Concorrendo com 2500 bailarinos, botucatuense de 10 anos é aprovado no Bolshoi

Lucas Martins fraturou o braço em 2015 e não pode participar da seletiva no ano passado, mas ele afirma que assim teve mais tempo de estudar e se dedicar para ser aprovado neste ano

Lucas Martins foi aprovado pela escola Bolshoi, maior referência em balé do mundoSidney Trovão
Lucas Martins foi aprovado pela escola Bolshoi, maior referência em balé do mundo

Desde os quatro anos Lucas Antonio Lima Martins pratica dança. Iniciou com aulas de sapateado, depois jazz e sua desenvoltura chamou a atenção da professora de balé Yasmin Eduarda. “A professora Yasmin perguntou aos meus pais se teria algum problema em eu fazer balé, eles responderam que não, foi quando comecei o balé”, conta Lucas.

Aos 10 anos, seis deles praticando dança Lucas conseguiu dar um passo importante para a sua formação artística e profissional: foi aprovado na Escola de Balé do Bolshoi, localizada em Joinville, Santa Catarina. Esta é a única unidade da escola fora da Rússia.

“Eu fiquei sabendo do teste porque a professora enviou no grupo e eu falei para minha mãe que eu queria tentar. A primeira fase foi em Bauru e a segunda em Joinville”, afirma. Ao todo foram 2500 inscritos para 48 vagas. Na segunda fase participaram cerca de 600 bailarinos. A formação no Bolshoi pode durar de cinco a oito anos. “O máximo que podemos ficar é oito anos na escola, mas no quinto ano é feita uma avaliação para ver se você tem condições para continuar. Após esse período a gente tem a oportunidade de ingressar na Companhia Jovem do Bolshoi, que percorre o mundo com apresentações, ou até mesmo durante o período na escola ser escolhido por alguma companhia para continuar os estudos em outro país”, relata o pequeno bailarino, que não esconde o desejo de morar fora.

A professora Yasmin é só orgulho com o aluno prodígioSidney Trovão
A professora Yasmin é só orgulho com o aluno prodígio

A professora Yasmin Eduarda é só orgulho com o aluno prodígio. “A escola inteira vibrou com a aprovação dele. Eu acho que vai ser um orgulho muito grande para sempre. O Lucas desde o começo, a gente sempre soube que ele era uma criança diferenciada, ele sempre se destacou muito. Ele tem muita disciplina, é muito focado, além de ter facilidades físicas que ajudam muito no balé”, afirma a professora.

Lucas já tinha se inscrito para a seleção do Bolshoi em 2016, mas ele fraturou o braço pouco tempo antes das provas e teve que desistir, mas não pense que ele parou de dançar por conta disso. “Eu dançava com o gesso, mas para a prova do Bolshoi não dava para ir de gesso. Mas aí eu tive mais tempo para treinar e aperfeiçoar para prestar a prova esse ano”, destaca.

Nem o braço quebrado, nem o bullying na escola fizeram com que Lucas desistisse do seu sonho. “Nós sabemos que, principalmente os meninos quando fazem balé, acabam sofrendo bullying. Aqui em Botucatu passamos por isso, não na escola atual, mas precisamos trocar o Lucas de escola por conta de bullying, isso é muito problemático. Ainda bem que ele sempre se defendeu, sempre se manteve firme no que ela gostava e acreditava”, relata Márcia Lima, mãe de Lucas.

Sonho vivido pelos pais

Márcia Maria Ferreira Lima, mãe de Lucas, conta que está dando todo o apoio necessário para o filho realizar o sonhoSidney Trovão
Márcia Maria Ferreira Lima, mãe de Lucas, conta que está dando todo o apoio necessário para o filho realizar o sonho

Não é somente o Lucas que está vivenciando um sonho. Seus pais também estão curtindo, aprendendo e apoiando as decisões do filho. Lucas é filho único e veio após 20 anos de casamento, agora os pais estão aprendendo a lidar com a distância.

“O Lucas muda para Joinville no ano que vem, as aulas começam em fevereiro, mas eu e o pai dele vamos continuar aqui em Botucatu. Lá em Joinville, o Lucas ficará na casa de uma mãe social, recomendada pela própria escola. Ela tem um filho na idade do Lucas que é aluno do Bolshoi também”, conta Márcia Maria Ferreira Lima, mãe de Lucas.

Os pais não sabiam ao certo como funcionava essa questão da mãe social, tinham receio de como era o relacionamento dela com crianças. “Quando conhecemos essa senhora, vimos que ela tinha bastante qualidade, tinha um bom relacionamento com crianças. Aí ficamos mais felizes e tranquilos, aliás ela nos ajudou com várias coisas, nos indicou uma escola próxima ao Bolshoi para o Lucas estudar”, conta Márcia.

Mas, a decisão de deixar o filho morar em outro estado gerou estranheza e crítica de muitas pessoas. “Teve gente que estranhou no início e criticou o fato de não mudarmos para lá, e deixarmos ele com a mãe social, mas nós fomos conhecer tudo lá é muito estruturado e estaremos de perto acompanhando tudo. Tudo tem regras, no Bolshoi, na casa da mãe social. Acho que para mãe e para o pai vai ser mais difícil, porque para ele no início vai ser tudo novidade”, afirma.

Lucas conta que já passou um dia longe dos pais. “Fiquei longe dos meus pais só um dia, num acampamento, foi bem tranquilo porque tinha um monte de brincadeiras”, afirma.

Todos os colegas na escola estão orgulhosos do mais novo bailarino da escola BolshoiSidney Trovão
Todos os colegas na escola estão orgulhosos do mais novo bailarino da escola Bolshoi