Febre amarela: botucatuenses não precisam se preocupar

Segundo Vigilância Epidemiológica, a maioria da população foi imunizada contra a doença e por isso não há riscos de haver epidemia

Os casos crescentes de febre amarela em Minas Gerais têm gerado preocupação em todos os brasileiros nas últimas semanas. No estado de São Paulo, já foi confirmada uma morte no final do ano passado e por isso muitas cidades decidiram fazer campanhas de vacinação contra a febre amarela para frear uma possível epidemia da doença.

Enquanto na maioria das cidades a situação é de alerta, em Botucatu as pessoas não tem com o que se preocupar, segundo informou o Núcleo de Vigilância Epidemiológica. É que aqui foram feitas campanhas de imunização recentemente e a maioria da população já está imune ao vírus.

Mais de 90% da população já foi vacinada contra a febre amarelaDivulgação
Mais de 90% da população já foi vacinada contra a febre amarela

“Não há motivos para preocupação em relação a uma epidemia. Isso porque a cobertura vacinal no Município ultrapassa os 90%. Para se ter ideia, de 1999 a 2009, mais de 127 mil doses contra febre amarela foram aplicadas. Somente em 2009, ano quando foi realizada intensa campanha, foram 118 mil doses. Em 2015 foi realizada uma nova campanha de intensificação, quando foram aplicadas 9.105 doses. Já no ano passado foram 6.628 doses”, explicou a Vigilância através de nota.

Em 2009, devido ao risco de epidemia, foi realizada uma campanha para imunizar toda a população. Na época, 22 pessoas contraíram a febre amarela na região e uma mulher morreu após tomar a vacina. Apesar dos casos, o surto logo foi controlado.

A vacina de febre amarela tem cobertura de dez anos e só quem tomou o medicamento há uma década deve procurar uma unidade de saúde para reforçar a prevenção. Para quem a vacinação não completou dez anos, não é preciso repetir a dose.

Ainda de acordo com a Vigilância, quando a pessoa recebe duas doses da vacina, não precisa mais renovar a imunização a cada dez anos. “A exceção fica por conta das crianças menores de 5 anos. Neste grupo, a primeira dose pode ser dada a partir dos 9 meses e o reforço aos 4 anos”, informou a nota.

A Vigilância Epidemiológica também explica que se a pessoa tem dúvida com relação a imunização contra a febre amarela deve procurar uma unidade básica de saúde, com a carteirinha de vacinas, e fazer a atualização, se necessário.

“Este procedimento é recomendado principalmente àqueles que pretendem viajar para cidades/regiões onde há presença da endemia, como no caso atual do Estado de Minas Gerais. Neste caso, a vacina deve ser aplicada pelo menos 10 dias antes da viagem”, completou a nota.

Entenda o que é a febre amarela

Na cidade, aedes é o responsável por transmitir a febre amarelaReprodução
Na cidade, Aedes é o responsável por transmitir a febre amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores. Geralmente, quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias.

A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.

A febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus.

Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano.