Viaduto de Botucatu entra no pacote para garantir reforma da previdência

Presidente orienta ministros a abrir os cofres para garantir os 330 votos necessários para a aprovação da Reforma da Previdência. E o viaduto sonhado por Botucatu pode estar sendo utilizado como forma de pagamento

ASSESSORIA PMB
O ministro dos transportes, Maurício Quintella e a comitiva de lideranças da região que participou da audiência em Brasília, ontem (9) a tarde

A novela é daquelas grandes. A batalha começou há quase 20 anos, quando lideranças políticas de Botucatu e da região começaram a se movimentar para tentar mudar o panorama urbano de uma cidade dividida pela estrada de ferro, com apenas dois caminhos ligando o chamado Bairro, região acima da estação ferroviária e a região central da cidade: o pontilhão da Fepasa e o viaduto Bento Natel.

Os pensadores do planejamento urbano botucatuense sonharam com duas novas ligações, que só poderiam ser realidade com a construção de dois viadutos: um ligando o Jardim Paraíso ao Jardim Cristina e outro entre a Vila Antártica e a Vila São Luiz/Recanto Azul.

O primeiro parecia mais necessário e útil, principalmente por ter em seu contexto todo o movimento gerado pelo campus da Unesp da Fazenda Lageado, que ficaria mais acessível com a construção de um novo caminho. E foi nessa direção que todos os esforços políticos foram concentrados nos últimos anos.

Todo esse esforço político parece estar chegando ao seu momento final. De acordo com o jornal Folha de SP, em reunião na segunda-feira (8) o presidente determinou aos seus ministros que privilegiem a liberação de verbas para pagar emendas de 330 deputados que se comprometerem a votar a favor da Reforma da Previdência .

Ontem à tarde, em Brasília, o ministro dos transportes, Maurício Quintella, confirmou que as obras do viaduto que ligará o Jardim Paraíso com o Jardim Cristina terão início no prazo máximo de 90 dias. A obra deverá ser executada pela empresa Contersolo, que venceu a licitação realizada em 2014 e até agora aguardava a ordem de início dos serviços.

O anúncio foi feito durante audiência agendada pelo deputado federal Milton Monti (PR) e que também contou com a presença do prefeito de Botucatu Mário Pardini (PSDB), do vice-prefeito André Peres, do deputado estadual Fernando Cury e do secretario municipal de habitação e urbanismo, José Carlos Broto.

Há três anos, quando aconteceu o processo licitatório, o viaduto, que possui 140 metros de extensão, teve seu preço estipulado em R$ 12 milhões. O prazo previsto em contrato para a execução da obra é de 18 meses.

De acordo com comunicado feito pela secretaria de comunicação da prefeitura de Botucatu, o prefeito Mário Pardini comemorou a confirmação do investimento como uma grande conquista da população botucatuense.

“O mérito é do povo de Botucatu. Essa é uma conquista de muitas mãos, como já falamos à exaustão. Trata-se de uma obra viária importante, que além de promover maior fluidez ao transido em nossa cidade, gerará oportunidade de emprego e renda”

 

Obra virou uma disputa política  entre Milton Monti e João Cury

Nos últimos meses, quando começou a se desenhar para 2018 uma disputa eleitoral entre o atual deputado federal Milton Monti (PR) e o ex-prefeito João Cury Neto, atual presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE-SP), vários movimentos aconteceram envolvendo os dois protagonistas para tentar garantir a paternidade da obra.

João Cury foi à Brasília algumas vezes, se reuniu com ministros e outros parlamentares, tentando garantir a liberação do investimento sem a participação do deputado federal Milton Monti. Foi em seu primeiro mandato que o processo de conquista da obra começou a se formalizar, com a liberação de recursos para o projeto.

Na época, Cury e Monti ainda eram aliados na política regional, parceria que começou a ruir nas eleições municipais do ano passado, quando o grupo de Cury lançou candidatos a prefeito para enfrentar os candidatos apoiados por Milton Monti em praticamente todas as cidades da região.

A principal vitória dos irmãos botucatuenses aconteceu na cidade natal de Monti que era governada por Marcos Monti, que tentava a reeleição, mas acabou sendo derrotado por Ricardo Salaro, aliado do grupo dos Cury, que também ratificou sua força em Botucatu, derrotando por larga margem o candidato Reinaldinho, que era apoiado por Milton Monti..

O próprio prefeito Mário Pardini, aliado de Cury, acabou ficando em um fogo cruzado quando aceitou participar da agenda marcada ontem com o ministro dos transportes pelo deputado sãomanuelense. Na última segunda-feira, em um evento empresarial, o prefeito admitiu que estaria sofrendo algum desgaste junto a alguns setores tucanos por estar indo a Brasília na audiência marcada por Milton Monti com o ministro dos transportes.

Mas na prática, talvez essa comemoração ainda dependa da confirmação do apoio de Milton Monti nas votações da Reforma da Previdência do jeito que o Governo Temer deseja, pagando a conta política que pode ter garantido o início das obras do viaduto. Ainda é cedo para saber quem ganha e quem perde entre os dois grupos políticos mais fortes da região, mas a lógica do é dando que se recebe, continua de pé em Brasília, mesmo em tempos de Lava Jato.

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