Campanha salarial da Embraer tem negociação delicada

Enquanto para a fábrica de São José dos Campos a empresa negocia suspensão temporária de contratos, para Botucatu empregos devem permanecer os mesmos para o próximo ano, mas sem reajuste salarial

Nesta quinta-feira feira a Embraer anunciou que está negociando para a fábrica de São José dos Campos o sistema layoff, que é a suspensão temporária de contratos por até cinco meses. Com a medida, cerca de 2 mil funcionários não trabalhariam pelo período de dois a cinco meses, sem perder seu vínculo empregatício. E depois deste tempo, eles retomariam seus postos de trabalho, sem risco de demissão. Enquanto aguardam em casa, os trabalhadores passariam por cursos de capacitação.

Lourenção diz que momento para negociação é complicado, mas sindicato não vai desistir de reajuste dos trabalhadoresRedação Diário | Diário Botucatu
Lourenção diz que momento para negociação é complicado, mas sindicato não vai desistir de reajuste dos trabalhadores

Para Botucatu e Gavião Peixoto, outras duas cidades que tem uma unidade da Embraer, essa medida não valeria. “Para Botucatu continua tudo como está. Acabou o PDV (Plano de Demissão Voluntário) e a empresa continua sua produção normalmente, esperando que o cenário da economia melhore”, explicou José Carlos Lourenção, tesoureiro do Sindicato dos Metalurgicos.

O que o sindicato quer saber da empresa agora á o reajuste salarial. A data base de negociação é 1 de setembro, mas nas reuniões realizadas até então, nenhum acordo foi firmado. “Nós queremos a reposição da inflação do período, que foi de 9,62%. Mas a empresa que pagar um abono de R$ 7 mil para cada funcionário e congelar os salários. Se for para receber apenas um abono e não tem aumento, o valor tem que ser bem maior”, afirmou Lourenção.

As negociações entre diretoria da Embraer e Sindicato estão acontecendo em reuniões na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). “A diretoria está fechada e a negociação esse ano está muito mais difícil. Não queremos que os trabalhadores percam seus direitos, mas também temos que ter cautela para a empresa não alegar que não terá como pagar o reajuste e dispensar mais pessoas”, explicou.

Uma nova rodada de negociações está marcada para a próxima semana. De acordo com o tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu, eles vão tentar negociar ao máximo para evitar entrar em greve. “Greve funciona muito bem quando a produção está em alta. Com tempos de crise, qualquer pausa na empresa não fará diferença”, salientou Lourenção.

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