impôs o doador, e qual o seu valor estimado e se a tal Capelinha de Santa Cruz já obteve permissão para funcionar e em que data.

21 – Não existe nenhum documento eclesiástico referente às Capelas de “Nossa Senhora das Dores” e “Nossa Senhora Sant´Anna” na Vila de Cima da Serra, a atual Botucatu, por diversas consultas realizadas junto À Mitra Arquidiocesana de São Paulo, no Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva, pois em 1870 ocorreu um incêndio no Prédio da Câmara Eclesiástica.

22 – Numa primeira opinião do Historiador Gesiel Theodoro da Silva Júnior, a respeito desta temática, temos :“Ademais, é importante repetir de maneira realçada: Dom Vicente Marchetti Zioni, Arcebispo Emérito de Botucatu, pesquisador por excelência, jamais fez qualquer alusão a respeito por nada ter encontrado nos Anais dos Arquivos da Mitra Arquidiocesana de Botucatu. Ao contrário, em diálogo com o saudoso Arcebispo, este me repetiu ser improcedente essa informação, porquanto jamais existiu nenhum templo em louvor a Nossa Senhora das Dores na Vila de Cima da Serra, a atual Botucatu”.

23 – Solicitamos ao Historiador Gesiel Theodoro da Silva Júnior nova apreciação do tema : “Convocado para opinar novamente em torno de quem foi a primeira padroeira da freguesia de Botucatu, recentes dados da imprensa oitocentista me motivaram a rever as impressões iniciais e a elaborar breve ensaio a fim de refletir um pouco mais sobre o contexto histórico em que se deu a trama política que fez de Santa Ana o orago escolhido em detrimento de Nossa Senhora das Dores, o alvo da original piedade popular” (anexo 11 – artigo completo nos sites www.botucatuonline.com e www.historiadebotucatu.com.br).

 
24 – Conclusão – Como exposto, a partir de 16/08/1855 (item 7), em que o Diretor dos Índios Brigadeiro José Joaquim Machado de Oliveira, assina a “Relação dos Conventos, Confrarias, Recolhimentos, Capellas, e Bens vinculados que ha na Provinda de S. Paulo em o anno de 1854, com declaração de seus rendimentos, provenientes de qualquer origem que seja”, todas as publicações oficiais, e por conseguinte as não oficiais, introduziram a “Vila de Nossa Senhora das Dores” e a Paróquia de Nossa Senhora das Dores” para Botucatu. A partir desse documento, todos os demais, oficiais e não oficiais, tiveram a sua influência na História de Botucatu. Este documento toma-se então, o ponto de partida, até agora descoberto, para novas pesquisas, em torno da temática.
Os documentos do Arquivo do Estado de São Paulo, emitidos pela Câmara Municipal de Botucatu, em 1859 e 1860 (item 19), atestam que a doação dos Herdeiros de Joaquim da Costa e Abreu (falecido aproximadamente em 1840), Verbal e sem Título de Doação, foi complementar (em outra época) à doação do Capitão José Gomes Pinheiro em 23/12/1843, pois ambas foram dedicadas ao Património da Capela de Sant’Anna. O Capitão José Gomes Pinheiro foi quem instituiu a Padroeira de Sant’Anna na sua Escritura de Doação de 23/12/1843.
A Fundação de Botucatu por Simão Barbosa Franco em 1766, por ordem do Morgado de Matheus, e com invocação a Nossa Senhora das Dores, era tida como verdadeira e com Capela existente, à época da assinatura em 16/08/1855 pelo Diretor dos Índios Brigadeiro José Joaquim Machado de Oliveira, da “Relação dos Conventos, Confrarias, Recolhimentos, Capellas, e Bens vinculados que ha na Provinda de S. Paulo em o anno de 1854, com declaração de seus rendimentos, provenientes de qualquer origem que seja”.
A Fundação de Botucatu em 1766 com invocação a “Nossa Senhora das Dores”, foi expressa nos “Apontamentos Históricos, Geográficos, Estatísticos, Noticiosos da Província de São Paulo” de Manuel Eufrásio de Azevedo Marques em 1879 (item 14).Tais fatos permitem a ilação de que o “Autor” da “Relação de Capelas de 1854”, assinada pelo Diretor dos Índios Brigadeiro José Joaquim Machado de Oliveira, tenha considerado como existente tal Capela de 1766 para Botucatu. No histórico do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 1957, temos: “Acredita-se que no ano de 1766, tenha sido inaugurada uma capela de “Nossa Senhora das Dores” de Cima da Serra, onde, provavelmente, está localizada a cidade” (anexo 13).
Esperando contribuir com adendos à rica História de Botucatu,
Paulo Pinheiro Machado Ciaccia

Botucatu – 09/09/2017

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