No dia nacional da Doação de Órgãos, transplantados compartilham experiências

Pacientes ainda estão internados no Hospital das Clínicas, mas já sentem os primeiros sinais de melhora

Setembro é o mês da conscientização sobre a importância da doação de órgãos. E especialmente nesta terça-feira (27) o dia é dedicado à causa. Em Botucatu, é realizado no mínimo um transplante de órgão por semana. Pacientes recém-operados no Hospital das Clínicas conversaram com o Diário e expuseram suas experiências vitoriosas.

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Nelson Norio: “Vou ser um combatente em favor da doação”

Nelson Norio recebeu um novo rim no sábado (24) e já está passando bem. Ele conta que, antes do transplante, o procedimento de hemodiálise o incomodava muito. “Eu sofria muito na hemodiálise. Não posso negar que ela melhorou a minha qualidade de vida, mas eu falhava na disciplina alimentar e ganhava muito peso, e, por isso, eu tinha câimbras insuportáveis”.

Mesmo tendo sido operado há poucos dias, o aposentado afirma já estar sentindo os primeiros sinais de melhora.“Não estou sentindo nenhuma dor e o volume da minha urina mais que dobrou. Meu corte também está secando muito bem. O doutor falou que agora é só questão do rim acordar para começar a funcionar plenamente”, comemora.

Norio está tão entusiasmo com seu transplante que daqui para frente afirma que se tornará um incentivador da campanha. “Vou ser sincero. Antes do meu problema, eu nunca pensei em doar. A partir de hoje, vou ser um combatente em favor da doação”, avisa.

O bem do transplante não tem idade
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Cláudia Albuquerque aconselha, emocionada, que as pessoas que ainda estão na fila de espera não percam a esperança

Cláudia Regina de Albuquerque tem apenas 34 anos e acabou de receber novos rins. Ainda criança ela descobriu que possuía rins policísticos em decorrência de uma herança genética.

Durante muitos anos ela preferiu não dar importância para a doença e apenas aos 32 anos de idade é que deu início ao procedimento de hemodiálise. “Eu não queria fazer a hemodiálise. Ir ao hospital três vezes por semana e ver outras pessoas doentes, enquanto eu estava com um aspecto saudável, me deixaria com mais depressão ainda”, afirma.

Cláudia explica que um dos motivos de maior felicidade é que sua espera na fila para recepção dos rins durou pouco tempo. “No dia que eu internei para fazer a cirurgia fez exatos seis meses que eu estava na fila de espera. Minha mãe sempre falou que ia ser esse ano. As pessoas achavam que ela estava exagerando porque era mãe”, relembra.

E para as pessoas que ainda estão esperando por uma doação, Cláudia aconselha. “Tenham esperança. Porque eu acredito que daqui para frente as pessoas vão começar a ter mais consciência através das campanhas e perceberem que se enterrarmos um parente sem doar nada estaremos enterrando as esperanças de muitas pessoas”.

A importância nas palavras do médico
O médico conta que é possível salvar até oito vidas de uma só vezSidney Trovão
O médico conta que é possível salvar até oito vidas de uma só vez

O coordenador médico da Organização de Procura de Órgãos do HCFMB, Laercio Martins Stefano, lamenta a pouca divulgação e aponta a importância da doação. “Eu acho que os órgãos públicos deveriam dedicar mais tempo a essa tema. A doação de órgãos é fundamental atualmente, pois pode salvar até oito pessoas de uma só vez. A gente consegue retirar duas córneas, dois rins, o fígado, dois pulmões e um coração, fora pele e ossos longos que também podem ser utilizados”, conclui.