Professor defende proibição de uso de celular em sala de aula

O professor Elis Pinto Júnior, 36, que atua em escolas de Botucatu nas redes pública e particular, iniciou em 2014 a preparação de um Projeto de Lei de iniciativa popular visando proibir o uso de telefone celular em sala de aula, mas apesar das cerca de 500 assinaturas conseguidas em apoio, buscou ajuda de vereadores.

No ano passado, o professor levou a ideia para o então vereador Luiz Aurélio Pagani, o Lelo (REDE), que em dezembro apresentou um Requerimento através do qual pedia ao prefeito da época, João Cury Neto (PSDB), para apresentar um Projeto de Lei para regulamentar a questão.

Lelo disputou a eleição de 2016 como candidato a vice-prefeito na chapa com Reinaldinho (PR) e, portanto, ficou fora da Câmara de Vereadores. João Cury foi sucedido por Mário Pardini (PSDB) e agora Elis Pinto Júnior vai buscar apoio dos políticos novamente para a ideia ter andamento.

Um dos argumentos do professor é que o problema envolve não o uso do aparelho em si, mas a utilização de forma inadequada. “Não é simplesmente proibir. O problema é o uso indevido”.

Segundo Elis, o problema é sempre levantado em conversas na sala dos professores, como alvo de reclamação. “O uso do celular provoca até mesmo o baixo rendimento de alunos”, justifica.

Elis sugere a proibição e punição com multa ou ações pedagógicas para o uso indevido do celular em instituições de ensino.

Interessados em saber mais sobre o assunto podem procurar o professor nas redes sociais e inclusive assinar documento em apoio através do endereço eletrônico http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR76500

Professor aborda detalhes sobre a proposta de proibição

Argumento I

“O uso dos celulares, no entanto, traz não apenas benefícios, mas em alguns casos, gera transtornos e dificuldades que poderão ser irreversíveis. Existe certa ‘ética’ quanto ao uso do celular, que não é explícita, mas oculta e imperceptível, a orientar a maioria das pessoas. Sabe-se, por exemplo, que em diversos locais públicos, é preciso desligar os celulares ou, na melhor das hipóteses, deixá-lo em modo de vibração, para que os demais presentes não sejam incomodados em caso de telefonema”.

Argumento II

“Nas escolas não é diferente. Em sala de aula, especificamente, o toque de um celular, ainda mais com a variedade de músicas e demais estilos (muitos deles cômicos) pode atrapalhar consideravelmente o andamento das ações previstas pelo professor. Isto, certamente, inclui a questão do envio de torpedos com mensagens de texto. Esta prática, ainda que silenciosa, tira o foco dos alunos e pode, em muitos momentos, ser utilizada para fins indevidos, como passar respostas em provas ou testes”.

“Outra preocupação com a modernização dos aparelhos, que estão se tornando cada vez mais verdadeiros ‘canivetes suíços’, é a tamanha profusão de recursos que ele oferece, como games, músicas, vídeos, fotos ou acesso a internet, se refere ao fato de que os alunos podem estar com fones de ouvido, escutando música e, com isso perdendo aula, não prestando atenção as atividades desenvolvidas pelos professores, por exemplo. Os alunos têm, também, utilizado os celulares para cometerem bullying, marcarem brigas, e em alguns casos para facilitar o comércio de drogas”.

Confrontos

“O uso debaixo das carteiras está longe da vista do professor e, certamente, isso não pode ser permitido, pois acarreta posteriormente a queda de rendimento, trabalhos não realizados, a falta de anotações de conteúdos e exercícios. Na hora do intervalo ou na mudança de professores (período entre uma aula e outra), é possível que alunos examinem seus celulares para verificar se há mensagens importantes ou telefonemas de retorno necessário. Todos os dias diversos confrontos entre professores e alunos ocorrem em sala de aula”.

Lado bom

“Não descartamos o uso deste equipamento, que está cada vez mais equipado, contando com recursos como câmeras (que fotografam e filmam com boa qualidade de som e imagem), gravadores de áudio, calendários, comunicadores instantâneos (envio de torpedos), calculadoras e tantas outras ferramentas – possibilitam a criação de projetos e ações pedagógicas que não podem e nem devem ser desprezadas. Entrevistas, criação de banco de imagens, gravação de minidocumentários, elemento de comunicação entre alunos e dos estudantes com os professores, envio de mensagens sobre dúvidas e avaliações, utilização de agendas dos celulares para organização da vida escolar, são algumas das possibilidades de trabalho com o celular em sala de aula. Há inúmeras outras que podem ser pensadas e criadas pelos professores, se transformando em projetos que, com certeza, serão bastante atraentes aos olhos dos alunos”.

Restrições

“Diante dos fatos, chegamos à conclusão de que o uso inadequado do celular deve sofrer algumas restrições. Alguns juízes já aplicaram multas aos pais de alunos por usarem celular em sala de aula. Leis como essa que multam, precisam estar mais próximas da direção da escola, tanto para permitir o melhor andamento das ações pedagógicas, para diminuir alguns crimes e, para ‘desligar’ um pouco os alunos do ritmo frenético em que vivemos. Solicitamos uma Lei Municipal para que ela dê às instituições de ensino autonomia para aplicação de multas financeiras ou ações pedagógicas aos educandos que utilizam mídias prejudicando a sua aprendizagem e dos demais, comprometendo também a credibilidade das escolas, educadores e o futuro da sociedade”.