MSL se organiza para medir terrenos e lutar por condições de moradia

Acesso a ligações de água e luz e transporte escolar para as crianças são algumas das reivindicações

Barracos pertencentes a algumas das 49 famílias atuais que integram o MSL na região de BotucatuSidney Trovão
Barracos pertencentes a algumas das 49 famílias atuais que integram o MSL na região de Botucatu

O Movimento Social de Luta (MSL) da região de Botucatu está alocado no Jardim Centenário há quase um ano. Durante todo o tempo de assen­tamento os moradores do local comentam que nenhuma autoridade do poder público esteve presente para articular alguma possível solução. Agora, eles tentam en­contrar uma maneira de fazer a medição de cada um dos terrenos para que os dados sejam leva­dos até a Prefeitura Mu­nicipal como tentativa de aquisição de ligações de água e luz.

De acordo com infor­mações prestadas pelos próprios integrantes do Movimento, os barra­cos foram construídos em terras pertencentes à União, desta forma, a responsabilidade não é diretamente da Prefei­tura Municipal. O que o poder público local pode fazer é intermediar uma possível solução entre os moradores e a União, mas até então, nada foi feito.

Como forma de dar mais um passo para a conquista de um espaço de terra, algumas pes­soas das 49 famílias, juntamente com as co­ordenadoras atuais do movimento, estão se or­ganizando para realizar a medição dos terrenos.

As coordenadoras do MSL de Botucatu, Dona Conceição e Carla Moreira, falam sobre as medições dos terrenos que vão entregar na Prefeitura MunicipalSidney Trovão
As coordenadoras do MSL de Botucatu, Dona Conceição e Carla Moreira, falam sobre as medições dos terrenos que vão entregar na Prefeitura Municipal

“O que nós mais esta­mos precisando, e já es­tamos correndo atrás, é da medição. Depois que nós conseguirmos medir nós levaremos até a Pre­feitura para ver se con­seguimos puxar água e luz e ter direito a um endereço fixo”, explica uma das coordenadoras do MSL, Carla Moreira.

Segundo ela, a fal­ta de um endereço fixo tem interferido até mes­mo na hora de procu­rar um emprego. “Nós somos muito criticados por morar no ‘sem terra’. Quando nós vamos pro­curar emprego todos fa­lam que precisam de um endereço fixo e nós não temos como passar. Eu estou dando o endereço da casa do meu pai para ver se eu consigo algum emprego e ter condições um pouco mais adequa­das, mas tudo para nós é difícil”, lamenta.

AUSÊNCIA DE CONDIÇÕES BÁSICAS DE MORADIA É A PRINCIPAL RECLAMAÇÃO DE MEMBROS DO MSL

Maria de Souza Martins lamenta pela falta de transporte escolar para seus filhos pequenosSidney Trovão
Maria de Souza Martins lamenta pela falta de transporte escolar para seus filhos pequenos

Maria de Souza Martins e Nilton César Vieira são mem­bros do Movimento Social de Luta de Botucatu desde o seu início. Eles comparti­lham outros problemas que encontram por morarem de maneira irregular.

“Os ônibus escolares já avisaram que não vão vir até aqui, sendo que esse é um direito das crianças. O meu filho vai começar a estudar e eu vou ter que le­var e buscar ele na escola. A mesma coisa vai aconte­cer com o meu filho menor, que eu vou ter que levar cedo na escola lá do [bairro Residencial] Caimã”, expõe Maria de Souza Martins.

“O que eu mais espero é que o poder público possa fazer a regularização dos lotes”, afirma Nilton César VieiraSidney Trovão
“O que eu mais espero é que o poder público possa fazer a regularização dos lotes”, afirma Nilton César Vieira

Já para Nilton César Vieira, a maior necessida­de é a regularização das terras para viver com um pouco mais de comodida­de. “O que eu mais espero é que o poder público possa fazer a regularização dos lotes, porque na verdade a construção das casas nós vamos conquistando com o tempo. Só de não ter que pagar aluguel e ter um lu­gar para construir o barra­co já dá uma melhorada na vida das pessoas”.

Em contrapartida, ou­tra coordenadora do MSL, Dona Conceição, como é popularmente conhecida, mostra-se inconformada com o perfil socioeconô­mico das pessoas contem­pladas pelo governo com casas populares. “A nossa expectativa é conquistar o básico, que é a moradia para o povo. Porque quan­do saem essas casinhas em Botucatu dá para ver que quem ganha são pessoas que não necessitam e que têm salários altos. Os mais necessitados ficam para trás. No [bairro Residen­cial] Caimã mesmo, teve gente vendendo as casas e trocando por carros. É uma injustiça total”.

SEGUNDO SECRETÁRIA, CRAS ESTÁ ATENDENDO INTEGRANTES DO MSL

Procurada para esclarecer o posicionamento da Prefei­tura Municipal de Botucatu quanto à situação dos mora­dores do assentamento do Movimento Social de Luta (MSL), a secretária de Cida­dania e Desenvolvimento Social, Sílvia Fumes Carvalho afirmou que o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) do setor oeste da cida­de, localizado no distrito de Rubião Júnior, está realizan­do um atendimento indivi­dual a cada uma das famílias do MSL. Além disso, também está sendo realizado um le­vantamento de quais mora­dores possuem o direito de receber o auxílio do progra­ma Bolsa Família.

MOVIMENTO SOCIAL DE LUTA REGISTRA QUEDA NO NÚMERO DE FAMÍLIAS

De acordo com Carla Moreira, coordenadora do MSL, em março do ano passado, quando os participantes do Movimento se instalaram no Jardim Centenário, o número de famílias era de cerca de 179, atualmente são 49.

“Diminuiu porque a maioria das famílias era de trabalhadores rurais, então cada uma foi indo para um canto”, conta a coordenadora.

Mesmo com a diminuição do número de pessoas, Carla comenta que as dificuldades aumentaram, já que o desemprego é muito recorrente no assentamento. “Tem muitas famílias desempregadas, então o que nós mais precisamos é de doações de mantimentos”.