Quem doa sangue ajuda a salvar mais de 4 vidas

Sangue não tem substituto e por isso é imprescindível para pacientes internados

De casa bolsa é possível retirar quatro hemocomponentes sidney trovão
De casa bolsa é possível retirar quatro hemocomponentes

Você já deve ter ouvido falar em propagandas a seguinte expressão: “doe sangue, doe vida”. A frase é usada como tema de campanhas para chamar doadores de sangue para todo o país, mas o fato é que essa expressão não está tão correta assim. Isso porque de cada bolsa de sangue doada, é possível retirar até oito componentes utilizados das mais diversas formas em pacientes internados ou não em hospitais. “Quando falamos em quatro vidas salvas, estamos nos referindo de forma geral, porque conseguimos dividir essa bolsa em muito mais. Na primeira etapa, separamos as plaquetas, as hemácias, o Crio (Crioprecipitado) e o plasma. Aí, do plasma separamos vários outros componentes”, explica Silvio Luiz Neves, diretor do Hemocentro de Botucatu.

O plasma recolhido das bolsas pode ser usado em sua forma natural, ou ainda industrializado. “Quando mandamos para industrialização, conseguimos produzir quatro tipos de hemoderivados, que são utilizados em vários tratamentos, como hemofilia ou queimaduras, por exemplo”, completa Silvo.

Silvio defende que doações deve ser constantessidney trovão
Silvio defende que doações deve ser constantes

Por isso, é tão importante manter a doação constante de sangue ao hemocentro. “O sangue não tem substituto. Nada artificial pode ser usado. O sangue é único e por isso precisamos ter o estoque alto. E como ele é complexo, não serve um tipo de sangue só. Nosso sistema é bem complexo e aceita o sangue apenas da mesma tipagem e rh”, explica o coordenador do Hemocentro de Botucatu.

Hoje, o Hemocentro de Botucatu recebe sangue de botucatuenses e também de pessoas de toda a região, que vêm até o Hospital das Clínicas para visitar ou acompanhar pessoas internadas. Aliás, a maioria das doações para o Hemocentro são de pessoas da região. “Os botucatuenses não têm constância para doar, até porque muitas pessoas fazem seus atendimentos de saúde em hospitais particulares, e como lá não tem coleta de sangue, eles não se lembram de procurar o Hemocentro. Já os acompanhantes aproveitam o tempo que estão na cidade para ajudar o parente que está internado”, explica Silvio.

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Gislene diz sangue tem validade e por isso estoque precisa ser renovado sempre

E mesmo com a rotatividade de pacientes no HC, a balança doadores e receptores está em desequilíbrio. “Todo o sangue processado no Hemocentro atende ao HC, sete agências transfusionais, além de 68 cidades da região. Com essa quantidade de doações que estamos recebendo nos últimos dias, não conseguimos manter direito nem nosso estoque para funcionamento normal do HC, muito menos entregar sangue para os hospitais da região. Geralmente, esses hospitais vem às quintas-feiras buscar suas bolsas, aí nós temos que limitar as quantidade para não ficar sem. E a consequência de todo esse processo é o cancelamento de cirurgias, tanto em Botucatu, como em todos hospitais dependentes de nossa rede”, explica Gislene Mastranjo de Oliveira, farmacêutica e bioquímica do Hemocentro.

Além da dificuldade de bolsas, o Hemocentro lida com outro problema, a validade do sangue. Dependendo do componente retirado da bolsa, a validade é de apenas 5 dias. “Por isso que nós lutamos para ter constantemente a média de 60 doadores. Não adiante em um dia vir 200 e no restante do mês não vir ninguém. Vai faltar sangue do mesmo jeito”, completa o diretor da unidade.

O Hemocentro recebe os doadores de segunda a sexta-feira, das 8 às 16 horas, e aos sábados, das 7 às 12h30.

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