O papel do irmão Fernando no próximo passo de João Cury

Fernando Cury sempre foi estratégico na carreira do irmão mais velho.

Redação Diário | Diário Botucatu

O papel estratégico do irmão mais novo no próximo passo do ex-prefeito de Botucatu.

Ele sempre foi o mais querido da família. O filho mais novo do ex-prefeito Antonio Jamil Cury era a companhia mais próxima do pai. Respirou o ar e absorveu veia política dentro de casa no tempo em que os irmãos mais velhos estudavam fora. Era o escudeiro do pai em seus passeios na velha camionete “meio verde meio azul” pela cidade no início dos anos 90, ainda menino.

Ele sempre foi o mais querido da família. O filho mais novo do ex-prefeito Antonio Jamil Cury era a companhia mais próxima do pai. Respirou o ar e absorveu veia política dentro de casa no tempo em que os irmãos mais velhos estudavam fora. Era o escudeiro do pai em seus passeios na velha camionete “meio verde meio azul” pela cidade no início dos anos 90, ainda menino.

Filiado ao PPS, que em São Paulo é uma linha auxiliar da máquina tucana para acomodar interesses regionais em conflito ou viabilizar a eleição de nomes interessantes, com base política em regiões com número de eleitores menos volumosos, Fernando Cury se elegeu em 2014 com votação recorde: é o político mais votado da história da cidade.

Quem conhece a intimidade dos sonhos dos irmãos Cury sabe que o objetivo desenhado no planejamento estratégico é torná-lo prefeito de Botucatu. O desafio, em princípio, já tem data marcada: 2020, na sucessão de Mário Pardini (PSDB), que na campanha de 2016 afirmou que seria prefeito de um mandato só, que não queria pensar na possibilidade de reeleição, cenário que sempre pode mudar na caminhada.

O plano, evidentemente, passa por uma vitória na etapa eliminatória nas eleições de 2018, quando Fernando vai buscar a reeleição para a Assembléia Legislativa de São Paulo rasgando o estado em companhia do irmão João, que vai tentar conquistar uma cadeira na Câmara Federal, consolidando o projeto iniciado em 2006, quando assumiram o controle do Diretório Municipal do PSDB de Botucatu.

COORDENADOR DA PRIMEIRA VITÓRIA

Em 2008, na acachapante vitória de João para a prefeitura, Fernando foi o coordenador e principal mobilizador. Quem acompanhou aquela história da campanha de perto sabe que Fernando foi o mais dedicado, entusiasmado e leal parceiro daquela triunfal entrada do irmão mais velho.

No início, quando os números mostravam que João não tinha chance, foi ele que manteve o grupo unido e coeso. Argumentava que era preciso trabalhar duro, mesmo que fosse apenas para garantir uma boa votação para João e cacifá-lo para a eleição municipal seguinte: o que parecia ser o objetivo mais sensato, no tempo em que as pesquisas mostravam o primogênito na rabeira, quase um detalhe insignificante na partida eleitoral cheia de estrelas.

Eleito deputado estadual em 2014, ancorado na força política do irmão, Fernando Cury completa seu primeiro mandato como deputado estadual no ano que vem. Nestes primeiros dois anos e meio, rodou muito pelo estado tentando manter a base política da eleição anterior e ampliar o trabalho para ancorar o projeto familiar de 2018.

UMA VITÓRIA DE GOLEADA NO “TERREIRO DO VIZINHO”

João Cury completou os dois anos finais de seus oito como prefeito de Botucatu e nas eleições de 2016 garantiu a manutenção da máquina política e a sustentação da rede partidária que ancora o projeto, que passou a ser macrorregional, com as vitórias estratégicas de membros do mesmo grupo político em diversas cidades da região.

A principal vitória aconteceu em São Manuel (22 km de Botucatu), cidade natal e base política do deputado federal Milton Monti (PR), o adversário a ser batido para consolidar o poder e a envergadura política dos irmãos Cury na microrregião: uma vitória de Ricardo Salaro (PPS), que havia sido secretário municipal em Botucatu, no segundo mandato de João.

Salaro venceu com folga o candidato à reeleição Marcos Monti (PR), irmão do deputado Milton Monti, fazendo o rival sangrar dentro do próprio quintal. A derrota arrancou de Miltinho seu principal espaço para acomodar os interesses e cargos de seu grupo político. Fernando Cury bateu duro no deputado sãomanuelense nos palanques e nas entrevistas que concedeu às emissoras de rádio locais, acirrando ainda mais os ânimos.

DUAS MÁQUINAS DE FAZER POLÍTICA

Depois que João foi nomeado pelo governador Geraldo Alckmin para assumir a presidência da Fundação para o Desenvolvimento da Educação no Estado de SP, o poder de fogo dos Cury se multiplicou por 10, garantindo plateia cativa praticamente todos os dias dentro da máquina da Secretaria de Educação e a liberação de investimentos que melhoram a qualidade dos prédios que abrigam as escolas e também sua estrutura pedagógica e esportiva.

Fernando Cury, na Assembléia Legislativa, faz parte da base aliada do governador. Já foi fustigado pelas notícias do chamado escândalo da merenda – que também atingiram em cheio o peito do então presidente da Casa, deputado Fernando Capez (PSDB) – mas conseguiu sair ileso das desconfianças, por ser rápido ao se manifestar e buscar os documentos oficiais do inquérito que deixavam claro que não estava sendo investigado naquele momento.

Agora vai estar ao lado do irmão, que enfrenta dois processos de improbidade administrativa durante o mandato de prefeito. Mas quem conhece de perto o político mais trabalhador da família Cury, sabe que ele vai defender a honra do irmão mais velho com as unhas e os dentes, e com um sorriso sempre simpático no rosto quando a defesa for feita em palavras.

 

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