Trotes contra SAMU caíram cerca de 30% em um ano

Redução aconteceu após implantação de lei municipal que penaliza quem faz falsos chamados a serviços de atendimento de urgência

Em alguns casos, ambulâncias saem para falsas ocorrências passadas por trotesCinthia Souza | Diário Botucatu
Em alguns casos, ambulâncias saem para falsas ocorrências passadas por trotes

A maioria das pessoas sabe que só pode ligar para o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Corpo de Bombeiros ou Polícia Militar se realmente precisar do atendimento de um destes órgãos. Porém, infelizmente existe quem goste de fazer um chamado falso por pura diversão. Segundo informações do Senado Federal, as falsas ligações, também chamadas de trote, causam prejuízo de mais de R$ 1 bilhão aos órgãos públicos. Isso porque nem sempre os trotes são reconhecidos pelos atendentes destes serviços e as viaturas são encaminhadas para o local do falso chamado.

“Quando a ligação parte de uma criança, é mais fácil identificar, mas quando o trote vem de um adulto, nem sempre conseguimos e às vezes acontece, sim, de a ambulância sair e não encontrar a ocorrência. Nossos atendentes passam por um treinamento especializado para conseguir reconhecer quem está tentando nos enganar, mas nem sempre isso é fácil”, explica Priscila Masquetto Vieira de Almeida, coordenadora do SAMU de Botucatu.

De todas as ligações recebidas pelo SAMU, cerca de 3% são trotesSidney Trovão
De todas as ligações recebidas pelo SAMU, cerca de 3% são trotes

Em Botucatu, os serviços de urgência podem contar com um aliado para inibir os trotes: a lei municipal 102/2015, de autoria do vereador Reinaldinho. Segundo o texto da lei, quem fizer um falso chamado ao SAMU, PM, Bombeiros ou ainda a Guarda Municipal, deve receber uma multa.

Desde que a lei foi implantada, no final do ano passado, o número de ligações falsas começou a cair. No SAMU, o número de trotes de julho de 2014 a junho de 2015 foi de 1090, já de julho do ano passado até agora são apenas 765, cerca de 30% a menos.

Coordenadora do SAMU, Priscila, diz que atendentes passam por treinamento para identificar trote, mas nem sempre isso é possívelSidney Trovão
Coordenadora do SAMU, Priscila, diz que atendentes passam por treinamento para identificar trote, mas nem sempre isso é possível

“O SAMU também realiza um trabalho nas escolas, uma vez que grande parte dos trotes parte de iniciativa das crianças. Através do programa Samuzinho, abordamos vários assuntos, inclusive o trote. Falamos da lei municipal e das penas para quem desrespeitar e as crianças tomam conhecimento do quanto é grave aplicar um trote”, salienta Priscila.

A cada ano o número de trotes no SAMU reduz significativamente. De 2011 para cá, a queda foi de 63%. “Em média, 3% de todas as ligações que recebemos são trotes”, comenta a coordenadora da unidade.

Esse número fica bem abaixo da média nacional, que é de cerca de 20%. Para reduzir esse índice, no Senado tramita um projeto de lei que torna o trote telefônico um crime, com pena de R$ 500 por ligação realizada, além da suspensão do serviço telefônico.

 

Prejuízo maior está no atendimento

Para a coordenadora do SAMU o principal problema dos trotes telefônicos é aquele não identificado ainda durante a ligação. “Pode acontecer de a equipe sair para fazer o atendimento e aí surgir outra ocorrência de verdade. Mas nossa ambulância não conseguirá atender a tempo por causa do trote. Quem perde com isso é a população que fica descoberta”, salienta a coordenadora.

A Polícia Militar também é alvo constante das falsas ligações. Segundo dados Comando de Policiamento do Interior de São Paulo, o 190 recebeu quase 30 mil ligações neste ano, sendo que quase 6% destas ligações são trotes.

De acordo com o Capitão Alexandre Cagliari, com a nova lei municipal, o número de trotes caiu, mas ainda acontecem casos em que a viatura é deslocada para falsas chamadas. “Quem pratica o trote precisa entender que ele está prejudicando a própria população. Porque se vamos até um falso chamado, um verdadeiro pode ficar sem atendimento adequado”, afirma Cagliari.

Vale lembrar que quem comete trote telefônico pode ser localizado e identificado com facilidade, mesmo que a ligação parta de um telefone público. “A pessoa pode até usar bloqueador de identificação, mas o sistema de atendimento consegue identificar o número. Tanto é que em nossa viatura sempre aparece o contato do solicitante, caso precisemos ligar para ele durante a ocorrência”, completou o capitão da PM.