25 Anos integrando ideias, cidades e pessoas: A visão do Brasil direto do Interior Paulista

Pedro Manhães
Editor DB
Análise, Política & Sociedade

 

Redação Diário | Diário Botucatu
Primeira edição do Correio da Serra, em 1992.Eu não sei como era a sua vida em 1.992. Mais exatamente no dia 7 de junho, quando chegou às bancas – e também teve uma grande distribuição gratuita promocional distribuída por toda a cidade e região – a primeira edição deste jornal.

Eu não sei quais eram seus sonhos, suas angústias, seus problemas, mas com certeza, se você era um leitor de jornal, você tinha na mente uma visão de futuro em relação à própria vida e também no que dizia respeito ao futuro da sua cidade.

O que eu sei é que se você está lendo esta reflexão, aqui e agora, provavelmente isso faz parte de uma cultura de família, foi influência dos amigos ou um prazeroso hábito que você adquiriu no trabalho. Você é um leitor de jornal.

Você é um daqueles seres humanos que faz muita falta no cotidiano de qualquer jornal que se preze. As páginas de um jornal só fazem sentido se, de alguma forma, preencherem um espaço vazio dentro da sua vida. Esse, portanto, é o desafio cotidiano desse estranho e curioso negócio chamado jornal.

Mas voltemos a junho de 1.992. Eu estava prestes a completar 25 anos de idade, casado, pai de dois filhos pequenos. Sentindo nos ombros a responsabilidade de qualquer pai de família que está dando seus primeiros passos na vida.

Minha vida não era muito diferente daquela que viviam muitos dos meus amigos da época, que também davam os primeiros passos em suas pequenas empresas ou iniciavam suas atividades como profissional liberal, fora aqueles que puderam herdar um bom negócio de família, com liberdade pra modernizar e repaginar de um jeito novo.

Todos nós, uma geração de jovens entusiasmados, em uma verdadeira aventura empreendedora, num país que era mais ou menos assim como este Brasil de hoje, com suas primeiras entranhas do Poder Central sendo vazadas em áudios e documentos comprometedores para os homens e mulheres que comandavam a nação.

Naquela época, a gente acompanhava aquela crise pelas páginas dos grandes jornais brasileiros, digo, paulistas: o Estadão e a Folha. E ficava atento. Era um momento tenso. Depois de mais de duas décadas sob uma ditadura militar, o Brasil enfrentava a responsabilidade de organizar sua recente Democracia.

Aquela crise política de 1.992, que acabou derrubando o primeiro produto dos marqueteiros políticos tupiniquins, que atendia pelo nome de Fernando Collor de Mello, era repercutida junto aos leitores e atores da política local, aqui nas páginas do seu jornal. Teve até a morte de PC Farias e da namorada, numa estranha noite, lá em Maceió.

E este Diário cobria de ponta a ponta. Da opinião das lideranças políticas sobre o forrobodó de Brasília até a alegria das faixas e cartazes dos estudantes que realizaram lindas passeatas contra a corrupção, com suas bandeiras, faixas e rostos pintados com batom, eram os “caras pintadas”.

Os estudantes daquela época sabiam a exata diferença entre o certo e o errado. Não cultivavam bandidos de estimação, aliás, nem faziam ideia que muitos dos políticos que respeitavam, 25 anos depois estariam comprovadamente metidos em tanta coisa errada.

Os nossos jovens do início dos Anos 90, quando este jornal nasceu, hoje são quarentões, em busca do auge da vida profissional nos bastidores de empresas que enfrentam essa era de incerteza provocada pelo maior colapso politico, econômico e moral da história brasileira.

Este é um momento, que muitas vezes, nos faz até duvidar de nós mesmos: da nossa capacidade de adaptação, de compreensão, de imaginação, de talento e de perseverança para continuar acreditando que todo esse esforço coletivo pode mesmo valer a pena.

Falo muito dos jovens, mas na verdade compreendo que este é um momento de diálogo entre as diversas gerações que fazem desta mesma geração de pessoas, crianças, jovens, adultos e maduros que hoje fazem parte de cada circulo da nossa vida.

Conversar sobre o Brasil de Hoje é papel das famílias, das empresas, das escolas, das igrejas, das entidades de classe e de todas as tribos que representam a nossa diversidade cultural. Conversar sobre o Brasil de Hoje não é pintar a cara. É pintar um quadro. É fazer um mapa. É encontrar um novo sentido no meio disso tudo.

E este Diário se propõe a ser apenas isso. Uma visão brasileira a partir da mais bela cidade do interior paulista. Uma visão que jamais será apenas a deste Editor. Este jornal sempre buscou trilhar o caminho da pluralidade. E se ele ainda é o jornal que você lê, é porque você acredita nisso. É sempre um prazer ter você por aqui.

Obrigado por tudo, leitor.

E que ler jornal, possa continuar a ser um dos prazeres da sua vida nos próximos 25 Anos.

A gente se encontra lá. Até 2042.

Um forte abraço!

 

 

Veja também: