Às vésperas do Enem, estudantes precisam lidar com a ansiedade

Importância da prova deixa alunos com medo e pode atrapalhar o bom desempenho no exame

isadora-4SIDNEY TROVÃO
Isadora vai tentar manter a calma nos dois vidas de prova

Aos 17 anos, Isadora Rossato Sartori já decidiu que será veterinária, e a jornada para realizar o sonho começa nesse final de semana, quando pela primeira vez ela prestará o Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio. A estudante sabe que a prova é determinante para ingressar em uma faculdade pública e, por isso, desde o começo do ano, tem dedicado seus dias aos estudos. “Eu estudo o máximo que posso para aprender tudo que preciso para a prova. Minha dificuldade é matemática e até por isso busquei aulas complementares para garantir bom desempenho no exame”, explicou a estudante.

Por ser a primeira vez que Isadora encara o Enem, a ansiedade é grande. Mas a aluna busca apoio na família para manter a calma. “Eu já fiz uns simulados e sei que não fui muito bem. Tento ficar o mais tranquila que posso, mas é difícil. Espero que durante a prova eu consiga me controlar e fazer todas as questões com muita atenção”, salienta.

A ansiedade de Isadora é comum entre os jovens. O Diário consultou um psicólogo que desde 2003 trabalha com jovens pré-vestibulando, o qual explica que a cobrança da família ou sociedade e a exaustão de estudos pode interferir no desempenho do aluno. Por isso, ele defende que o estudante desenvolva atividades que o faça relaxar, mas não só às vésperas da avaliação, mas o ano todo.

“Penso que um preparo emocional efetivo é aquele realizado ao longo de um processo, seja ao longo do Ensino Médio ou durante todo o ano de cursinho pré-vestibular. Grupos psicológicos, trabalhos corporais como yoga e outras atividades físicas integradoras, tutorias com professores tutores e ambientes escolares e familiares saudáveis são decisivos nessa trajetória. Existem escolas e cursinhos que se parecem com câmaras frias de supermercados, caixotes de concreto e ar condicionado sem janelas, onde se propagam diuturnamente que só é possível passar nos vestibulares com ‘sangue, suor e lágrimas’”, explica Rodrigo Ballalai.

Rotina de estudos em salas de aulas fechadas pode desestabilizar estudantesSIDNEY TROVÃO
Rotina de estudos em salas de aulas fechadas pode desestabilizar estudantes

O psicólogo ainda defende que para uma prova como o Enem, o aluno precisa se avaliar e não deixar o medo e a ansiedade tomar conta de sua mente na hora da prova. “Sempre digo aos jovens que acompanho para não terem medo de ter medo. Ou seja, poder assumir seus sentimentos de medo, nervosismo, ansiedade e incerteza às vésperas de uma avaliação não os fragiliza, e sim abre espaços mentais para que possam elaborar estratégias pessoais de enfrentamento. Uma atitude muito importante é uma avaliação generosa de si próprio. Tendemos, numa reta final, a pensar muito naquilo que deveríamos ou que gostaríamos de ter feito, porém sempre fazemos aquilo que conseguimos de fato realizar”, salienta.

Para acalmar os estudantes para a prova do final de semana, o Diário pediu ao doutor Rodrigo orientações de como fazer o teste com mais calma. “Poderia ‘prescrever’ trechos de duas canções que gosto bastante e me parecem muito apropriadas para nossos queridos vestibulandos nesse momento: “Faço o melhor que sou capaz só pra viver em paz”, de O vencedor, do Los Hermanos.

“Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz/ Coragem, coragem, eu sei que você pode mais”, de Por quem os sinos dobram, de Raul Seixas.

Veja também: