Protetora lista problemas da cidade pela causa animal

De acordo com Juliana Fávero, que atua com resgates há cinco anos, o município ainda precisa resolver desde situações estruturais, como um espaço destinado para bichos resgatados

familiaArquivo Pessoal
Com a família, Juliana (à direita) apresenta seus seis cães, todos resgatados

“Uma nova história, um recomeço”. Essa é a definição da botucatuense Juliana Fávero sobre os resgates de animais que faz na cidade. Dedicada à causa há pelo menos cinco anos, Juliana atua como protetora independente em tempo integral. “Cada hora estou resolvendo um caso”, conta.

Segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde, no Brasil há cerca de 30 milhões de animais abandonados. Uma realidade que, para ser mudada, ainda enfrenta muitos obstáculos. Em Botucatu, Juliana lista desde problemas estruturais, como um espaço na cidade destinado para abrigar bichos resgatados, até a ampliação de ações de castração gratuita nos bairros.

A Maria Clara, filha da Juliana Fávero, tem um ano e cinco meses e já está aprendendo o amor aos animaisArquivo Pessoal
A Maria Clara, filha da Juliana Fávero, tem um ano e cinco meses e já está aprendendo o amor aos animais

“Muitas coisas precisam mudar. Para diminuir o número de animais abandonados eu luto diariamente por castração, castrar é um ato de amor e só assim iremos diminuir o número de cães; também precisamos de um espaço para abrigar animais resgatados, que hoje Botucatu não tem; de atendimento veterinário gratuito para pessoas de baixa renda e para doenças simples de curar, como sarna”, coloca a protetora. “Precisamos de apoio da prefeitura e órgãos competentes. Cada vez está mais difícil resgatar animais, os protetores estão lotados, passando por dificuldades e o número de abandonos está crescendo muito”.

Para contribuir com a mudança dessa realidade, Juliana trabalha com os resgates. “Meu trabalho como protetora independente é resgatar um animal que vejo ou que me falam, levo ao veterinário, algumas vezes consigo dar lar temporário (em minha casa) ou amigos da causa abrem a porta de suas casas para abrigar. Se não for castrado providencio e, depois que o animal estiver 100% irá para adoção responsável, daí levo às feirinhas até encontrar um lar”.

Ela completa que o trabalho só funciona graças à ajuda que recebe. “Esses resgates só são possíveis graças às pessoas que tenho em minha página da rede social que se sensibilizam com os casos e ajudam financeiramente. Também tenho alguns amigos que me ajudam mensalmente”. ONG’s e grupos de proteção animal da cidade também colaboram, ela conta. E, como os gastos com os resgates não são poucos, ela ainda admite que faz bazar para quitar as contas. Isso além do seu trabalho profissional, que hoje também envolve animais: Juliana é táxi pet.

O resgate mais emocionante

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“Esse ano fiz um resgate com a protetora independente Luciana Cruz no bairro Altos da Serra. Era um cão machucado, totalmente agressivo, e acionamos o canil, porque foi preciso usar equipamentos próprios para o resgate.

Após o resgate ser feito, direcionei ele para uma clínica parceira, onde ficou em tratamento durante 50 dias. Quando recebeu alta, minha irmã conseguiu um lar temporário, e ele ficou lá durante seis meses, mas não deixava pegar no colo, gritava quando recebia carinho em seu corpo – só para colocar a guia nele levei semanas.

Aos poucos, ele foi entendendo que eu só queria ajudar. Consegui levá-lo nas feirinhas do grupo ARCA para mostrar a ele que as pessoas não são todas iguais e que o que ele viveu jamais passaria novamente.

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Traumatizado com o ser humano, acredito que apanhou muito nas ruas e que nunca teve um lar. Depois de todo esse período, e eu sempre acreditando que alguém iria aparecer para adotá-lo, após seis meses uma amiga da causa animal conseguiu uma família que o acolheu. Hoje ele está muito bem, depois de 15 dias já era outro animal, late, brinca com as crianças e chora pedindo carinho!”, conta a protetora Juliana Fávero.

Existem várias formas de ajudar os bichos abandonados. Você pode:

  • Adotar um animal;
  • Contribuir com ONG’s e protetores;
  • Oferecer sua casa como lar temporário até um animal resgatado encontrar uma família;
  • Ajudar os protetores compartilhando seus pedidos nas redes sociais;
  • Adquirir produtos para o seu pet de instituições que ajudem abrigos.

 

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