2015: o ano que o país acordou em crise

Em Botucatu, esta foi uma crise sem precedentes e que deixou todos os setores da economia fragilizado

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Voltando no tempo através das páginas do Diário, chegamos a 2015, um passado recente e que deixou marcas profundas nos noticiários e na vida dos cidadãos. 2015 foi o ano em que o país acordou em crise, uma crise política e econômica que até hoje nos faz lutar para sair dela. Uma crise sem precedentes, que deixou muita gente sem rumo e nos fez repensar meios de sobreviver.

Em Botucatu, a crise acertou em cheio o setor industrial e centenas de trabalhadores viram seus empregos desaparecer como em um truque de mágica. Em consequência disso, o comércio enfraqueceu, as vendas de roupas, acessórios, carros e até imóveis freou bruscamente, pegando todo mundo de surpresa.

“Com certeza a crise de 2015 foi a mais forte de todas. Vimos mais de três mil pessoas perderem o emprego. Foi tão sério que até hoje as indústrias sentem o reflexo do que aconteceu naquele ano”, lembrou Miguel Ferreira, presidente do Sindicato do Metalúrgicos de Botucatu, o qual presenciou e negociou diretamente com as empresas na tentativa de manter os postos de trabalho.

A crise toda só não foi pior, porque vivemos em uma cidade privilegia, com empresas que estão acostumadas a “crises sazonais”. “Como as grandes empresas são montadoras de ônibus, elas já estão acostumadas a ter altos e baixos. E este é um setor de utilidade pública, ou seja, os ônibus são necessários e por isso a produção não para. Hoje as empresas começam a dar sinais que a economia está melhorando e nós estamos otimistas”, explicou Miguel.

Se hoje esta recuperação é motivo para comemorar, ela poderia nem estar acontecendo. Isso porque em 2000, Botucatu quase perdeu a indústria automotiva e viu milhares de empregados serem demitidos com a falência da empresa Caio.

“Dos últimos 20 anos, com certeza a falência da Caio foi o episódio mais importante dentro da história do setor metalúrgico. Naquele ano, a Caio decretou falência e tivemos que tomar medidas pontuais e rápidas para evitar que a empresa fechasse de vez. Montamos uma cooperativa com funcionários e trabalhamos de graça por 20 dias para conseguir montar 55 ônibus para um cliente que já havia pagado pelos veículos. Fizemos isso porque só assim a Induscar aceitaria assumir a massa falida da Caio. Se não fosse isso, hoje a Caio não estaria aberta, a Induscar teria ido para outra cidade e Botucatu não teria o potencial industrial que tem hoje. Com a Irizar foi o mesmo. Na época era a Mercedes que queria se instalar em Botucatu, mas a Irizar acabou assumindo. Se não tivéssemos feito nada para a Caio continuar aberta, hoje Botucatu teria entre quatro e cinco mil empregos a menos e ai sim nossa situação seria muito pior”, destacou o presidente do Metalúrgicos.

Se o passado é cheio de histórias de superação e conquistas, o futuro também deve manter o mesmo curso. A crise parece estar indo embora e em breve, ela deve ser só mais um capítulo ou reportagem do passado. “Sabemos que não é fácil, mas vamos sempre seguir com otimismo, sem parar de lutar, claro”, finalizou Miguel.

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