Plaquetas e medula também precisam de doadores

Para se tornar doador é preciso fazer cadastro e exames prévios

Nesta semana no Diário trouxe uma série de reportagens sobre a doação de sangue, a rotina e o estoque do Hemocentro. E para finalizar a semana do Doador de Sangue, também precisamos falar das outras doações que o Hospital das Clínicas necessita, a de plaquetas e de medula.

Se doadores de sangue já está difícil de conseguir, de plaquetas e medulas mais ainda. Isso porque muita gente desconhece como se tornar um doador, além de existir alguns mitos relacionados às duas doações. Por isso, o Diário conversou com o diretor do Hemocentro, Silvio Neves, para explicar como funcionam os dois procedimentos.

Doação de plaquetas é feita nesta sala, por máquinas que filtram o sangueSidney Trovão
Doação de plaquetas é feita nesta sala, por máquinas que filtram o sangue

Primeiro, vamos falar da doação de plaquetas. As plaquetas são um dos componentes do sangue e podem ser captadas de duas maneiras. A primeira é da forma convencional, através da doação de sangue. Quando é feita a separação dos hemocomponentes da bolsa, é possível colher entre 40 e 60 ml de plaquetas. O problema é que, no geral, um paciente precisa de cerca de 250ml. Ou seja, é preciso de 5 a 6 bolsas de sangue, todas com a mesma tipagem e rh, para conseguir encher uma bolsinha.

Por isso, existe a doação apenas de plaquetas. Através desta doação é possível colher os 250 ml todos de um único paciente. O procedimento demora cerca de uma hora e meia e é todo feito através de uma máquina. Parte do sangue é retirado, passa pela filtragem em uma máquina, as plaquetas são removidas e o sangue volta para o doador. “Desse jeito é mais prático para nós porque aí as plaquetas são todas da mesma pessoa e não há incompatibilidade em momento algum”, salienta Silvio.

As plaquetas tem um tempo de reposição muito rápido e por isso a sua doação pode ser mensal. O problema é que as pessoas desconhecem esse procedimento e por isso é menor o número de doadores. “A vantagem é que a reposição é rápida e podemos acionar nossos doadores em uma eventual emergência”, salientou o diretor do hemocentro.

Já a doação medula é feita por outro modo. O doador precisa se cadastrar e colher amostras de sangue para avaliar a compatibilidade com o receptor. “Hoje, a doação de medula aqui do HC é feita apenas em centro cirúrgico. O paciente precisa tomar anestesia geral e se recupera como se tivesse passado por uma cirurgia. O que nós colhemos aqui pelo Hemocentro é medula de pacientes que estão em tratamento contra alguns tipos de cânceres”, explica Silvio.

No caso dos pacientes, o que o Hemocentro faz é colher a medula do paciente que irá passar por um processo de quimioteparia, tratar essa medula e depois congelar. Assim que o paciente passa pelo procedimento, a medula tratada é novamente implantada. “Nesta situação, o procedimento dura mais de um mês e o paciente fica o tempo todo internado. Usamos esta técnica, geralmente, em pacientes em tratamento de leucemia”, afirma Silvio.

Porém, para o próximo ano, o Hemocentro quer implantar esse segundo tipo de coleta de medula para doadores que não estão doentes. “Ainda é um estudo, mas se isso acontecer, vai ser mais fácil o transplante de medula”, salienta.

Para se tornar doador de medula ou plaquetas é preciso que o candidato vá até o Hemocentro para realizar seu cadastro e também fazer os exames necessários. Os dois procedimentos são indolores.