A nova geração do esporte mundial: conheça os E-Sports

Área já movimenta milhões de dólares em todo o canto do mundo, inclusive no Brasil; estimativa para 2017 é de que os esportes eletrônicos movimentem quase US$ 700 milhões

(Foto: Reprodução Facebook)
Guilherme Fonseca Agostini, de 17 anos, foi o primeiro brasileiro a levantar o troféu de campeão da PES League; a premiação foi de US$ 200 mil (R$ 650 mil)
Jean Madrid
Colaborador DB

Antigamente, quando se falava em videogame o que vinha a cabeça das pessoas soava como um simples divertimento que prendia a atenção das crianças e as transportava para um mundo de fantasia. Hoje, já não se pode mais emitir tal afirmação. Os jogos online, em videogames e computadores, se tornaram uma área rentável, de profissionalização e que está explodindo dentro da mídia tradicional mundial, atraindo investidores, canais de televisão e ciberatletas de todas as idades. Os eSports, como são conhecidas as modalidades eletrônicas de competição, já movimentam, atualmente, milhões de dólares em todo o planeta.

De acordo com um estudo realizado pela Newzoo, consultora internacional do mercado de games, a estimativa é de que a movimentação financeira dos esportes online seja de US$ 696 milhões, quase R$ 2,15 bilhões. Assim como no quesito econômico, a visibilidade também tende a aumentar cada vez mais. Em números gerais, os eSports podem alcançar esse ano mais de 385 milhões de pessoas e a expectativa é de que em três anos chegue a quase 590 milhões.

Ainda segundo a pesquisa, no decorrer desses três anos a audiência dos esportes eletrônicos poderá ser comparada a de outras modalidades mais “tradicionais”.

No Brasil, recentemente, o bauruense de 17 anos, Guilherme Fonseca, conhecido na internet como “GuiFera”, conquistou o título da PES League 2017, torneio mundial do game de futebol Pro Evolution Soccer.

Em entrevista exclusiva, o brasileiro falou sobre seu início dentro dos games online e a expectativa quanto ao futuro dos esportes eletrônicos ao redor do mundo.

“Eu jogo desde criança, pois meu pai sempre gostou de videogames e acabei seguindo os seus passos. No começo, jogava apenas por diversão, mas em 2013 quando comecei a disputar torneios online, vi que tinha grande potencial e já no ano seguinte passei a participar de torneios presenciais. A minha modalidade é o jogo Pro Evolution Soccer, conhecido como PES. O modo é 1×1 (um contra um) com o tempo determinado pelos organizadores do torneio”, conta.

“Hoje em dia, eu levo como profissão e os e-Sports já são uma realidade no Brasil, mas ainda faltam algumas alavancas para projetar ainda mais as modalidades eletrônicas, como o investimento de clubes brasileiros, no quesito de visibilidade. Acredito que em breve os clubes vão iniciar um projeto e o cenário melhorará muito para nós, jogadores”, completa Guilherme, ressaltando o crescimento dos esportes eletrônicos, que reúne milhões de praticantes atualmente.

O mercado em questão tem o seu monopólio nas mãos dos americanos, que comandam em quesitos como organização, investimento e desenvolvimento, com equipes próprias em diversas categorias de games e arrecadam muito mais do que qualquer outro país.

O público brasileiro, ainda de acordo com a pesquisa da Newzoo, fica atrás somente da China e dos Estados Unidos, com cerca de 11,4 milhões de praticantes e fãs dos games.

“Apesar dos eSports não serem recentes e já datarem desde o fim dos anos 90 em competições pequenas, podemos dizer que estamos vivendo o “boom”. O Brasil segue a tendência mundial, mas ainda alguns passos atrás dos Estados Unidos, Europa e parte da Ásia. Somos excelentes produtores de talentos em diversos títulos diferentes, mas ainda são pouquíssimos os profissionais que conseguem sobreviver inteiramente dos eSports. Falta investimento, estrutura e muito, muito profissionalismo, tanto da parte dos próprios jogadores quanto das organizações que os patrocinam ou abrigam”, afirma Roque Marques Neto, repórter de jogos eletrônicos do canal de televisão, ESPN Brasil.

“Um passo importante para melhorar tudo isso é o espaço que os eSports estão ganhando na grande mídia. Hoje, praticamente todos os principais veículos esportivos dão uma atenção para o esporte eletrônico, seja na TV ou na internet. Estamos superando aquela era da mesmice, onde todos os conteúdos eram pautados pelo diferente, pelo “ganhar dinheiro para jogar videogame”. Hoje temos coberturas complexas, transmissões de torneios, estamos em pé de igualdade com outros esportes e até superando modalidades mais tradicionais”, completa.

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