Aluno de Ciências Biomédicas vence Desafio Empreenda Botucatu

Vinicius Barco atua em projeto que busca tratar diabetes através de nanopartículas

Divulgação

Um projeto que envolve o tratamento de diabetes através de nanopartículas foi o grande vencedor do Desafio Empreenda Botucatu 2017. A apresentação final (pitch) foi realizada na noite desta quarta-feira (29), dentro da 1ª Rodada de Empreendedorismo e Inovação do Parque Tecnológico Botucatu, promotor da iniciativa através do Núcleo de Empreendedorismo e Inovação (NEI), em parceria com o Escritório Regional do Sebrae – Botucatu e Escola de Negócios Sebrae – SP. Neste ano as instituições de ensino participantes foram a Unesp e Fatec Botucatu.

Os encontros do Empreenda Botucatu deste ano começaram no mês de agosto, com a capacitação de professores no âmbito do empreendedorismo. Na sequência foram organizas palestras de sensibilização junto aos alunos e professores das universidades envolvidas, oficinas para estimular a elaboração de projetos inovadores, além de seções de mentoria, seleção dos cinco melhores projetos [veja abaixo] e a preparação ao pitch final.

Os cinco projetos finalistas foram avaliados por uma banca composta por representantes de instituições, empresas e outros parceiros do programa: Adriano Albertin, consultor da Escola de Negócios “Dr. Alencar Burti” – Sebrae-SP; Eduardo Rocha, membro do Conselho Estratégico do Instituto Inova São Carlos; Érika Roberta Morales, co-fundadora e sócia proprietária da Solutudo, empresa do ramo de TI&C; Fernando Tobgyal, mentor e agente do Programa Inovativa; Paulo Ribolla, diretor científico do Parque Tecnológico Botucatu; e Carolina Fuga, gestora da Rede Yunus de Universidades, fundadora da 4You2, negócio social que promove ensino de idiomas e criadora da Baobba, pioneira no modelo de “Empresas Livres”.

O desafio para cada “empresário” era o de convencer os membros desta banca, no tempo máximo de três minutos, que o projeto deles era o mais viável e melhor estruturado a receber possíveis financiamentos e, assim, pudessem ser tirados do papel. Os três melhores projetos selecionados recebem troféus e a permissão de compartilhar uma estação de trabalho no novo Espaço CoWorking do Parque Tecnológico. Também terão 20 horas de mentoria, 100% subsidiada pelo Sebrae-SP, e a chance de participar do Startup World, feira organizada pelo Sebrae que ocorrerá em abril de 2018, em São Paulo.

Ideia, ciência e produto

A ideia de negócio, premiada com a primeira colocação, foi apresentada pelo jovem Vinicius Barco (18), aluno do primeiro ano do curso de Ciências Biomédicas do Instituto de Biociências (IB) da Unesp Botucatu. Ele faz parte de um projeto de pós-doutorado de Rafael Bottaro Gelaleti, da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) e que, além destas duas instituições, também envolve profissionais da Universidade Federal do ABC e de um laboratório da Universidade Federal de Goiás.

O trabalho tem sido conduzido há três anos e busca o tratamento com nanopartículas magnéticas, revestidas com N-acetilcisteina, durante a gestação de ratas diabéticas e seus recém-nascidos. A principal virtude desta inovação é melhorar a eficiência do tratamento e reduzir o número de aplicações do medicamento, o que implicaria menor estresse do paciente.

Segundo os envolvidos, já foram investidos, via agências de fomento como Fapesp e CNPq, mais de R$ 200 mil no projeto, que tem potencial de, no futuro, beneficiar humanos. “Estamos na fase experimental, testando em ratas de laboratório. Porém, antes de chegar a testar em humanos, o que pode levar cerca de dez anos, precisamos passar por várias fases em diferentes modelos animais. Mas estamos otimistas porque o projeto já tem dado respostas bastante positivas”, explica Gelaleti.

Para Barco, que também integra o IBBJr (empresa júnior formada por alunos de Ciências Biológicas, Ciências Biomédicas e Física Médica do IB/Unesp), a participação no Empreenda Botucatu, foi uma experiência que ele levará por toda a vida. “Foi tudo bastante intenso, mas que com certeza abriu minha mente a novas opções no futuro que vão além do diploma”, afirma.

Na avaliação do diretor executivo do Parque Tecnológico Botucatu, Carlos Alberto Costa, o programa Empreenda Botucatu, apesar de estar na sua segunda edição, já se tornou um política a ser mantida pelos próximos anos. “O que chamou a atenção foi a qualidade dos projetos apresentados, que têm potencial de serem lapidados e serem transformados em grandes empreendimentos E é justamente essa a finalidade do nosso Núcleo de Empreendedorismo e Inovação: estimular que novas ideias, que estão surgindo nas nossas universidades, possam virar negócios que melhorem a vida das pessoas”, argumenta.

Projetos finalistas do Empreenda Botucatu 2017

1º lugar: Tratamento com nanopartículas magnéticas revestidas com N-acetilcisteina durante a prenhez de ratas diabéticas e seus recém-nascidos

2º lugar: Margaret – Soluções em Bioinformática

3º lugar: Zinc biosensor – device to classify ophidian accidents

(Com assessoria IB/Unesp – 4t)