Crianças menores de dois anos não devem ter acesso à mídias eletrônicas

O alerta já é mundialmente conhecido e em Botucatu a 6ª Semana do Bebê traz o tema "Por um mundo mais real e menos digital"

maria-auxiliadora-4Sidney Trovão
Maria Auxiliadora: “Se nós adultos não pararmos para pensar um pouco e mudar as atitudes, teremos no futuro uma sociedade egoísta”

O mundo digital está cada vez integrado com o mundo real. Há tecnologias incorporadas no nosso dia a dia que nem percebemos. Mas, é preciso tomar cuidado com a superexposição das crianças às mídias digitais, para que elas não pulem etapas importantes do seu desenvolvimento. Visando alertar pais e educadores, na noite desta segunda-feira (7) será realizada a abertura oficial da 6ª Semana do Bebê, que contará com uma palestra ministrada pela Dra. Maria Auxiliadora Gabarra, com o tema “Um mundo mais real e menos digital”. O evento também contará com a apresentação da Orquestra Jovem do projeto “Musicalizando”, do Joanna de Angelis.

A médica pediatra, Dra. Maria Auxiliadora, conversou com a equipe do Diário na tarde desta segunda para falar sobre como a exposição excessiva à mídias eletrônicas pode ser prejudicial para as crianças. “Aqui no Brasil o acesso a essas tecnologias ocorreu há pouco tempo, mas em países como Estados Unidos, Canadá isso já ocorre há mais tempo e é através dos estudos que eles realizam lá que nos baseamos aqui. A fase do zero aos três anos de idade é muito importante para todas as crianças, é quando eles adquirem o conhecimento concreto desse mundo real”, explica.

As previsões e expectativas não são boas quanto ao uso excessivo das mídias digitais, em grandes centros já existem terapias para dependentes tecnológicos. “Isso é muito sério e fica ainda mais grave quando falamos em crianças que iniciam esse contato logo no início da vida. Estamos percebendo que não há restrições, limitações que diferenciem o mundo da criança para o do adulto. Vivemos atualmente como na Idade Média, onde as crianças assumiam funções e responsabilidades de adultos, elas iam para o campo trabalhar e ajudar no sustento da família. Hoje em dia, as crianças estão imitando os hábitos dos adultos e se transformando num adulto pequeno, mas sem a formação necessária que o adulto teve”, destaca Dra. Maria Auxiliadora.

A Sociedade Americana de Pediatria e a Academia Canadense de Pediatria orientam que crianças menores de dois anos não devem entrar em contato com mídias digitais. “Quando nós falamos em mídias digitais, surge uma infinidade de produtos eletrônicos como celular, televisão, computador, entre tantos outros. Todos nós precisamos passar por etapas, e esse tempo precisa ser respeitado. A criança precisa conhecer o mundo, desenvolver a parte motora, depois a fala, a comunicação oral e assim por diante”, afirma a pediatra.

Outro problema frequente é o aumento de déficit de atenção. A velocidade com que as coisas mudam numa tela é muito grande e está cada vez mais difícil conseguir a atenção dessas crianças. “A dificuldade de concentração dessas crianças é muito grande. Nunca nós tivemos tantas crianças com distúrbios de atenção, elas não se fixam a nada, pois a tela é muito rápida. É o pensar que falta no desenvolvimento dessas crianças, mas isso é o que diferencia o ser humano dos outros, nós não somo robôs”, destaca.

Dra. Maria Auxiliadora afirma que não acredita num retrocesso tecnológico, até porque o mundo vem se consolidando dessa forma, porém ela destaca a importância dos pais e educadores acompanhar de perto o uso dessas mídias pelas crianças. “As crianças precisam de supervisão, de tutores quando utilizam essas tecnologias. Sabemos que tem casos em que as crianças passam horas em frente a televisão sem a supervisão de um adulto”.

Saber lidar com frustrações, problemas, derrotas é outro ponto que vem se perdendo nas novas gerações. “É fundamental saber vencer frustrações, pois isso nós passamos todos os dias. Se você chega a idade adulta com pouca experiência em vencer frustrações, você será uma pessoa infeliz. A gente nunca viu tanta criança depressiva, com transtornos de humor como agora”, explica.

Uma consequência já presente desse estilo de vida mais sedentário, dependente da tecnologia é a obesidade, que vem crescendo a cada ano. “Além do sedentarismo e da obesidade, notamos que as crianças estão cada vez menos criativas, pois o jogo já vem pronto, ela não cria nada, ela só precisa descobrir como fazer para passar de fase. Não existe mais a brincadeira de criar histórias, imaginar, com isso estamos interrompendo a fase do pensar dessas crianças”, destaca a pediatra.

Serviço

  • Palestra “Um mundo mais real e menos digital”
  • Local: Salão nobre do Colégio Santa Marcelina, a partir das 19h.
  • Entrada Gratuita
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