COM MAIS IDOSOS, A ‘SUA CIDADE’ PODE SER UM LUGAR BEM MELHOR.

Redação Diário | Diário Botucatu

Isso vai se refletir em cada comunidade, nos pequenos bairros, nas pequenas vilas e nas megalópoles com a mesma intensidade. Como foi em todos os lugares do mundo praticamente onde a população qualificada como idosa se tornou maior do que a de crianças – e se ajustou para encontrar um ponto de equilíbrio para o seu desenvolvimento sustentável.

São comunidades mais sólidas e organizadas, com uma cultura melhor definida, porque o tempo da tataravó é o tempo do tataraneto. Gerações onde a maioria das famílias consegue conviver por quatro gerações, mesmo que de formas novas, onde não é preciso mais viver na mesma rua, pra se ver todo dia, conversar toda hora.

Num país onde se vive mais, as pessoas vivem melhor o presente e se angustiam menos com o futuro. Todos sabem que vai dar tempo. A corrida contra o relógio biológico pode andar mais devagar. Cada etapa da vida pode ser vivida com maior leveza e suavidade. Cada novo caminho tem mais tempo para ser decidido e projetado.
Sem pressa.

O jovem, não precisa mais ter pressa de sair de casa, com medo de ficar velho. As culturas familiares e comunitárias vão ter mais tempo de se aperfeiçoar e construir em conjunto uma forma de convivência mais agradável e segura. A voz da experiência vai estar presente por mais tempo, servindo de referência aos afoitos.

Sabendo que a expectativa de vida é cada vez maior, não seremos mais forçados a ver uma geração como a de nossos avós e bisavós: forçados a trabalhar na roça ou na fábrica desde cedo, pra engordar a renda familiar, muitas vezes tendo que abrir mão de estudar.

No fundo a gente sabe que, mesmo aqueles que não se alfabetizaram, aprenderam muito na vida. Muito mais até, em diversos aspectos, do que muitos de seus filhos e netos que, com o apoio, o estímulo e o esforço de quem muitas vezes não teve a mesma oportunidade, foram para escola e garantiram até um diploma de nível superior.

Naquele tempo de antigamente, o maior objetivo de um bom pai era dar uma vida melhor do que a que teve, para seus filhos. A vida corria num tempo em que o sacrifício de mãe, na maioria das famílias, ainda era apenas doméstico. Mulher “séria” ainda não trabalhava fora, no tempo de muitos dos nossos vovôs e vovós.

Menos de 50 anos atrás, para a maioria dos brasileiros, ter 60 anos era estar a caminho do cemitério. Conformado com a vida que já viveu, com seus doze filhos e setenta netos. A maioria das pessoas que hoje possui sessenta anos, não conheceu seus bisavós, muitos possuem vagas lembranças de seus avós. A expectativa de vida era bem menor.

Eles aprenderam como a Educação pode mudar a vida dos filhos e dos netos, que vivem hoje muito melhor do que eles viveram quando tinham a sua idade. Foi pra isso que fizeram tanto sacrifício. Pra valer a pena na vida de quem importava de verdade na vida.

A missão era criar os filhos, encaminhá-los na vida.

E foi pra isso que multidões de famílias migraram com suas famílias do campo para as cidades em busca de uma vida melhor, naquilo que foi vendido como a terra prometida: emprego, escola, casa, água encanada, luz de noite, banheiro dentro de casa.

A boa notícia é que a sabedoria acumulada pela experiência e a visão inovadora dos jovens vão ter mais tempo para amadurecer dentro de uma mesma geração nas próximas décadas. É uma grande oportunidade de fazer uma revolução na nossa velha mentalidade sobre tudo.

Parece pouco. Mas é um ótimo começo de conversa.

Tenha um bom dia.
Independente se você acha que é delicioso ou acha que é um incômodo ter que viver em uma comunidade cheia de vovozinhas por perto, um verdadeiro jardim de flores em cada quarteirão da cidade. Fora o cheirinho de bolo, saindo pela janela e esparramando o aroma pela vizinhança…